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BR-262 terá duplicação com 50 viadutos, túneis e ciclovia no Espírito Santo

26 mar 2026 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Após falta de interessados em leilões de concessão, a União executará a ampliação de 180 quilômetros da rodovia com recursos públicos e verbas de reparação ambiental; licitação principal ocorre no segundo semestre deste ano
Governo federal assume obras e duplicação da BR-262 prevê investimento de R$ 8,6 bilhões no Espírito Santo. Foto: Reprodução/Dnit

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prepara o lançamento do edital de licitação para a duplicação de 180,6 quilômetros da BR-262, trecho que liga Viana (ES) à divisa com Minas Gerais, com um investimento estimado em R$ 8,6 bilhões. A obra será executada com recursos públicos pelo governo federal, que assumiu o empreendimento após sucessivas tentativas frustradas de repassar a via à iniciativa privada, e tem a licitação do trecho principal programada para o segundo semestre de 2026.

Fim do modelo de pedágio e nova fonte de recursos
Ao longo das últimas décadas, os governos federal e estadual tentaram viabilizar a duplicação da BR-262 por meio de concessão à iniciativa privada, em um formato em que a empresa vencedora cobraria pedágios para financiar as melhorias, modelo semelhante ao adotado na BR-101. Todas as licitações, no entanto, terminaram desertas. O alto custo e a complexidade geológica do traçado afastaram as concessionárias, que consideraram a operação inviável financeiramente.

Diante do impasse, o governo federal mudou a estratégia: decidiu assumir a execução do projeto diretamente, utilizando verbas públicas, para apenas em um segundo momento avaliar uma eventual concessão. Para viabilizar financeiramente a primeira fase da obra, o governo do Estado destinará R$ 2,3 bilhões oriundos do acordo de reparação pelo rompimento da barragem de Mariana (MG), ocorrido em 2015.

Proporções da obra e desafios de engenharia
O projeto do Dnit transformará a BR-262 em uma das maiores obras de engenharia do Espírito Santo, com uma infraestrutura projetada para se assemelhar à da Rodovia dos Imigrantes, no estado de São Paulo. Para fins de comparação, o custo total de R$ 8,6 bilhões é 15 vezes superior ao do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, obra que exigiu pilares de 50 metros de profundidade e investimentos de R$ 456 milhões ao longo de quatro anos.

O escopo da ampliação da BR-262, com foco na melhoria da segurança e do escoamento de cargas, prevê variantes em novos traçados (greenfield), especialmente entre Viana e Marechal Floriano, e as seguintes estruturas:

  • 50 viadutos e passagens inferiores;
  • 28 pontes;
  • 4 túneis (totalizando 2 quilômetros de extensão);
  • 6 passarelas exclusivas para pedestres;
  • 40 quilômetros de ciclovias;
  • 31 interseções em desnível (eliminando cruzamentos diretos);
  • 24 retornos operacionais;
  • 22,6 quilômetros de trechos urbanizados;
  • 176,8 mil m² de obras de arte especiais.

Divisão de fases e cronograma de licitações
A complexidade da via obrigou o Dnit a dividir a elaboração e execução das obras em duas grandes fases, totalizando cinco lotes estruturais. A primeira fase abrange a Região Serrana, considerada a parte mais crítica do trajeto devido ao excesso de curvas, estendendo-se do entroncamento com a BR-101 até a ES-484, em Conceição do Castelo. A segunda fase segue deste ponto até a divisa com Minas Gerais, em Pequiá, trecho classificado como de menor dificuldade executiva e que está previsto para ser realizado sob o regime de concessão.

Para a execução, o projeto bilionário foi fatiado e detalhado da seguinte maneira:

  • Lote 1: Vai do quilômetro 15,9 (no entroncamento com a BR-101) ao quilômetro 50,8 (término da Variante da Boa Vista). Este trecho compreende 34,9 quilômetros de extensão de obras, além de prever a restauração de 28,8 quilômetros da pista existente. É a etapa mais cara do projeto, com custo estimado em R$ 3.004.524.278,03.
  • Lote 2: Inicia no quilômetro 50,8 e segue até o quilômetro 86,9 (no entroncamento com a ES-368, em Domingos Martins), englobando 36,1 quilômetros de extensão e orçamento de R$ 1.050.861.500,57.
  • Lote 3: Começa no quilômetro 86,9 e avança até o quilômetro 120,9 (no entroncamento com a ES-484), com 34,0 quilômetros de extensão e custo previsto de R$ 1.986.269.969,23.
  • Lote 4: Parte do quilômetro 120,9 e se estende até o quilômetro 157,0 (próximo à travessia urbana do município de Ibatiba). O trecho possui 36,1 quilômetros de extensão e demanda R$ 1.563.149.981,96 em investimentos.
  • Lote 5: Vai do quilômetro 157,0 ao quilômetro 196,0 (marcando o início da ponte sobre o Rio José Preto), totalizando 39,0 quilômetros de extensão, com custo avaliado em R$ 1.021.816.445,15.

O cronograma oficial estabelece que a supervisão da obra e o cadastramento cartorial devem ser licitados já no próximo mês, em abril de 2026. O lançamento da licitação principal, que definirá a empresa responsável pela execução do trecho mais difícil na Região Serrana, será feita sob o critério de técnica e preço, com previsão de ocorrer no segundo semestre de 2026. A obtenção da licença prévia ambiental é esperada para o ano de 2027.

Impactos na economia e logística capixaba
As obras estão em fase de estudos desde 2023. Segundo a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a conclusão da via em pista dupla resultará em impactos macroeconômicos diretos para o Estado. A entidade projeta uma redução sensível no tempo de viagem entre o interior e os portos capixabas, além de um aumento na segurança viária com a queda nos índices de acidentes.

O projeto também é classificado como estratégico para ampliar a integração comercial com o interior de Minas Gerais e com o Centro-Oeste do país. Como consequência da nova infraestrutura rodoviária, o setor produtivo prevê o estímulo à criação de polos industriais e logísticos no entorno da rodovia, bem como o ganho direto de competitividade para setores importantes da economia regional, como rochas ornamentais, café, alimentação e polo metalmecânico.

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