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Pix movimenta mais de meio trilhão no Espírito Santo em apenas um ano

29 jan 2026 - 16:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento da Fecomércio-ES aponta que 74% da população da Grande Vitória já aderiu ao sistema. Enquanto empresas lideram o volume financeiro, pessoas físicas respondem por mais de 90% da quantidade de pagamentos realizados
Pix movimenta R$ 560,5 bilhões no Espírito Santo em 2025 e consolida substituição do dinheiro em espécie. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O sistema de pagamentos instantâneos Pix movimentou um total de R$ 560,5 bilhões na economia do Espírito Santo ao longo de 2025, somando 1,36 bilhão de transações. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (29), fazem parte de uma análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), fundamentada em estatísticas do Banco Central do Brasil, e indicam uma adesão de 74% da população da Grande Vitória à ferramenta.

O levantamento detalha a dinâmica de uso entre diferentes perfis. Do montante total transacionado no estado, aproximadamente 57% dos valores tiveram origem em operações de pessoas jurídicas. As pessoas físicas foram responsáveis por cerca de 42% do volume financeiro, movimentando mais de R$ 235 bilhões no período.

Segundo André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, os números refletem uma mudança estrutural na gestão financeira corporativa.

“Quando olhamos para os valores, fica claro que o Pix virou uma ferramenta estratégica para as empresas, sobretudo pela agilidade, baixo custo e impacto positivo na gestão do fluxo de caixa”, avalia Spalenza.

Frequência de uso e substituição da cédula
Embora as empresas concentrem a maior fatia do valor monetário, o comportamento se inverte ao analisar a quantidade de operações. As pessoas físicas realizaram mais de 90% dos pagamentos e cerca de 63% dos recebimentos via Pix no Espírito Santo em 2025.

A discrepância entre o alto número de transações e o menor volume financeiro total por parte das pessoas físicas sugere a utilização do sistema para pagamentos de menor valor no dia a dia, substituindo o papel-moeda.

“O Pix passou a ocupar o espaço da cédula nas pequenas compras cotidianas. É rápido e está sempre à mão, o que explica esse volume expressivo de operações realizadas por pessoas físicas”, destaca o coordenador.

Crescimento ao longo do ano
O uso da ferramenta apresentou expansão contínua de janeiro a dezembro de 2025. O volume mensal de transações no estado cresceu 38,1%, saltando de 96,3 milhões no início do ano para 133 milhões em dezembro. Esse aumento foi impulsionado majoritariamente pelas pessoas físicas, que ampliaram o número de operações em 38,6%.

Em termos financeiros, o crescimento também foi expressivo:

  • Pessoas físicas: O volume de transferências subiu de R$ 16,3 bilhões em janeiro para R$ 24,6 bilhões em dezembro, uma alta de 50,9%.
  • Pessoas jurídicas: O crescimento foi de 37,7%, passando de R$ 22,8 bilhões para R$ 31,4 bilhões, com picos de movimentação registrados nos meses de agosto e dezembro.

Cenário na Grande Vitória
A Região Metropolitana concentra a maior parte da atividade econômica via Pix no estado. Em 2025, a região registrou R$ 363,4 bilhões em pagamentos, o que corresponde a 64,8% de todo o valor transacionado no Espírito Santo.

Considerando a população estimada pelo Censo de 2022, a adesão ao sistema na Grande Vitória atingiu 74%. A capital, Vitória, lidera o ranking regional, com 81,8% dos habitantes utilizando o meio de pagamento ao menos uma vez no ano. Na outra ponta, o município de Viana apresentou a menor taxa de adesão, com 65,6%.

Para a Fecomércio-ES, essas variações regionais têm explicações estruturais. “Essas diferenças mostram como fatores socioeconômicos, infraestrutura financeira e maturidade digital influenciam a adoção do Pix nos municípios”, observa Spalenza.

Tíquete médio e perfil dos municípios
Os dados municipais revelam ainda contrastes nos valores médios das operações. Entre as pessoas físicas, o maior tíquete médio pago foi registrado em Vitória (R$ 255), seguida por Vila Velha (R$ 216) e Guarapari (R$ 180).

Já no recorte de pessoas jurídicas, Viana se destacou com o maior tíquete médio, alcançando R$ 4.754. O dado indica a concentração de operações empresariais de alto valor no município, apesar de sua representatividade econômica ser menor no contexto geral da região metropolitana.

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Atualizado: 29/01/2026 16:53

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