economia

Nove em cada 10 brasileiros temem prejuízo com tarifaço dos EUA, aponta pesquisa

31 jul 2025 - 18:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Levantamento Datafolha revela que população também vê interferência de Trump no julgamento de Bolsonaro e aponta influência de Eduardo Bolsonaro na decisão americana
Nove em cada 10 brasileiros temem prejuízo com tarifaço dos EUA, aponta pesquisa. Foto: Alan Santos

Uma pesquisa do instituto Datafolha revela que a grande maioria dos brasileiros, 89%, acredita que a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil irá prejudicar a economia do país. Desse universo, 66% avaliam que o prejuízo será grande, enquanto 23% esperam um impacto menor. Apenas 7% dos entrevistados não veem um cenário negativo.

Realizada nos dias 29 e 30 de julho, antes da publicação do decreto que oficializou a medida, a pesquisa mostra que a percepção de prejuízo é alta mesmo entre eleitores de diferentes espectros políticos: 92% dos que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 e 87% dos que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva compartilham dessa opinião. Questionados sobre a reação ideal do governo brasileiro, 72% defenderam que Lula deveria negociar para tentar reverter a decisão americana.

O impacto no bolso e a reação esperada
O temor não se restringe à macroeconomia. A maioria dos brasileiros (77%) também antecipa um impacto negativo em sua situação econômica pessoal, com 43% prevendo um grande prejuízo e 34%, um prejuízo um pouco menor. Cerca de 19% acreditam que não serão afetados.

Diante do cenário, a via diplomática é a preferida da população. Além dos 72% que defendem a negociação, 15% acreditam que o Brasil deveria retaliar, taxando igualmente os produtos americanos. Uma minoria de 6% entende que o governo deveria atender a todas as condições impostas pela Casa Branca. Este último índice, no entanto, sobe para 13% entre os eleitores de Bolsonaro, e cai para 1% entre os eleitores de Lula.

A sobretaxa e a motivação política
Nesta quarta-feira (30), o presidente americano, Donald Trump, assinou o decreto que implementa uma tarifa adicional de 40%, que se soma aos 10% anunciados em abril, totalizando 50% de sobretaxa. As novas alíquotas entram em vigor em sete dias. A medida, contudo, abre quase 700 exceções, isentando cerca de 43% dos itens brasileiros exportados para os EUA, como derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja. Por outro lado, produtos importantes como carnes, café, pescado e frutas serão taxados.

A motivação para o tarifaço, um dos maiores já implementados pelos EUA contra um país parceiro, foi descrita por Trump como uma resposta a “políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”. Entre os motivos apontados por Trump está o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Interferência no caso Bolsonaro divide opiniões
A pesquisa Datafolha investigou a percepção popular sobre essa motivação. Para a maioria dos brasileiros (57%), o presidente Donald Trump está errado ao pedir que a Justiça brasileira pare o julgamento de Bolsonaro. Cerca de 36% dos entrevistados, no entanto, avaliam que o líder americano está certo, enquanto 7% não souberam opinar.

A visão se inverte entre os apoiadores do ex-presidente: 66% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 acreditam que Trump está correto, contra 28% que o veem como errado. Já entre os eleitores de Lula, 82% desaprovam a ação do americano.

O levantamento também mostra um país dividido sobre a tese de que Bolsonaro estaria sendo perseguido e injustiçado, defendida por Trump. Metade dos brasileiros (50%) discorda dessa afirmação, enquanto 45% concordam. A percepção de perseguição é maior entre homens (48%) e na faixa de renda entre cinco e dez salários mínimos (59%).

O Datafolha também mediu a percepção sobre o papel do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que realizou viagens recentes aos EUA em defesa do pai. Para 39%, as ações do filho do ex-presidente tiveram “muito impacto” na decisão de Trump, e para outros 28%, tiveram “um pouco de impacto”, somando 67% os que veem alguma influência.

Confiança e metodologia da pesquisa
Em relação a parceiros comerciais, a pesquisa aponta que os brasileiros veem a União Europeia (74% de confiança), o Mercosul (72%) e a China (66%) como mais confiáveis que os Estados Unidos, que são considerados parceiros confiáveis por 51% dos entrevistados, contra 46% que desconfiam.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de informação sobre o tema varia: 32% se declaram bem informados e 39% mais ou menos, enquanto 27% estão mal informados ou desconhecem o assunto.

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Atualizado: 31/07/2025 19:52

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