economia

Mercado atacadista registra queda no preço das frutas mais consumidas no país

26 mar 2026 - 14:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento da Conab aponta retração nos valores de produtos como banana, maçã e mamão nas Ceasas. Safra capixaba ajudou a conter os custos no cenário nacional
Mercado atacadista registra queda no preço das frutas mais consumidas no país. Foto: Pexels

Os preços das frutas mais comercializadas nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) do Brasil apresentaram redução na média ponderada na passagem de janeiro para fevereiro deste ano. O cenário de barateamento, influenciado por dinâmicas de safra e variações climáticas, foi detalhado no 3º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta quinta-feira (26) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A pesquisa aponta que banana, laranja, maçã, melancia e mamão ficaram mais acessíveis no atacado. O movimento de queda também foi acompanhado por algumas hortaliças, como a cebola e a cenoura, embora produtos como batata, tomate e alface tenham registrado alta no mesmo período.

A influência da safra capixaba na queda da banana
A maior redução registrada pelo levantamento ocorreu no preço da banana, que apresentou uma variação negativa de 11,16% em fevereiro na comparação com janeiro.

Essa diminuição ocorreu mesmo com o aquecimento da demanda gerado pelo retorno às aulas e com uma baixa oferta da variedade nanica no período pós-Carnaval. O impacto altista foi contido pelo alto volume da fruta adquirido na última semana do mês. A estabilização foi garantida pela entrada da banana nanica do norte de Santa Catarina e da banana prata oriunda do norte de Minas Gerais, Bahia, Ceará e de regiões produtoras do Espírito Santo.

Comportamento das demais frutas
O boletim da Conab consolidou o cenário das outras frutas mais vendidas nas Ceasas do país:

  • Maçã: Apresentou a segunda maior queda, com recuo de 10,32%. O número reflete o aumento da oferta gerado pelo início da colheita da maçã gala, somado aos volumes remanescentes da safra da maçã eva do Paraná e da produção de São Paulo.
  • Mamão: Ficou 7,52% mais barato. O excesso de chuvas no final de 2025 prejudicou a florada e reduziu a oferta da variedade papaya. Contudo, o aumento da oferta e os preços menores do mamão formosa limitaram a valorização do papaya e garantiram a queda na média geral.
  • Melancia: Registrou recuo de 3,72%. O clima favoreceu a qualidade da fruta ofertada, apesar de as chuvas terem influenciado o plantio no polo produtivo de Ceres, em Goiás.
  • Laranja: Manteve-se em estabilidade, com leve retração de 0,06%. Houve queda de 7% na oferta nacional, além de recuo nas vendas e no consumo na maior parte das Ceasas da região Sudeste.

Cenário misto no setor de hortaliças
Entre as hortaliças, a cebola e a cenoura registraram baixa nos preços, enquanto alface, tomate e batata encareceram.

A cebola recuou 5,52% devido à menor qualidade do produto. Apesar da entrada de mais volume vindo de Santa Catarina, a quantidade total comercializada caiu 10% nas Ceasas. Para o mês de março, a Conab observa uma pressão de alta nos preços devido à redução dos estoques e ao fim da colheita catarinense. A cenoura teve uma leve queda de 1,23% após seguidos aumentos desde dezembro de 2025; as chuvas frequentes reduziram a velocidade da colheita, mas também afetaram a qualidade do produto, forçando a redução das cotações.

No sentido oposto, os problemas climáticos e as chuvas no campo dificultaram a colheita e impulsionaram o preço da batata (+11,72%) e da alface (+2,02%), reduzindo a oferta geral. O tomate encareceu 5,20% devido ao esgotamento das áreas em ponto de colheita após o pico produtivo registrado no fim do ano anterior.

Alta nas exportações e a cadeia do frio
No comércio exterior, os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o Brasil exportou 218 mil toneladas de frutas em fevereiro de 2026, um volume 1% superior ao registrado no primeiro bimestre de 2025. O faturamento alcançou US$ 237,7 milhões, uma alta de 4,4% na mesma base de comparação. As vendas foram impulsionadas pelos embarques de abacates, bananas e laranjas para a Europa e Ásia.

Por fim, o relatório da Conab destacou a importância da chamada “cadeia do frio” no manuseio de frutas e hortaliças. O uso de refrigeração adequada traz ganhos econômicos, promove maior segurança alimentar e nutricional para os consumidores e gera benefícios voltados à proteção ambiental.

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Atualizado: 26/03/2026 16:31

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