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Haddad diz que STF encontrará caminhos para lidar com impactos do caso Master

29 jan 2026 - 16:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil, Folha de S. Paulo, g1 e Valor Econômico

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Ministro da Fazenda revela que Lula cobra resposta firme à sociedade sobre o escândalo financeiro. Pagamentos do FGC já ultrapassam R$ 32 bilhões, enquanto Dias Toffoli defende condução do inquérito
Haddad afirma que STF saberá "sanear" crise institucional e recuperar imagem após caso Master. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quinta-feira (29) que acredita na capacidade do Supremo Tribunal Federal (STF) de encontrar caminhos para superar o desgaste institucional causado pelo caso do Banco Master. Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad revelou que o tema foi debatido em um almoço recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito na Corte, no qual Lula enfatizou a necessidade de uma resposta clara à sociedade e de combate à corrupção “pelo andar de cima”.

“O presidente Fachin [atual presidente do STF] está com o melhor ânimo para dar uma resposta a isso da maneira adequada e vai encontrar o caminho junto aos seus pares de fazer”, afirmou Haddad. O ministro defendeu a criação de mecanismos internos de controle nas instituições. “Se você está com um problema institucional, você tem que ter os mecanismos internos de saneamento. E você não pode temer sanear, porque é nesse gesto que você recupera a credibilidade institucional.”

Além da crise envolvendo o banco, Haddad confirmou que deixará o cargo em fevereiro, com Dario Durigan, atual número 2 da pasta, sendo o mais cotado para assumir, e comentou sobre a economia. Ele destacou a importância do corte de juros sinalizado pelo Banco Central para março, visando estancar o crescimento da dívida pública, que subiu 18% no ano passado.

Toffoli quebra silêncio e defende atuação
O ministro Dias Toffoli tem enfrentado críticas nos bastidores jurídicos e políticos devido a decisões classificadas como atípicas na condução do inquérito, como a restrição do acesso da Polícia Federal (PF) aos celulares apreendidos e a determinação de que depoimentos ocorressem nas dependências do Supremo, e não na sede da corporação. Em resposta, o gabinete do magistrado divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (29) para esclarecer o andamento processual e defender a regularidade das medidas.

No comunicado, Toffoli argumentou que a definição sobre a competência, se o processo permanecerá no STF ou será remetido à primeira instância, só será tomada após a conclusão das investigações. Segundo o ministro, essa cautela é necessária para evitar futuras alegações de nulidade baseadas em violação do foro por prerrogativa de função ou do devido processo legal. Ele reforçou a rigidez de sua condução ao pontuar que rejeitou todos os pedidos das defesas dos investigados para anular as apurações, bem como indeferiu uma proposta de acordo amigável sugerida pelos advogados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O relator justificou ainda que a manutenção do sigilo, já decretado na origem pelo juízo de primeiro grau, foi essencial para impedir vazamentos que pudessem comprometer as diligências em andamento. A nota destaca também que as ações urgentes, como os depoimentos realizados em dezembro, visavam à proteção do Sistema Financeiro Nacional e que a supervisão do caso pelo Supremo contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A íntegra da nota oficial divulgada pelo gabinete do ministro está disponível ao final desta reportagem.

FGC já pagou R$ 32,5 bilhões a credores
Enquanto a esfera política debate os impactos institucionais, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) avança no ressarcimento aos investidores do conglomerado liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Até esta quinta-feira (29), o Fundo já desembolsou R$ 32,5 bilhões, cobrindo cerca de 80% do total previsto e atingindo 580 mil credores, o equivalente a 75% da base.

A maioria dos pagamentos refere-se a Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. Daniel Lima, CEO do FGC, explicou ao jornal Valor Econômico que o processo enfrentou desafios inéditos que dobraram o tempo médio de elaboração da lista de credores para 60 dias. “Fatores como o porte da instituição, múltiplos CNPJs e processos internos de compliance tornaram o trabalho mais complexo”, justificou.

Cerca de 20 mil pedidos ainda estão parados aguardando ação dos credores no aplicativo do FGC. O órgão alerta para tentativas de golpes de engenharia social, com sites e aplicativos falsos, embora afirme não haver registro de fraudes bem-sucedidas até o momento. O Fundo garante manter a robustez financeira, com patrimônio de quase R$ 160 bilhões e liquidez imediata de R$ 122 bilhões.

“Gabinete do ódio” e investida sobre influenciadores
As investigações da Polícia Federal apontam para novas frentes. Um inquérito foi aberto para apurar um suposto ataque orquestrado contra o Banco Central e investigadores, batizado internamente de “Projeto DV” (iniciais de Daniel Vorcaro). A PF identificou cerca de 40 perfis que teriam sido contratados, com um orçamento de R$ 800 mil, para descredibilizar a autoridade monetária. A defesa de Vorcaro nega envolvimento.

Paralelamente, influenciadores digitais do mercado financeiro, como Renata Barreto e Renato Breia, expuseram e-mails recebidos nesta semana em nome do Banco de Brasília (BRB). As mensagens ofereciam um almoço com o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, para tratar do “caso Master” e “mostrar transparência”.

O BRB negou ter autorizado os contatos. A agência de marketing Flap assumiu a responsabilidade pelos e-mails, alegando que se tratava de uma “iniciativa interna de cotação” para um evento em planejamento, sem o aval do banco. O episódio soma-se às investigações sobre a tentativa frustrada de compra do Master pelo BRB, operação barrada pelo Banco Central que teria envolvido fraudes estimadas entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões.

Toffoli encaminhou à PGR o pedido para opinar se a investigação sobre a rede de influenciadores deve permanecer no Supremo ou ser enviada à primeira instância.


Leia a íntegra da nota divulgada pelo gabinete de Dias Toffoli nesta quinta-feira:

Nota do Gabinete do Ministro Dias Toffoli
Gabinete esclarece principais andamentos do caso Master no STF

1.O Ministro Dias Toffoli foi escolhido, por sorteio, para ser o relator da operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal em 28 de novembro de 2025;

2.No dia 3 de dezembro de 2025, após o exame preliminar dos autos, houve a determinação, em caráter liminar, para que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, mantidas e validadas todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau, a fim de evitar vazamentos que pudessem prejudicar as investigações;

3.Da análise preliminar dos documentos, o Ministro relator verificou, em 15 de dezembro de 2025, a absoluta necessidade da realização de diligências urgentes, não só para o sucesso das investigações, mas também como medida de proteção ao Sistema Financeiro Nacional e às pessoas que dele se utilizam, determinando, no prazo inicial de trinta dias, a oitiva dos principais investigados para esclarecer, em detalhes e com apresentação dos respectivos documentos, as denúncias em apuração;

4.Na mesma oportunidade, houve a determinação de oitiva dos dirigentes do Banco Central do Brasil sobre questões de sua atribuição envolvendo as atividades do Banco Master e de possíveis desdobramentos envolvendo outras instituições financeiras;

5.As oitivas dos presidentes dos bancos envolvidos no caso e do diretor do Banco Central responsável pela fiscalização das instituições ocorreram no dia 30 de dezembro de 2025, inclusive com a acareação, que se mostrou necessária, entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa;

6.Após o exame do material contido nos autos e com parecer favorável do Procurador-Geral da República, foi julgada parcialmente procedente a reclamação, para reconhecer a competência da Suprema Corte a fim de supervisionar as investigações que envolvem a operação Compliance Zero, decisão contra a qual não foi apresentado recurso;

7.No curso do processo, todos os pedidos de reconhecimento de nulidades formulados pelas defesas dos investigados, inclusive por violação de prerrogativa de foro, foram rejeitados, assim como foi indeferido um pedido de composição amigável entre as partes apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro;

8.Aberto o inquérito policial correspondente, que corre em sigilo em razão de diligências ainda em andamento, foram ouvidos alguns investigados pela autoridade policial entre os dias 26 e 27 de janeiro de 2026. A autoridade policial pediu a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações por mais sessenta dias, o que foi deferido;

9.Paralelamente à operação Compliance Zero, outras operações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, dentre as quais, uma realizada na cidade do Rio de Janeiro, que foi prontamente devolvida à primeira instância, e outra efetivada em São Paulo por determinação da Suprema Corte, trazida ao Supremo Tribunal Federal por iniciativa direta da Procuradoria-Geral da República;

10.Em todos os âmbitos, as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andamento;

11.Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal.

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Atualizado: 29/01/2026 16:51

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