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GWM em Aracruz: fábrica terá 200 mil veículos por ano com potencial de 10 mil empregos

24 fev 2026 - 17:05

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Planta industrial no Norte capixaba terá capacidade para produzir 200 mil carros ao ano. Operação iniciará com montagem de peças importadas e evoluirá para fabricação completa no Estado
GWM confirma fábrica de veículos em Aracruz com potencial de 10 mil empregos. Foto: Reprodução

A montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) oficializou nesta terça-feira (24), durante evento no Palácio Anchieta, em Vitória, a instalação de uma fábrica na região de Barra do Riacho, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Com capacidade projetada para produzir até 200 mil veículos por ano, o empreendimento prevê a geração de até 10 mil empregos diretos e indiretos na fase operacional, consolidando o Estado como um novo polo estratégico para a indústria automotiva nacional.

O complexo será instalado no Parque Industrial de Aracruz, na região de Barra do Riacho. A GWM ocupará uma área útil de 1,7 milhão de metros quadrados, integrada à estrutura logística do ParklogBR/ES. O espaço está inserido em um perímetro de 1,9 milhão de metros quadrados, declarado de utilidade pública pelo Governo do Estado por meio do Decreto nº 125-S, de 26 de janeiro de 2026. Desse total, 200 mil metros quadrados são destinados a áreas de preservação permanente.

Evolução da produção
A fabricante de veículos elétricos e híbridos, que já importa carros pelos portos capixabas há três anos, iniciará as operações locais no modelo CKD (Completely Knocked Down). Nesse formato, comum a montadoras asiáticas, como Chery e BYD, ao ingressarem no Brasil, os veículos chegam da China totalmente ou parcialmente desmontados e são remontados localmente. Esse modelo inicial, no entanto, gera empregos limitados e mantém a dependência de fornecedores externos.

O objetivo da GWM, contudo, é inverter essa lógica e evoluir para o modelo OEM (Original Equipment Manufacturer). Adotado por marcas como Volkswagen, Toyota e Hyundai, o OEM caracteriza-se por uma planta completa, que fabrica o veículo desde a matéria-prima sob o mesmo teto. A fábrica de Aracruz contará com processo produtivo integral, incluindo estamparia (modelagem das chapas metálicas da carroceria), soldagem, pintura e montagem final.

Esse modelo avança na geração de empregos de alta qualidade, exigindo engenheiros, metalúrgicos, pintores e técnicos de manutenção, além de fomentar o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores regionais. “A expectativa é que a planta automotiva possa fazer todas as etapas de produção do carro, desde a produção das peças até a estamparia, soldagem, pintura e montagem final”, afirmou Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM.

O vice-governador Ricardo Ferraço explicou a transição: “O projeto vai nascer importando barras e peças. A partir daí, será desenvolvida a cadeia de produção com fornecedores locais. À medida que o projeto for sendo implantado, a importação será substituída”.

Impacto econômico e atração de indústrias
A instalação da montadora reflete na demanda por insumos e na atração de novas empresas. O Espírito Santo já é produtor de chapas de aço, principal insumo automotivo. A ArcelorMittal, por exemplo, prevê investir R$ 4 bilhões na Serra para construir um novo laminador de tiras a frio, focado na produção de aço de alto valor agregado para o setor automotivo.

Apenas durante a fase de implantação da fábrica da GWM, o consumo estimado é de 200 mil a 350 mil toneladas de concreto e de 40 mil a 70 mil toneladas de aço, com a mobilização de 1.500 a 3.500 trabalhadores da construção civil.

“A política industrial leva soberania a um país, a um Estado. A gente pode ter a indústria que nos leve à soberania e alimente as outras demais atividades. Se a empresa decidiu instalar sua indústria aqui é porque confia na gente”, declarou o governador Renato Casagrande.

O secretário Rogério Salume complementou: “Na fase operacional, o projeto poderá alcançar até 10 mil empregos, entre diretos e indiretos, impulsionando cadeias produtivas e o setor de serviços. Estamos falando de um investimento transformador, que posiciona o Espírito Santo em um novo patamar industrial”.

Bastidores da negociação e mercado global
O projeto em Aracruz é fruto de negociações iniciadas em 2023 pela Nova ES, envolvendo visitas técnicas, assinatura de acordo de confidencialidade (NDA) e alinhamentos com órgãos como Iema, Sefaz, ES Gás e EDP para garantir as demandas de infraestrutura (água, energia, logística e qualificação). O diretor de Negócios da Nova ES, Danilo Pescuma, destacou que o papel da agência foi “preparar o terreno, reduzir assimetrias, dar previsibilidade e acelerar processos”.

A confirmação do negócio ocorreu em janeiro de 2026, durante missão oficial à China com a presença do vice-governador, do secretário de Desenvolvimento, do diretor da Nova ES e do presidente da GWM, Jack Wey.

Ricardo Bastos revelou que a escolha do Espírito Santo ocorreu após uma avaliação nacional. “Rodamos por vários estados da federação e encontramos no Espírito Santo as condições ideais de competitividade”, declarou. Ferraço reforçou o argumento econômico: “No ano passado, o desempenho da economia capixaba superou o do Brasil e teve destaque no Sudeste”.

A fábrica capixaba receberá parte do aporte de R$ 10 bilhões que a GWM destinará ao Brasil. Desse montante, R$ 4 bilhões já foram aplicados na primeira unidade da marca, em Iracemápolis (SP), inaugurada em agosto do ano passado com capacidade para 50 mil carros.

A expansão para o Espírito Santo atende também a uma estratégia de exportação. Produzindo componentes no Brasil, a GWM obtém isenção de impostos ao exportar para a América Latina, aumentando a lucratividade. “A China tem um desafio. Precisa se internacionalizar. Não pode só exportar, tem que produzir fora de lá. A produção no Brasil não é somente para atender à demanda local. Tem que ser competitiva e fazer frente aos concorrentes”, detalhou Bastos, lembrando que a marca vendeu 42 mil carros no Brasil no ano passado.

Próximos passos
Apesar do anúncio, o governador Renato Casagrande explicou que o projeto é de longo prazo e ainda não há data para o início da montagem dos veículos. A área desapropriada, que tem parte de suas terras pertencentes à Suzano, passa por negociações. “É todo um processo legal e isso começa a partir de hoje”, disse Rogério Salume.

As próximas etapas físicas do projeto incluem levantamentos topográficos e sondagens, licenciamento ambiental, início da terraplanagem e a preparação do terreno.

A solenidade no Palácio Anchieta contou com a presença do governador Renato Casagrande (PSB); do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB); do secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume; e do diretor de Negócios da Agência de Atração de Investimentos do Estado (Nova ES), Danilo Pescuma. Pela GWM, participaram o diretor de Assuntos Institucionais, Ricardo Bastos; o diretor financeiro (CFO), Way Chien; o head de Comunicação, Zeca Chaves; e o gerente de ESG & Projetos Estratégicos, Thiago Sugahara. O prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Coutinho, também marcou presença.

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Atualizado: 24/02/2026 17:07

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