economia

Desemprego no Brasil cai para 5,1% e fecha 2025 com o menor índice da história

30 jan 2026 - 10:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência IBGE

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Renda média do trabalhador sobe para R$ 3.560 e total de carteiras assinadas bate recorde com 38,9 milhões de pessoas. Dados são da Pnad Contínua divulgada pelo IBGE
Desemprego no Brasil cai para 5,1% e fecha 2025 com o menor índice da história. Foto: Brenda Rocha Blossom/Getty Images

A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, atingindo o nível mais baixo da série histórica iniciada em 2012, quando o índice era de 8,0%. O resultado consolida a recuperação do mercado de trabalho ao longo de 2025, ano que registrou uma média anual de desemprego de 5,6%, também o menor patamar já registrado desde o início da pesquisa. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na manhã desta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, a queda na desocupação reflete diretamente na redução do número de brasileiros em busca de trabalho. A média de pessoas desocupadas caiu de 7,2 milhões em 2024 para 6,2 milhões em 2025. No recorte específico dos últimos três meses do ano, cerca de 5,5 milhões de pessoas tentaram encontrar uma vaga. O cenário atual contrasta com os picos observados durante a pandemia de Covid-19, quando a taxa chegou a 14,0% em 2021, somando 14 milhões de desocupados.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, explica que a melhora nos índices não decorre de pessoas desistindo de procurar emprego, mas sim da efetiva criação de vagas.

“Importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, destaca Beringuy.

Recorde na população ocupada e carteira assinada
O ano de 2025 encerrou com um contingente recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas no país, superando os 101,3 milhões de 2024. O nível de ocupação, percentual de ocupados na população em idade de trabalhar, subiu para 59,1%, o maior da série.

Um dos destaques qualitativos da pesquisa foi o crescimento do emprego formal. O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada cresceu 2,8% no ano, alcançando o teto histórico de 38,9 milhões de pessoas. Isso representa a inclusão de cerca de 1 milhão de trabalhadores no regime formal em comparação ao ano anterior.

Paralelamente, o trabalho por conta própria também atingiu seu maior nível, com 26,1 milhões de pessoas, uma alta de 2,4% ante 2024. Já a informalidade apresentou recuo: a taxa anual passou de 39,0% para 38,1%. Contudo, Beringuy pondera que a informalidade permanece como uma característica estrutural do mercado brasileiro, dada a dependência de trabalhadores no comércio e serviços.

Em contrapartida, houve redução em outras categorias: o setor privado sem carteira assinada recuou 0,8% (13,8 milhões) e o trabalho doméstico teve queda de 4,4%, totalizando 5,7 milhões de pessoas.

Renda em alta e massa salarial recorde
O aquecimento do mercado de trabalho veio acompanhado de valorização nos ganhos. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, um aumento de 5,7% (R$ 192 a mais) em relação a 2024. Consequentemente, a massa de rendimento real habitual, a soma de todos os salários, atingiu o recorde de R$ 361,7 bilhões, uma expansão de 7,5% no ano.

De acordo com a coordenadora do IBGE, dois fatores impulsionaram a renda: a expansão de setores que exigem maior qualificação e a política de valorização do salário-mínimo.

“Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. Essas atividades concentram contingentes de trabalhadores mais escolarizados, com vínculos mais formalizados e rendimentos mais altos”, afirma Beringuy, acrescentando que o aumento do salário-mínimo garantiu ganhos reais também nas atividades mais elementares.

Queda na subutilização
A taxa composta de subutilização, que inclui desocupados, subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, caiu para 14,5% em 2025, o menor índice da série. Em números absolutos, a população subutilizada recuou 10,8%, passando de 18,7 milhões em 2024 para 16,6 milhões em 2025. Apesar da melhora significativa, esse contingente ainda se mantém acima do mínimo histórico registrado em 2014, que foi de 16,3 milhões.

Análise do último trimestre
Considerando apenas o quarto trimestre de 2025 (outubro a dezembro), a taxa de desocupação de 5,1% representou uma queda de 0,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2024.

Neste período final do ano, o setor de Comércio apresentou recuperação, impulsionado pelas vendas de fim de ano, especialmente em vestuário e calçados, adicionando 299 mil pessoas à força de trabalho. O setor de Administração pública, defesa, saúde e educação também cresceu, absorvendo mais 282 mil trabalhadores no trimestre.

Sobre a pesquisa
A PNAD Contínua é o principal instrumento de monitoramento da força de trabalho no Brasil. A amostragem abrange 211 mil domicílios em 3.500 municípios, visitados trimestralmente por cerca de dois mil entrevistadores do IBGE.

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