economia

Custo de vida médio no Espírito Santo é de R$ 3.780 por mês, revela pesquisa

10 fev 2026 - 15:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento inédito aponta que moradia e supermercado pressionam o orçamento no Espírito Santo. Apenas dois em cada dez brasileiros consideram fácil gerenciar as despesas
Custo de vida médio do capixaba chega a R$ 3.780 e supera a média nacional. Foto: Gabriel Queiroz/Getty Images Pro

Uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (10) pela Serasa, em parceria com o instituto Opinion Box, revela que o custo de vida médio mensal no Espírito Santo é de R$ 3.780. O valor supera a média nacional, que ficou estabelecida em R$ 3.520, considerando despesas com moradia, contas recorrentes, alimentação, transporte, saúde, educação, lazer e serviços diversos.

O levantamento, intitulado “Custo de Vida no Brasil”, aponta que a pressão no orçamento das famílias é impulsionada, principalmente, por despesas fixas. No cenário nacional, apenas 19% dos entrevistados, ou seja, cerca de dois em cada dez brasileiros, afirmam considerar fácil o gerenciamento dos pagamentos e das despesas cotidianas.

O peso das despesas essenciais
A composição do orçamento familiar é dominada por três categorias principais: compras de supermercado, contas recorrentes (como água, luz e internet) e moradia. Juntas, essas despesas concentram 57% dos gastos dos brasileiros e são apontadas pelos entrevistados como as mais difíceis de manter em dia.

A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, analisa o impacto dessa concentração de gastos. “Quando as despesas essenciais ocupam uma fatia tão grande do orçamento, sobra menos espaço para ajustes e imprevistos. Isso torna o planejamento financeiro ainda mais necessário, já que essas contas não podem ser adiadas e gastos emergenciais podem levar ao endividamento”, explica.

Os dados regionais mostram que o capixaba desembolsa valores acima da média brasileira em categorias fundamentais.

  • Moradia: É o item de maior impacto. Enquanto a média nacional para aluguel, condomínio ou financiamento é de R$ 1.100, no Espírito Santo esse custo sobe para R$ 1.320. O valor reflete uma tendência observada em regiões com imóveis mais valorizados. No Sul do país, por exemplo, a média chega a R$ 1.310, enquanto no Nordeste é de R$ 800.
  • Supermercado: Para a alimentação e itens básicos, o gasto médio mensal no estado é de R$ 1.030. O valor também ultrapassa a média nacional de R$ 930.
  • Contas recorrentes: Nas despesas com serviços básicos (água, energia, internet e streaming), o gasto médio do capixaba é de R$ 520, alinhado exatamente com a média nacional.

O levantamento detalhou ainda outros custos mensais no estado:

  • Saúde e atividade física: R$ 560 (média nacional de R$ 540).
  • Lazer: R$ 400.
  • Compras em geral: R$ 380.
  • Transporte e mobilidade: R$ 350.

“As variações regionais mostram que o custo de vida está diretamente ligado ao contexto econômico local. Em regiões onde os preços são mais elevados, as despesas essenciais passam a consumir uma parcela ainda maior da renda disponível”, comenta Aline Vieira.

O levantamento detalha ainda a percepção de prioridade e a dificuldade de pagamento em cada setor. As compras de supermercado lideram ambos os indicadores, sendo consideradas prioridade por 31% dos entrevistados, enquanto 23% as apontam como o gasto mais difícil de manter em dia. Na sequência, as contas recorrentes são prioridade para 23% e difíceis de pagar para 17%. Já a moradia, embora seja a terceira maior prioridade (20%), representa um desafio financeiro para 13% da população. Outros setores, como saúde e atividade física, são priorizados por 11% dos brasileiros, enquanto áreas como lazer, serviços de cuidados pessoais e compras em geral, apesar de terem baixa prioridade (2% cada), apresentam índices de dificuldade de manutenção que variam entre 7% e 9%.

Mobilidade e planejamento
Apesar do custo de vida elevado, a mudança de domicílio não aparece como uma solução imediata para a população. A pesquisa indica que apenas um em cada dez brasileiros consideraria mudar de cidade em 2026 com o objetivo de reduzir despesas.

Para a especialista da Serasa, o cenário exige organização interna das finanças, visto que a média de gastos supera o salário-mínimo projetado. “Os dados reforçam que o principal desafio está mais relacionado à reorganização do orçamento do que à mobilidade geográfica”, afirma Vieira. Ela ressalta a importância de anotar gastos para fechar as contas sem contrair dívidas.

Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box entre os dias 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026. Foram ouvidos 6.063 brasileiros de todas as regiões. A margem de erro geral é de 1,2 pontos percentuais. Os valores médios mensais consideraram apenas os respondentes que declararam possuir aquele tipo específico de despesa no orçamento atual.

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