A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) na manhã desta quinta-feira (11) para pedir a suspensão imediata do Instagram Map, nova funcionalidade da rede social que permite o compartilhamento da localização dos usuários ao vivo. O recurso, que começou a ser liberado para o público no Brasil na quarta-feira (10), motivou o pedido de intervenção sob o argumento de que a ferramenta possui menus confusos e expõe os usuários a riscos graves de segurança.
Por meio de suas redes sociais, a parlamentar afirmou que um único clique incorreto é suficiente para ativar o compartilhamento do rastreamento. Segundo a deputada, a exposição coloca em risco mulheres, crianças, pessoas idosas e qualquer indivíduo que resida com um usuário que tenha aceitado a funcionalidade.
A presidente da Comissão das Mulheres classificou a atualização como uma ação irresponsável por parte da empresa controladora, a Meta. “O Instagram está alardeando, abertamente, que se não tiverem acesso à localização via GPS, usarão o sinal de internet para descobrir a localização do usuário”, destacou a deputada, ressaltando que a desativação do sistema de posicionamento global (GPS) dos aparelhos celulares não impede o funcionamento da ferramenta.
Ela também demonstrou preocupação com o silêncio de setores da sociedade em relação ao tema e orientou que o público desative a função imediatamente nas configurações dos próprios celulares e nos aparelhos de familiares. A parlamentar alertou que a exposição dos dados pode acarretar aumento em casos de roubo, perseguição, violência e até assassinato.
Funcionamento da nova ferramenta na rede social
O Instagram Map foi desenvolvido para compartilhar a última localização ativa do usuário com amigos escolhidos previamente, exibindo em um mapa interativo as publicações, stories, reels e notas associados àqueles locais. A Meta não confirmou oficialmente a liberação da atualização, mas a funcionalidade já aparece disponível nos aparelhos do país.
A empresa informa que o mapa vem desativado por padrão. Para utilizá-lo, é necessário realizar a ativação manual. Quando habilitado, o usuário ganha a opção de escolher quem terá acesso aos seus dados exatos, podendo alterar as preferências de privacidade ou desativar o compartilhamento de forma integral a qualquer momento.
O lançamento oficial acontece após o período de testes do recurso em outros mercados desde o ano passado. Em agosto de 2025, o portal de notícias da BBC noticiou que a rede social apresentava a funcionalidade como uma forma leve de conexão. À época, a Meta havia negado que os testes estavam em operação no Brasil, justificando que capturas de tela em português do aplicativo poderiam pertencer a usuários que estavam em regiões onde a fase experimental já funcionava.
Repercussão e críticas nas redes sociais
O lançamento não passou despercebido pelos usuários. O termo “Instagram” alcançou o primeiro lugar nos assuntos mais comentados do X no Brasil na manhã desta quinta-feira. A grande maioria das publicações critica a decisão da plataforma de incentivar o rastreamento em tempo real.
Nas postagens, usuários questionaram os perigos da novidade e a viabilidade de manter um endereço exposto de forma ininterrupta. Uma das publicações apontou a contradição da empresa ao lançar um mapa que revela o paradeiro das pessoas em 2026, questionando de forma irônica o que poderia dar errado com a medida.
Como desativar o compartilhamento de localização
Para garantir a privacidade e interromper qualquer envio de dados para o mapa, os usuários devem seguir um procedimento simples dentro das configurações do aplicativo:
- Abra o Instagram.
- Toque no ícone de mensagens no canto superior direito.
- Entre no Mapa.
- Toque no ícone de configurações.
- Em “Quem pode ver sua localização”, selecione a opção “Ninguém”.
Outras atualizações recentes na plataforma
A chegada do mapa interativo ocorre em paralelo a outras alterações na rede social. O Instagram liberou recentemente uma função que permite a reorganização da ordem das publicações na grade do perfil. A mudança é feita por um novo menu, o que elimina a necessidade de apagar e republicar fotos ou vídeos. Postagens e reels fixados pelo usuário continuam no topo da página, sem sofrer impacto da nova ordenação.
Além das mudanças de layout, a Meta introduziu no Brasil a assinatura do Instagram Plus. Com o custo de R$ 10, o plano oferece ferramentas exclusivas dentro do aplicativo. A companhia ressalta que se trata de uma atualização opcional e que a experiência gratuita da plataforma não sofrerá alterações para quem decidir não assinar o pacote.


















