política

Valdemar chama de ‘normal’ visita de Flávio Bolsonaro a Vorcaro em prisão domiciliar para bancar filme

25 maio 2026 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1

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Senador e pré-candidato à Presidência viaja aos Estados Unidos para agenda com Donald Trump após registrar queda em pesquisa de intenção de voto
Valdemar Costa Neto justifica reunião de Flávio Bolsonaro com banqueiro sob monitoramento eletrônico. Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, justificou nesta segunda-feira (25) a visita do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao banqueiro Daniel Vorcaro, realizada enquanto este cumpria prisão domiciliar sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. De acordo com o dirigente partidário, o encontro teve como objetivo assegurar a continuidade dos recursos financeiros para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio à repercussão do caso e ao recuo em pesquisas eleitorais, o parlamentar viajou a Washington em busca de uma agenda política internacional.

Financiamento de cinebiografia
Em entrevista concedida ao Estúdio i nesta segunda-feira (25), Valdemar Costa Neto classificou a reunião entre o senador e o dono do Banco Master como uma “coisa normal” e “a coisa mais natural do mundo”. O presidente do PL alegou que o parlamentar buscava o restante das verbas para a produção cinematográfica sobre seu pai. “Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, declarou Valdemar.

O dirigente partidário afirmou ainda que soube do encontro por meio dos veículos de comunicação. “Pela imprensa. Nunca soube; ele nunca falou sobre isso. No dia em que estourou, nós fizemos uma reunião para ver como é que ele ia responder, e aí ele [Flávio Bolsonaro] disse que teve [a reunião] porque tinha necessidade de arrecadar dinheiro para o filme do pai”, explicou. Valdemar complementou que não vê irregularidades na captação com o banqueiro, apontando que o problema existiria caso os recursos fossem públicos: “Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. (…) Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos”.

Na semana anterior, Flávio Bolsonaro já havia confirmado a jornalistas a realização do encontro com Vorcaro após a primeira prisão do empresário, ocorrida no final de 2025. Na ocasião, o senador afirmou que o intuito era “botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”.

Manutenção da pré-candidatura
Apesar do desgaste provocado pelo episódio, Valdemar Costa Neto assegurou que a posição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato do partido ao Executivo Federal está mantida e descartou outros nomes da legenda. “Ele [Flávio Bolsonaro] é o candidato do [Jair] Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições. A Michele está fora de questão. Ela não é candidata à presidência”, sentenciou.

Reflexos nas intenções de voto
As revelações envolvendo a proximidade com o proprietário do Banco Master resultaram na primeira agenda negativa de Flávio Bolsonaro desde o lançamento de seu nome na corrida presidencial. O cenário gerou impacto direto nos índices de aprovação popular aferidos pela pesquisa mais recente do instituto Datafolha.

Nas simulações de primeiro turno, o senador registrou recuo de quatro pontos percentuais, passando de 35% para 31% das intenções de voto. No mesmo levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, oscilou de 38% para 40%, ampliando a vantagem em relação ao segundo colocado de três para nove pontos.

Em projeções de segundo turno, onde antes se constatava um empate técnico em 45%, Lula avançou para 47%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou para 43%. Os dados do Datafolha revelaram ainda que 36% do eleitorado entrevistado ainda não tomou conhecimento dos fatos envolvendo o pré-candidato do PL e o banqueiro.

Viagem aos Estados Unidos
Na tentativa de reverter os índices negativos, Flávio Bolsonaro cumpre agenda em Washington, nos Estados Unidos. A equipe do parlamentar planeja uma reunião com o ex-presidente americano Donald Trump, prevista para esta terça-feira (26), embora a Casa Branca ainda não tenha emitido uma confirmação oficial sobre o dia do encontro.

A pauta que o senador pretende discutir com as lideranças norte-americanas abrange a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além de debates sobre a garantia da liberdade de expressão nas plataformas digitais no Brasil.

A intermediação da viagem junto à ala ideológica ligada a Trump foi coordenada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do pré-candidato. Eduardo reside em território norte-americano há mais de um ano, período no qual atua politicamente no exterior enquanto permanece sob investigação no Brasil por suspeitas de articulações internacionais contra autoridades do país e financiamento irregular.

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Atualizado: 25/05/2026 17:33

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