política

Dino abre investigação sobre suposto desvio de emendas para filme de Bolsonaro

15 maio 2026 - 11:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de CNN Brasil, CBN e Folha de S. Paulo

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Ministro do STF determinou abertura de processo sob sigilo para apurar repasses a ONGs ligadas à produção cultural. Mercado financeiro reage com alta do dólar diante de instabilidade política
STF investiga suposto desvio de emendas parlamentares em filme sobre Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação sigilosa para apurar o suposto desvio de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais, incluindo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorre após novas denúncias sobre a falta de transparência e possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas para ONGs ligadas à produção do filme.

Sigilo e novas denúncias no STF
A nova investigação tramitará sob nível três de sigilo. A decisão atende a pedidos apresentados pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). Os parlamentares apontam indícios de execução ilícita de emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.

Segundo as denúncias, essas entidades seriam controladas pela mesma proprietária da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. O material enviado ao STF aponta possíveis ligações do deputado federal e produtor da obra, Mário Frias (PL-SP), com as irregularidades.

Em março, o STF já havia cobrado explicações da Câmara dos Deputados e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS) e Mário Frias. Enquanto a Câmara e os demais deputados responderam, Frias ainda não se manifestou. O ministro Flávio Dino destacou que, caso o desvio de finalidade seja comprovado, a prática viola preceitos da Constituição Federal.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e cita investimento privado
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), prestou esclarecimentos sobre o financiamento privado da mesma obra. Segundo revelações do site The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria negociado um aporte de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões à época) para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Em entrevista no aeroporto de Brasília, Flávio afirmou ter conversado com o pai sobre o caso:

“Expliquei [a Bolsonaro] que a imprensa havia noticiado o caso e que não havia absolutamente nada de errado. Ele me disse para ficar tranquilo, seguir firme e falar a verdade. Insisto que não fiz nada de errado, trata-se de um investimento privado em um filme com expectativa de retorno.”

O senador estimou o custo total da produção em aproximadamente US$ 16 milhões (cerca de R$ 80 milhões) e negou que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, tenha utilizado verbas do fundo para sustento pessoal nos Estados Unidos. Flávio atribuiu as investigações à “perseguição” do governo atual.

Atrito político e reação do mercado
O episódio gerou ruídos entre aliados de direita. Flávio Bolsonaro criticou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificando como “precipitada” a declaração de Zema de que o caso seria “imperdoável”. Por outro lado, o senador agradeceu ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), por minimizar o ocorrido.

No campo econômico, a incerteza política provocou volatilidade imediata. O dólar comercial disparou mais de 1% no início do pregão desta sexta-feira, voltando a ser cotado acima de R$ 5,00.

  • Dólar: Alta de 1,02%, cotado a R$ 5,0379 (às 9h11).
  • Bolsa (Ibovespa): Havia fechado a quinta-feira (14) em alta de 0,71%, aos 178.365 pontos, mas sofre pressão com as notícias recentes.
  • Juros futuros: As taxas dos DIs apresentaram recuo após a forte alta registrada na quarta-feira (13), quando o caso veio à tona pela primeira vez.

Analistas de mercado, como Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, observam que o cenário é de forte volatilidade, com investidores reagindo ao fluxo de notícias de Brasília e aos desdobramentos das investigações que envolvem figuras centrais da política nacional.

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Atualizado: 15/05/2026 11:35

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