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Pai de Vorcaro é preso pela PF por chefiar esquema de ameaças e fraudes

14 maio 2026 - 08:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo e O Globo

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Ação do STF mira organização criminosa que intimidava jornalistas, espionava adversários e ocultava mais de R$ 2 bilhões. Policiais federais suspeitos de repassar informações sigilosas também são alvos
Pai de Vorcaro é preso pela PF por chefiar esquema de ameaças e fraudes. Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira (14), o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), desarticula uma organização criminosa que utilizava coação, ataques cibernéticos e vazamento de dados sigilosos para proteger os interesses do Banco Master, além de investigar a ocultação de um rombo financeiro bilionário no mercado.

Ao todo, foram expedidos pelo ministro André Mendonça sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Justiça também determinou o afastamento de cargos públicos, além do sequestro e bloqueio de bens dos investigados, que respondem pelos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

O esquema de intimidação e espionagem
De acordo com as investigações, Henrique Vorcaro atuava como o operador financeiro de dois grupos criminosos contratados para blindar a imagem do filho e do Banco Master. O primeiro núcleo, autointitulado “A Turma” e coordenado por Marilson Roseno da Silva, era responsável por intimidações presenciais, levantamentos clandestinos e ameaças.

Interceptações da PF em março revelaram que “A Turma” discutiu “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A agressão teria sido sugerida por Daniel Vorcaro a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que, segundo a polícia, cometeu suicídio logo após ser preso em fases anteriores da operação.

O segundo grupo, identificado como “Os Meninos”, possuía foco tecnológico. Os integrantes executavam invasões a dispositivos, derrubavam perfis e reportagens negativas sobre o grupo Master e publicavam conteúdos positivos forjados.

Em seu despacho, o ministro André Mendonça destacou que mensagens extraídas de celulares comprovam que Henrique Vorcaro seguiu financiando as atividades ilícitas mesmo após o início da Operação Compliance Zero. Em um dos diálogos interceptados, Marilson Roseno cobra pagamentos, alegando estar “segurando uma manada de búfalo” e pede que Henrique não o deixe “à deriva”. O empresário promete um envio imediato de “400”, ao que Marilson retruca que o ideal seria o repasse de “800k”.

Envolvimento de policiais federais
A ofensiva desta quinta-feira também mira o envolvimento de agentes de segurança no esquema. A PF aponta que a organização infiltrou-se em circuitos de informações sensíveis do governo.

Foram alvos de mandados de prisão o policial federal da ativa Anderson Wander da Silva Lima, lotado no Rio de Janeiro, e o policial aposentado Sebastião Monteiro Júnior. Além deles, a delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada do cargo; ela e seu marido, o policial aposentado Francisco José Pereira da Silva, são investigados por acessar o sistema interno e-Pol para vazar dados sigilosos a Marilson Roseno.

A representação policial detalha que, em 2024, Marilson acionou os agentes para descobrir o conteúdo de um inquérito no qual Henrique Vorcaro havia sido intimado, comprovando o uso da estrutura estatal para interesses particulares da família.

A lista de presos na operação de hoje inclui ainda David Henrique Alves, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Manoel Mendes Rodrigues, apontado como empresário do jogo do bicho e líder de um braço do grupo no Rio de Janeiro.

Ocultação de bilhões e lavagem de dinheiro
Além das ameaças, Henrique Vorcaro é investigado pela ocultação e dilapidação do patrimônio obtido ilicitamente pelo Banco Master. A PF identificou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro escondeu R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas em uma conta de titularidade do pai, registrada na empresa CBSF DTVM (ex-Reag). A ocultação ocorreu enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobria o rombo deixado pelo banco.

As manobras financeiras incluíam o uso de outras empresas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que a Multipar, empresa da família, movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos exclusivamente entre contas ligadas a Daniel Vorcaro. Além disso, a liquidante do Master acionou a Justiça dos Estados Unidos para congelar uma mansão na Flórida, adquirida em fevereiro de 2023 por Henrique e sua filha, Natália Vorcaro, por meio da empresa Sozo, com a suspeita de uso de recursos desviados.

A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025 para investigar fraudes contra o sistema financeiro nacional, focadas na emissão de títulos de crédito sem lastro vendidos ao Banco de Brasília (BRB). O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, filho de Henrique, e seu cunhado, Fabiano Zettel, foram presos na terceira fase da operação, em março de 2026.

O que diz a defesa
Em nota oficial, a defesa de Henrique Vorcaro questionou a prisão preventiva e afirmou que buscará reverter a decisão.

“Constata-se que a decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer ainda hoje”, declarou a equipe jurídica do empresário.

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Atualizado: 14/05/2026 11:07

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