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Renda média das famílias brasileiras chega a R$ 2.264 e é recorde em 2025, aponta IBGE

08 maio 2026 - 13:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Pesquisa mostra quarto ano seguido de alta no rendimento domiciliar per capita no país. Desigualdade aumenta em relação a 2024, e 18 milhões de famílias recebem benefícios sociais
Renda média das famílias brasileiras bate recorde e chega a R$ 2.264 em 2025, aponta IBGE. Foto: Gabriel Queiroz / Getty Images Pro

O rendimento médio mensal das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025, o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor representa crescimento real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro.

Segundo o levantamento, este é o quarto ano consecutivo de aumento da renda domiciliar per capita no Brasil. O rendimento é calculado a partir da soma de todas as fontes de renda dos moradores do domicílio, dividida pelo número de pessoas da residência. Além de salários e bônus, entram na conta aposentadorias, pensões, benefícios sociais, seguro-desemprego, bolsas de estudo, aluguel, aplicações financeiras e outras fontes de rendimento.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, afirmou que o mercado de trabalho teve peso relevante no resultado. “O valor foi puxado, em boa parte, pelo rendimento do trabalho”, disse.

Segundo ele, a redução do desemprego e os reajustes do salário mínimo contribuíram para a alta observada em 2025.

Evolução da renda desde antes da pandemia
Os dados mostram recuperação e crescimento da renda após as perdas registradas durante a pandemia da covid-19. Em 2019, antes da crise sanitária, o rendimento médio domiciliar per capita era de R$ 1.904. O indicador caiu para R$ 1.820 em 2020 e para R$ 1.692 em 2021.

A partir de 2022, a trajetória voltou a ser de crescimento:

  • 2022: R$ 1.809
  • 2023: R$ 2.018
  • 2024: R$ 2.118
  • 2025: R$ 2.264

Entre 2019 e 2025, o avanço acumulado do rendimento domiciliar per capita foi de 18,9%.

Sul, Centro-Oeste e Sudeste concentram maiores rendas
O levantamento mostra diferenças significativas entre as regiões brasileiras. O Sul registrou o maior rendimento médio domiciliar per capita do país, com R$ 2.734, seguido pelo Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Já os menores valores foram observados no Nordeste, com R$ 1.470, e no Norte, com R$ 1.558.

Entre os estados e o Distrito Federal, os maiores rendimentos foram registrados em:

  • Distrito Federal: R$ 4.401
  • São Paulo: R$ 2.862
  • Rio Grande do Sul: R$ 2.772
  • Santa Catarina: R$ 2.752
  • Rio de Janeiro: R$ 2.732
  • Paraná: R$ 2.687

Na outra ponta do ranking aparecem Maranhão (R$ 1.231), Acre (R$ 1.372) e Ceará (R$ 1.379).

Trabalho responde por 75% da renda das famílias
De acordo com o IBGE, 75,1% do rendimento médio mensal domiciliar per capita em 2025 tiveram origem no trabalho. As chamadas “outras fontes” representaram 24,9% da renda das famílias brasileiras. Dentro desse grupo, aposentadorias e pensões corresponderam a 16,4% do rendimento total. Os programas sociais do governo responderam por 3,5%.

Também compõem as outras fontes:

  • aluguel e arrendamento: 2,1%;
  • outros rendimentos: 2%;
  • pensão alimentícia, doações e mesadas: 0,9%.

No Nordeste, a dependência de fontes que não vêm do trabalho é maior. Na região, apenas 67,4% da renda têm origem no trabalho, enquanto 32,6% vêm de outras fontes. Os programas sociais representam 8,8% do rendimento das famílias nordestinas, maior percentual do país. Já aposentadorias e pensões correspondem a 20,4% da renda regional.

Brasil registra maior número de pessoas com rendimento
A Pnad também mostrou que o Brasil atingiu recorde no número de pessoas com algum tipo de rendimento. Em 2025, dos 212,7 milhões de habitantes do país, 143 milhões tinham alguma fonte de renda, o equivalente a 67,2% da população. O percentual supera o recorde anterior, registrado em 2024, quando 66,3% dos brasileiros possuíam rendimento.

Entre as pessoas acima de 14 anos, consideradas em idade de trabalhar, 82% tinham algum tipo de renda.

Segundo os dados:

  • 58% recebiam rendimento do trabalho;
  • 17% recebiam aposentadorias ou pensões;
  • 11% recebiam programas sociais do governo.

O rendimento médio mensal do trabalho atingiu R$ 3.560 em 2025, alta real de 5,7% em relação ao ano anterior e maior valor da série histórica. Considerando todas as fontes de renda, o rendimento médio mensal individual ficou em R$ 3.367, avanço de 5,4% frente a 2024.

Desigualdade aumenta em relação a 2024
Apesar da alta da renda média, o IBGE apontou aumento da desigualdade em 2025 na comparação com o ano anterior. Os 10% mais ricos da população tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa, valor 13,8 vezes maior do que o rendimento dos 40% mais pobres, cuja média foi de R$ 663 mensais. Em 2024, essa diferença era de 13,2 vezes.

Segundo o IBGE, o aumento da desigualdade ocorreu porque os rendimentos dos mais ricos cresceram 8,7% em 2025, enquanto os ganhos dos 40% mais pobres avançaram 4,7%. Mesmo assim, o instituto destaca que o nível atual de desigualdade ainda está abaixo dos patamares registrados antes da pandemia.

Entre 2019 e 2025:

  • a renda dos 40% mais pobres cresceu 37,6%;
  • a dos 10% mais ricos aumentou 11,9%;
  • a renda do grupo dos 10% mais pobres subiu 78,7%, passando de R$ 150 para R$ 268 mensais.

O analista Gustavo Fontes atribuiu a redução observada nos últimos anos ao mercado de trabalho e à ampliação dos programas sociais. “Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo”, afirmou.

Índice de Gini sobe levemente
Outro indicador utilizado para medir a desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. Em 2025, o índice brasileiro ficou em 0,511, acima dos 0,504 registrados em 2024. Apesar da alta, o resultado ainda é inferior aos níveis observados antes da pandemia. Segundo o IBGE, o comportamento do indicador não representa, neste momento, uma tendência consolidada de crescimento da desigualdade.

Benefícios sociais alcançam 18 milhões de famílias
A pesquisa também apontou que 22,7% das famílias brasileiras recebiam algum benefício social do governo em 2025, o equivalente a cerca de 18 milhões de domicílios. Nos lares que recebiam Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita médio foi de R$ 774. Entre os domicílios sem o benefício, o valor médio chegou a R$ 2.682.

Já os domicílios atendidos pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas) registraram rendimento médio per capita de R$ 1.218. Considerando todos os programas sociais, federais, estaduais e municipais, os domicílios beneficiados tiveram rendimento médio per capita de R$ 886, enquanto os que não recebiam benefícios alcançaram R$ 2.787.

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Atualizado: 08/05/2026 14:09

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