política

Câmara aprova MP que prevê renovação automática de CNH para bons motoristas

07 maio 2026 - 16:40

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

Share
Medida Provisória isenta condutores sem infrações recentes da realização de exames de aptidão, mas enfrenta forte resistência de entidades médicas, que alertam para impactos na segurança viária
Câmara aprova renovação automática da CNH para bons motoristas; texto segue ao Senado. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (7), a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 1327/25, que estabelece a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). A proposta, que segue agora para a análise do Senado, isenta condutores sem multas nos últimos 12 meses da realização de novos exames de aptidão física e mental, com o objetivo de reduzir custos e modernizar o sistema de trânsito brasileiro.

A medida beneficia diretamente os integrantes do RNPC, também conhecido como cadastro positivo de condutores. Para ter direito à renovação gratuita e automática, o motorista não pode ter cometido infrações sujeitas à pontuação no período de um ano. Além da renovação, o cadastro já oferece descontos em tributos, pedágios, estacionamentos e seguros.

O texto aprovado é o parecer do senador Renan Filho (MDB-AL), relator da comissão mista criada em abril para analisar a MP, publicada originalmente pelo Poder Executivo em 10 de dezembro de 2025.

A isenção dos exames, no entanto, não é absoluta. A própria MP define que a renovação automática não se aplica a pessoas com 70 anos ou mais e a condutores que já possuem restrições médicas previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Para motoristas com 50 anos ou mais, o benefício da renovação automática será concedido apenas uma vez.

Custos fixados e liberdade de escolha
A MP 1327/25 também altera a dinâmica da prestação de serviços médicos para a obtenção e renovação da CNH naqueles casos em que a avaliação continua obrigatória. A partir das novas regras, qualquer médico ou psicólogo poderá realizar os exames de aptidão física, mental e avaliação psicológica, sem a necessidade de vínculo com os Centros de Formação de Condutores (CFCs).

Os preços desses exames passarão a seguir um valor público máximo fixado por um órgão de trânsito da União, com reajuste anual atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O texto formaliza, ainda, que a CNH poderá ser emitida em formato físico ou digital, ficando a critério exclusivo do condutor.

Para o relator da matéria, as alterações são benéficas para os motoristas. “As mudanças representam um importante avanço no processo de modernização, racionalização e redução de custos associados ao sistema brasileiro de habilitação de condutores”, afirmou Renan Filho no parecer.

Reação de entidades médicas
Apesar do avanço no Congresso Nacional, a base do projeto enfrenta oposição na área da saúde. Mais de 35 entidades médicas, lideradas pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) e incluindo o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB), divulgaram um manifesto contra a retirada da exigência do exame de aptidão.

As instituições argumentam que a capacidade para dirigir não é permanente e pode sofrer alterações ao longo do tempo devido a doenças, uso de medicamentos ou eventos clínicos que afetam a cognição, os reflexos e a capacidade motora.

“Na prática, isso significa que um condutor pode estar inapto para dirigir sem qualquer registro de infração. Problemas como diabetes, cardiopatias, epilepsia, distúrbios do sono e doenças neurológicas não aparecem em radares nem em multas, mas impactam diretamente a segurança ao volante”, destacou a Abramet em nota. As entidades defendem que os sistemas de fiscalização monitoram apenas o comportamento, enquanto a avaliação com o médico do tráfego é o único instrumento capaz de identificar riscos clínicos.

Para embasar a crítica, o setor médico apresentou dados de mortalidade viária. Apenas em 2024, o Brasil registrou 38.253 mortes no trânsito e quase 285 mil internações hospitalares. Esses sinistros geraram um custo direto de aproximadamente R$ 400 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), valor que não contabiliza despesas de longo prazo com previdência e reabilitação.

Flexibilizações recentes no trânsito
A aprovação da MP pela Câmara dos Deputados ocorre em um cenário de sucessivas alterações nas regras para motoristas. No final do ano passado, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) já havia aprovado uma resolução que determinou o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a emissão do documento. Com a decisão do Contran, o candidato passou a ter liberdade para escolher como se preparar para os exames teórico e prático, que seguem obrigatórios para a obtenção da primeira CNH.

0
0
Atualizado: 07/05/2026 16:44

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.