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Maio Amarelo: Hospitais do ES registram salto nas internações de ciclistas e pedestres feridos no trânsito

04 maio 2026 - 12:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento aponta aumento de até 51,5% nas admissões hospitalares no último ano. Apesar do avanço entre os mais vulneráveis, motociclistas ainda concentram a maioria dos traumas e óbitos no Estado
Hospitais do ES registram salto nas internações de ciclistas e pedestres feridos no trânsito. Foto: Tunaru Dorin's Images

O número de ciclistas e pedestres internados na rede pública após acidentes de trânsito no Espírito Santo apresentou um crescimento expressivo no último ano. Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), divulgados pela Secretaria da Saúde (Sesa) como parte do movimento internacional “Maio Amarelo”, as hospitalizações envolvendo usuários de bicicletas saltaram 51,5% entre 2024 e 2025, enquanto as admissões de pedestres subiram 43,4%. O balanço evidencia o impacto da violência viária no Sistema Único de Saúde (SUS) capixaba e reforça a necessidade de políticas de prevenção.

No cenário geral, o Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE), por meio da Vigilância de Acidentes de Transporte Terrestre, registrou 15.711 internações no biênio. O volume total passou de 7.407 casos em 2024 para 8.304 em 2025, configurando uma alta geral de 12,1%. Os motociclistas continuam liderando as estatísticas com ampla margem, representando 65,8% de todos os pacientes hospitalizados no período.

Rotina de traumas no atendimento de urgência
No Hospital Antonio Bezerra de Faria (HABF), em Vila Velha, referência no atendimento de Urgência e Emergência, o reflexo desses números é percebido diariamente. A unidade realiza cerca de 47 mil atendimentos por ano, sendo que até 70% da demanda é voltada para a área ortopédica, fortemente impactada pelos acidentes de trânsito.

De acordo com o médico Igor Vasconcelos, coordenador de Ortopedia do HABF, o crescimento no atendimento de ciclistas, impulsionado pelas bicicletas elétricas, tornou-se uma constante. “E com um número crescente dia após dia, acompanhando a popularização desse meio de transporte. Mas, os principais atendimentos relacionados a acidentes de trânsito ainda envolvem os motociclistas. Eles representam a maior parte dos casos”, explica o especialista.

O médico ressalta a severidade das lesões e os impactos posteriores na vida dos pacientes acidentados. “Os acidentes de trânsito podem trazer consequências sérias e duradouras para as vítimas. Entre os principais impactos, estão a incapacidade parcial ou até permanente, o afastamento do trabalho e a limitação, ou até mesmo a perda, da mobilidade. Em muitos casos, também é necessária uma reabilitação prolongada, que exige tempo e dedicação. Além disso, não se pode ignorar os impactos psicológicos e sociais, que afetam não apenas a vítima, mas toda a sua rede de apoio”, detalha.

Perfil das vítimas e letalidade no trânsito
O diagnóstico epidemiológico revela uma clara desigualdade de gênero: os homens correspondem a 77% (12.136) do total das internações ocorridas entre 2024 e 2025.

A coordenadora estadual da Vigilância do Acidente de Transporte Terrestre, Andrêssa Borel Encarnação, enfatiza o impacto econômico e social do perfil das vítimas. “Quanto à faixa etária, observa-se um impacto significativo na população em idade produtiva, com predomínio das faixas de 20 a 49 anos”, afirma.

A distribuição de idade varia conforme a condição da vítima:

  • Motociclistas: Maior concentração entre 20 e 39 anos.
  • Pedestres: Predomínio de idosos (60 anos ou mais), configurando o grupo mais suscetível a lesões graves.
  • Ciclistas: Ocorrências pulverizadas em diversas idades, com pico entre 20 e 49 anos.

A gravidade dos acidentes também se reflete no número de óbitos. Foram registradas 2.007 mortes no biênio. Desse total, 49,6% das vítimas eram motociclistas, 26,2% ocupantes de veículos automotores e 13,5% pedestres. Os ciclistas representaram 4,4% das perdas fatais.

Desafio no registro de dados
A Sesa alerta que os números oficiais representam apenas um “retrato” do problema, indicando que há subnotificação. Muitos atendimentos podem não ser categorizados corretamente com a causa básica de Acidente de Transporte Terrestre (ATT) na Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID).

“Orientamos os serviços de saúde quanto à correta classificação e qualificação dos registros. Essa orientação faz parte das ações da Vigilância Epidemiológica, com foco na melhoria da qualidade da informação, fundamental para dimensionar o problema, planejar ações de prevenção e fortalecer as políticas públicas de segurança no trânsito”, complementa Andrêssa Borel Encarnação.

Ocorrências do SAMU 192 e as vias da Região Metropolitana
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) contabilizou 22.866 chamados para acidentes de trânsito em todo o Espírito Santo entre janeiro de 2025 e março de 2026. A Região Metropolitana concentrou 55% das ocorrências, totalizando 12.547 chamados. As regiões Central/Norte e Sul registraram 6.691 (29%) e 3.628 (16%) dos atendimentos, respectivamente.

Os chamados mais frequentes ao SAMU 192 no Estado envolveram:

  • Colisão carro x moto: 6.374 ocorrências
  • Queda de motocicleta: 5.404 ocorrências
  • Colisão moto x moto: 1.517 ocorrências
  • Queda de bicicleta: 1.329 ocorrências

Com a temática “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” para a campanha do Maio Amarelo, as autoridades buscam humanizar a mobilidade urbana. “A campanha chama a sociedade para desacelerar, […] assumir a corresponsabilidade pela segurança de todos. Pois quando enxergamos o outro, evitamos riscos, criamos empatia, para assim, construirmos um trânsito mais humano, seguro e consciente”, pondera a coordenadora de Vigilância.

Balanço estatístico (2024 – 2025)

Internações por acidentes de transporte terrestre (ATT):
Pedestres: 1.239 registros em 2024 | 1.777 registros em 2025
Ciclistas: 373 registros em 2024 | 565 registros em 2025
Motociclistas: 5.080 registros em 2024 | 5.259 registros em 2025
Ocupantes de Veículo: 537 registros em 2024 | 567 registros em 2025
Outros: 178 registros em 2024 | 136 registros em 2025
Total de Internações: 7.407 em 2024 | 8.304 em 2025

Óbitos por acidentes de transporte terrestre (ATT):
Pedestres: 140 mortes em 2024 | 130 mortes em 2025
Ciclistas: 43 mortes em 2024 | 45 mortes em 2025
Motociclistas: 503 mortes em 2024 | 492 mortes em 2025
Ocupantes de Veículo: 289 mortes em 2024 | 236 mortes em 2025
Outros: 21 mortes em 2024 | 108 mortes em 2025
Total de Óbitos: 996 em 2024 | 1.011 em 2025

Municípios com maior volume de atendimentos do SAMU 192

(Período: Janeiro de 2025 a Março de 2026)

Serra (Metropolitana): 2.670 atendimentos
Vila Velha (Metropolitana): 2.404 atendimentos
Vitória (Metropolitana): 1.902 atendimentos
Cariacica (Metropolitana): 1.749 atendimentos
Cachoeiro de Itapemirim (Sul): 1.295 atendimentos
Linhares (Central/Norte): 1.238 atendimentos
Colatina (Central/Norte): 860 atendimentos
Guarapari (Metropolitana): 743 atendimentos
São Mateus (Central/Norte): 644 atendimentos
Aracruz (Metropolitana): 456 atendimentos

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Atualizado: 04/05/2026 12:44

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