Os servidores públicos municipais de Linhares decidiram por unanimidade, em Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite da última quarta-feira (8), no bairro Três Barras, iniciar uma série de mobilizações contra o reajuste salarial de 5% proposto pela prefeitura. A categoria, que reivindica um aumento de 15% e a criação de um auxílio de R$ 800, aprovou um cronograma de ações que inclui protestos nas ruas, atos em repartições e a possibilidade de deflagração de uma greve geral caso a gestão municipal não atenda às demandas financeiras.
Cronograma de mobilizações
O encontro, promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Linhares (SISPML), definiu o dia 25 de abril (sábado) como a data da primeira manifestação. A concentração está marcada para as 8h na Praça dos Correios, de onde os manifestantes caminharão pelas principais vias do centro da cidade. A orientação oficial da entidade sindical é que todos os participantes compareçam vestindo camisas pretas.
Durante o ato, os trabalhadores utilizarão cartazes confeccionados pelo SISPML com frases de protesto, como “Prefeito, a culpa é sua” e “Servidor na rua”. Além da marcha no fim de abril, a assembleia aprovou as seguintes medidas progressivas:
- Realização de um ato oficial em frente à prefeitura municipal, com convocação da imprensa local;
- Movimentos de protesto em frente às escolas da rede pública;
- Fixação de faixas pretas em repartições públicas, incluindo unidades do CRAS e escolas, simbolizando “luto” pela desvalorização profissional;
- Mobilização digital por meio do compartilhamento mútuo de manifestos dos servidores nas redes sociais.
Reivindicações e embate orçamentário
A insatisfação da categoria decorre da aprovação do projeto do Executivo pela Câmara Municipal, que fixou a correção salarial em 5%, contrariando as expectativas dos trabalhadores. O sindicato argumenta que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 prevê um expressivo aumento de receita para o município, criando margem financeira para arcar com o reajuste de 15% sem comprometer os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A entidade também acusa a atual gestão de descumprir promessas de valorização firmadas no ano anterior.
Durante a reunião, a base ressaltou o caráter coletivo do pleito. “O que sempre defendemos é o reajuste para todos os servidores, com base nas decisões coletivas da Assembleia Geral. Foi deliberado o percentual de 15% de reajuste, além de um auxílio de R$ 800. Não é justo que apenas uma parte dos servidores seja contemplada enquanto outras categorias seguem aguardando”, manifestaram os presentes.
Apesar de fixarem a meta em 15%, os servidores sinalizam disposição para negociar um patamar intermediário. “O município alega limitações orçamentárias e a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas também apresenta dados que indicam capacidade financeira. Na prática, isso demonstra que a questão é prioridade. Mesmo que não seja possível conceder os 15%, defendemos um reajuste digno — de 10% ou 12% — que realmente valorize o servidor, que já acumula perdas ao longo dos anos”, pontuaram.
Possibilidade de paralisação geral
O plano de ação aprovado pelos servidores foi desenhado para ocorrer em etapas graduais, buscando garantir que a mensagem chegue à opinião pública e à administração municipal de forma crescente. O sindicato mantém a categoria em estado de alerta e mobilização permanente.
Ficou estabelecido, de forma soberana pela assembleia, que caso não haja avanço nas negociações financeiras com a prefeitura após a execução dos três primeiros movimentos do cronograma, uma nova Assembleia Geral será convocada. Esta futura reunião terá o propósito específico de deliberar sobre a paralisação geral das atividades do funcionalismo público de Linhares.


















