cultura

O mestre da “selfie” do século XVII: Exposição internacional de Rembrandt segue em cartaz em Vitória

04 abr 2026 - 09:00

Redação Em Dia ES

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Em cartaz no Palácio Anchieta, mostra gratuita reúne 69 obras originais do mestre holandês que revolucionou o uso da luz e da sombra na história da arte
"Rembrandt – O mestre da luz e da sombra", está em cartaz no Palácio Anchieta. Foto: Rodrigo Gavini

Quem poderia imaginar que a ideia de “selfie” já existia no século XVII? Muito antes da fotografia, Rembrandt van Rijn voltou o olhar para si e transformou o próprio rosto em laboratório.

Ao longo da vida, produziu dezenas de autorretratos, um exercício contínuo de observação que hoje pode ser visto de perto em Vitória. A capital capixaba recebe 69 obras do artista holandês na mostra “Rembrandt – O mestre da luz e da sombra”, em cartaz no Palácio Anchieta até 12 de abril, com entrada gratuita.

Atravessando séculos, sua obra moldou a forma como a pintura passou a lidar com emoção, luz e presença humana. Entre os que reconheceram essa força está Vincent van Gogh, que registrou em cartas a admiração pela capacidade de Rembrandt de dar densidade psicológica às figuras.

Não se trata apenas de técnica, embora ela seja central. Ao longo da vida, o artista produziu algo entre 80 e 100 autorretratos, número incomum para a época. Usava espelhos, testava expressões, investigava o rosto como quem investiga um território. Em determinado momento, passou a assinar apenas “Rembrandt”, gesto raro no século XVII e associado a uma afirmação de identidade artística.

Foto: Rodrigo Gavini

Esse impulso também atravessa suas telas. Em algumas obras, surge discretamente entre personagens bíblicos, como se participasse da própria cena. Fora do ateliê, cultivava outra obsessão: colecionar. Reunia objetos, antiguidades e peças exóticas que, mais do que curiosidade, funcionavam como repertório visual para suas composições.

A trajetória, no entanto, não foi linear. Houve fama, encomendas e prosperidade, e houve queda. Em 1656, declarou falência e teve bens leiloados. O revés financeiro não interrompeu a produção. Pelo contrário, é nesse período que sua obra ganha ainda mais densidade. Rembrandt experimenta, revisita matrizes, tensiona limites técnicos e amplia o alcance da gravura, tratando a imagem impressa como campo de invenção.

Seus personagens também dizem muito sobre esse olhar. Em vez de se restringir à elite, volta-se para rostos comuns, idosos, trabalhadores, figuras anônimas, e os coloca no centro da cena.

Ao mesmo tempo, forma discípulos, mantém um ateliê ativo e influencia diretamente a geração seguinte. No fim da vida, já sem fortuna, é enterrado em uma sepultura simples, sem identificação preservada, um contraste silencioso com a permanência de sua obra.

Foto: Rodrigo Gavini

Mais do que retratar, Rembrandt reorganiza o modo de ver. A luz não ilumina apenas, conduz. A sombra não esconde, revela. O claro-escuro, levado a um nível radical, transforma a imagem em narrativa.

“Ao trabalhar a gravura como campo de experimentação, Rembrandt ampliou as possibilidades da imagem impressa, explorando variações de traço e composição que permitiam novas leituras de uma mesma cena”, afirma o diretor artístico da exposição, Marcelo Lages.

Para Álvaro Moura, diretor da Premium Comunicação Integrada de Marketing, responsável por trazer a mostra ao Brasil, é essa capacidade de orientar o olhar que mantém o artista atual. “Rembrandt desloca o foco da cena para a experiência de quem observa, usando luz e sombra como linguagem narrativa.”

Foto: Rodrigo Gavini

Exposição reúne 69 gravuras e aposta em experiência imersiva
A mostra apresentada no Palácio Anchieta percorre diferentes momentos da trajetória do artista a partir de 69 gravuras originais, organizadas entre o humano e o divino. Há autorretratos, cenas bíblicas e figuras anônimas, um conjunto que permite acompanhar a construção de um olhar.

A experiência não se limita à observação frontal. Lupas revelam detalhes invisíveis à distância, enquanto um ambiente imersivo amplia imagens e recria o jogo de luz e sombra característico da obra. Recursos de acessibilidade, como sala sensorial, peças táteis, audioguia, braile e Libras, ampliam o alcance da exposição.

Depois de circular por outras cidades e países, a mostra chega a Vitória reforçando a inserção da capital no circuito internacional das artes e oferecendo ao público um encontro direto com um dos nomes centrais da história da pintura.

A exposição tem patrocínio da Biancogres e do Supermercados BH, via Lei Rouanet. A realização é da Premium Comunicação Integrada de Marketing, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Serviço

  • Rembrandt – O mestre da luz e da sombra
  • Data: de 26 de fevereiro a 12 de abril
  • Local: Palácio Anchieta
  • Entrada Gratuita
  • Horário: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 16h
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