polícia

Mãe é presa no ES suspeita de vender vídeos de abuso da filha de 3 anos para piloto de SP

10 mar 2026 - 18:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

Share
Artesã de Marataízes recebia entre R$ 30 e R$ 50 por Pix para produzir o material exigido por criminoso. Investigação evitou encontro presencial no qual a criança seria entregue ao homem
Polícia prende mãe no ES suspeita de vender vídeos de abuso da filha de três anos para piloto de avião. Foto: Reprodução

Uma artesã de 29 anos foi presa na manhã desta terça-feira (10) em Marataízes, Litoral Sul do Espírito Santo, acusada de gravar e comercializar vídeos de abuso sexual da própria filha, de três anos. A prisão é um desdobramento da segunda fase da Operação Apertem os Cintos, que investiga uma rede de exploração infantil liderada pelo piloto de aviação comercial Sérgio Antonio Lopes, de 60 anos, detido no mês anterior em São Paulo.

A operação desta terça-feira foi realizada em conjunto pelos Departamentos de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPPs) da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) e da Polícia Civil de São Paulo (PCSP).

A dinâmica dos crimes e a vulnerabilidade financeira
De acordo com as investigações, as imagens da criança capixaba começaram a ser produzidas quando ela tinha apenas dois anos de idade. Os registros eram enviados ao piloto por meio de um aplicativo de mensagens. Lopes exigia que a mãe colocasse a menina em situações e posições específicas para as gravações.

A delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) do Espírito Santo, explicou que o suspeito buscava pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. A mãe recebia entre R$ 30 e R$ 50 por Pix pelos vídeos, valores que frequentemente eram utilizados para a compra de alimentos para a família.

O contato entre os dois começou em agosto do ano passado. Eles se conheceram na praia de Marataízes, onde a mulher trabalhava vendendo produtos artesanais, durante uma viagem do piloto.

Segundo a polícia, a artesã confessou que apagou os primeiros vídeos feitos quando a menina tinha dois anos, mas continuou com as gravações até os três. “O crime só cessou quando o piloto foi preso, pois não tinha mais contato entre os dois”, detalhou a delegada Luciana Peixoto, da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP de São Paulo.

Encontro presencial interceptado pela polícia
A ligação da suspeita com o piloto paulista foi descoberta após a apreensão e análise do celular de Sérgio Antonio Lopes. Por meio do aparelho eletrônico, os investigadores interceptaram conversas que revelaram os crimes em Marataízes.

As polícias civis constataram que a mãe e o piloto já planejavam um encontro presencial no Espírito Santo, ocasião em que o homem teria contato físico direto com a criança de três anos. “Existia a possibilidade de um encontro. Nós conseguimos efetuar a prisão antes do encontro ocorrer”, informou a delegada Gabriela Enne.

A mulher foi presa no quintal da residência onde mora com outros familiares. No momento da detenção, ela permaneceu em silêncio e demonstrou vergonha diante dos parentes, que afirmaram desconhecer a prática dos crimes e reagiram com choque à descoberta.

Após a prisão, a suspeita foi conduzida à sede do DHPP, em Vitória, para prestar depoimento. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), ela será encaminhada ao sistema prisional do Espírito Santo, onde aguardará decisão judicial para ser transferida a São Paulo.

O líder da rede e o histórico de exploração
A captura da mãe capixaba é consequência direta da prisão do piloto Sérgio Antonio Lopes, efetuada no dia 9 de fevereiro. A polícia localizou o suspeito dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas (SP). A estratégia de abordá-lo no avião ocorreu devido à dificuldade de encontrá-lo em sua residência, em Guararema (Grande São Paulo), por causa da rotina imprevisível de escalas de voos.

A Polícia Civil de São Paulo aponta Lopes como dono e líder de uma rede de exploração sexual e pornografia infantil que atua há mais de oito anos. Até o momento, mais de dez vítimas foram identificadas, a maioria com idades entre 12 e 13 anos, embora o celular do criminoso contenha fotos e vídeos de dezenas de outras crianças.

O modus operandi do piloto consistia em abordar mães e avós, alegando ter preferência por crianças. Para garantir a conivência das famílias, ele realizava pagamentos que variavam de R$ 30 a R$ 100, além de comprar medicamentos, aparelhos de televisão e auxiliar no pagamento de aluguéis.

Na primeira fase da Operação Apertem os Cintos, em fevereiro, duas outras mulheres foram presas em São Paulo: uma avó acusada de “vender” três netas para o piloto e outra mãe que, ciente dos abusos, enviava mídias da própria filha.

Segundo a delegada Ivalda Aleixo, de São Paulo, o piloto levava as vítimas para motéis utilizando documentos de identidade de terceiros, maiores de idade. “Quando ele tinha contato físico com essas crianças, ele as estuprava. Uma delas está toda machucada. Ele bateu nela semana passada, em um motel”, relatou a delegada na época da prisão de Lopes. Em um dos casos confirmados, a vítima sofria abusos desde os oito anos de idade.

Sérgio Antonio Lopes é casado pela segunda vez e tem filhos do primeiro casamento. A atual esposa, que é psicóloga, compareceu à delegacia no dia da prisão do marido e afirmou às autoridades não ter conhecimento dos crimes cometidos por ele. As investigações prosseguem para identificar e localizar as demais vítimas registradas no aparelho do suspeito.

0
0

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.