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Cerca de 3 milhões de meninas e meninos sofreram algum abuso nas redes

07 mar 2026 - 07:25

Redação Em Dia ES

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Abusos acontecem em apps de mensagens, redes sociais e jogos online. O número representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas desse crime
Dados indicam que vítimas de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia têm cinco vezes mais chances de se automutilar ou apresentar pensamentos suicidas, afetando tanto meninas quanto meninos. Foto: Reprodução/Freepik

Um em cada cinco brasileiros de 12 a 17 anos sofreu, em apenas um ano, algum tipo de violência sexual, facilitada pela tecnologia. O número representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas desse crime. A informação é de um estudo do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado nesta quarta-feira (4).

Foram ouvidas mais de mil crianças e adolescentes, e também mil responsáveis, em todo o país, além de profissionais do sistema de Justiça e vítimas que enfrentaram esse tipo de violência quando eram menores de idade.

Realizado entre novembro de 2024 e março do ano passado, o estudo “Enfrentando Violências no Brasil: evidências sobre exploração e abuso sexual infantil facilitadas pela tecnologia” mostra que a maior parte dos abusos acontece por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online. O Instagram e o WhatsApp aparecem como os principais ambientes usados pelos agressores.

Entre as situações mais comuns, quase metade dos casos, 49%, foi cometida por alguém conhecido da vítima. A especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, avalia que o fato de uma parte importante dos ataques partir de pessoas conhecidas se deve à relação de confiança que o agressor estabelece com a vítima.

“Pra fazer esse contato inicial, conhecer a vítima ajuda nessa conexão inicial. Pessoa acha o perfil de uma criança que conhece na rede social. Muitas vezes esse perfil é fechado, a pessoa faz o pedido pra conectar e aí começa essa interação a partir daí. Isso é algo que a gente presume, mas a gente sabe que nessas interações é muito mais provável a criança aceitar a solicitação de alguém que ela saiba quem é, do que de um estranho completo”.

O relatório apurou também que 34% das vítimas esconderam a agressão. Entre os motivos estão desconhecimento sobre onde buscar ajuda, constrangimento, vergonha e medo de não serem acreditadas.

O Unicef também chama atenção para um fenômeno recente: 3% das vítimas relataram que tiveram imagens ou vídeos sexualizados criados com inteligência artificial, usando a própria aparência.

Alguns dos efeitos são o fato de crianças e adolescentes enfrentarem culpa, altos índices de ansiedade, automutilação e até pensamentos ou tentativas de suicídio.

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