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Polícia descarta elo com Caso Araceli e diz que Dante Michelini foi morto por vingança

12 fev 2026 - 08:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Willian Manzoli, de 29 anos, detalhou como invadiu o sítio em Guarapari e executou o idoso com requintes de crueldade. Investigação encerra especulações sobre retaliação ligada à morte da menina ocorrida em 1973
Decapitado vivo: assassino confessa crime por vingança e polícia descarta elo com Caso Araceli. Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu que o assassinato de Dante de Brito Michelini, o “Dantinho”, de 76 anos, não possui qualquer conexão com o Caso Araceli, crime que marcou a história do país na década de 1970. A investigação aponta que a morte foi motivada por uma vingança pessoal do autor confesso, Willian Santos Manzoli, de 29 anos, preso nesta quarta-feira (11). O suspeito admitiu ter decapitado a vítima enquanto ela ainda estava viva dentro de seu sítio em Meaípe, Guarapari.

O corpo de Dante Michelini foi encontrado carbonizado e sem a cabeça no último dia 3 de fevereiro. Inicialmente, a hipótese de uma retaliação ligada ao Caso Araceli, no qual Dantinho foi acusado, condenado e posteriormente absolvido pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, chegou a ser cogitada pelas autoridades. No entanto, a confissão de Willian e a reconstrução da dinâmica do crime afastaram essa possibilidade.

De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, e o titular da DHPP de Guarapari, delegado Franco Malini, o crime foi solucionado e teve motivação fútil, ligada ao orgulho ferido do criminoso.

Vingança e chacota de criminosos
As investigações revelaram que Willian, natural da Bahia e residente em Guarapari desde dezembro de 2025, cometia furtos na região. Em uma ocasião anterior ao homicídio, ele invadiu a propriedade de Dantinho para dormir em um imóvel sem autorização. Ao descobrir a invasão, o idoso expulsou Willian do local, agredindo-o com um pedaço de madeira.

Após o episódio, Willian frequentou uma boca de fumo na cidade, onde passou a ser alvo de deboche por parte de traficantes e outros criminosos. Segundo a polícia, o suspeito foi ridicularizado por ter “apanhado de um idoso” e, especificamente, de um “jack”, gíria utilizada no mundo do crime para designar estupradores.

“A expressão que ele nos fala é ‘você tomou uma surra de um jack’. Ele ficou muito indignado por saber que a pessoa era um estuprador. Ele não sabia do caso Araceli, mas aquilo ficou na cabeça dele”, explicou o delegado Fabrício Dutra. A alcunha pejorativa aumentou a revolta do suspeito, que planejou o crime para se redimir perante os criminosos locais.

Dinâmica brutal
O crime ocorreu entre os dias 19 e 20 de janeiro. Willian retornou ao sítio, cortou a cerca com um alicate e invadiu a residência, encontrando Dantinho na cozinha, preparando um pão com manteiga. Houve luta corporal e o idoso foi imobilizado.

Em depoimento frio e detalhado, que segundo a polícia demonstrou “orgulho” e “uma certa glória”, Willian relatou que imobilizou a vítima com o joelho nas costas e iniciou a decapitação com o idoso ainda vivo. O perito oficial geral da Polícia Científica, Carlos Alberto Dal-cin, confirmou que a morte foi violenta, causada por arma branca.

“A putrefação é grande, mas podemos afirmar que ele sofreu muito. Teve a cabeça cortada. E ele [autor] fez coisas antes que pode se comparar a tortura”, afirmou o delegado Fabrício Dutra, citando “requintes de crueldade”.

Além da decapitação, o corpo foi carbonizado na estrutura incendiada da propriedade. O fogo foi avistado por testemunhas no dia 20 de janeiro, data compatível com a confissão do autor.

Ocultação da cabeça
Um dos mistérios do caso era o paradeiro da cabeça da vítima, que não havia sido encontrada junto ao corpo. Após a prisão, Willian indicou o local exato do descarte. Ele relatou ter levado a cabeça em uma sacola até uma região de maré no bairro Parque da Areia Preta, no centro de Guarapari.

Segundo o relato, o assassino jogou a cabeça na água, mas ela boiou. Para ocultar a prova, ele entrou na água, amarrou a cabeça a uma pedra utilizando um arame e a afundou a cerca de quatro metros de profundidade. As ferramentas do crime, uma machadinha, uma faca e um alicate, também foram descartadas no local; a machadinha foi recuperada pela polícia.

Ao ser questionado sobre o motivo de ter levado a cabeça embora, o suspeito alegou apenas que fez “porque quis”.

Investigação concluída
A polícia afirma não ter dúvidas sobre a autoria do crime. Willian forneceu detalhes que apenas o assassino poderia saber, como o local exato onde a cerca foi cortada e a disposição dos objetos na cena do crime.

Dante de Brito Michelini vivia recluso e isolado. Ele pertencia a uma família tradicional do Espírito Santo e figurou como um dos réus no processo sobre a morte da menina Araceli, em 1973. Embora tenha sido condenado em 1980, a sentença foi anulada e, após revisão do processo, ele foi absolvido por falta de provas, assim como os outros acusados.

O corpo de Dantinho permanece no Departamento Médico Legal (DML) para eventuais coletas de material genético. A família manifestou desejo de realizar a cremação. Willian Santos Manzoli, que já possuía passagem por descumprimento de medida protetiva, responderá pelo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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Atualizado: 12/02/2026 10:12

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