O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (5) que viajará a Washington, nos Estados Unidos, possivelmente na primeira semana de março, para uma reunião bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump. Em entrevista concedida ao portal UOL, o mandatário brasileiro destacou a necessidade de um diálogo presencial para discutir temas estratégicos, como exportações, indústria e a exploração de minerais críticos e terras raras, ressaltando que a soberania brasileira é o único ponto inegociável.
Durante a entrevista, Lula enfatizou a importância do encontro presencial, criticando a diplomacia conduzida apenas por plataformas digitais. “Somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. Não pode ficar conversando por Twitter. Nós temos que sentar em uma mesa, olhar um no olho do outro, ver quais os problemas que afligem ele, quais os que me afligem”, declarou o presidente.
Segundo Lula, a agenda deve focar na cooperação econômica e na resolução de conflitos, buscando identificar o que interessa a ambas as nações para “trabalhar juntos”. Ele foi categórico ao estabelecer os limites da negociação: “Não tem tema proibido para discutir, a única coisa que eu não discuto é soberania do meu país. Essa é sagrada”.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos passou por oscilações no último ano. Houve imposição de tarifas de 50% para produtos brasileiros pelo governo norte-americano, mas, no final de novembro do ano passado, os EUA anunciaram a retirada de 40% da tarifa adicional sobre determinados produtos agrícolas, incluindo café, carne bovina, frutas e petróleo.
Banco Master e investigações
Além da política externa, o presidente abordou questões internas, confirmando ter recebido Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, em uma reunião não oficial. O encontro teria ocorrido a pedido do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e contou com a presença do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Lula relatou que Vorcaro alegou estar sofrendo perseguição. O presidente garantiu que não haverá interferência política nas apurações envolvendo a instituição financeira. “O que eu disse pra ele: não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central”, afirmou.
O petista acrescentou que reuniu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tratar do combate à lavagem de dinheiro, classificando o momento como uma “chance extraordinária” de punir responsáveis por crimes financeiros, independentemente de envolvimento político ou partidário.
Citações a familiar e o INSS
Questionado sobre as investigações da Polícia Federal que apuram supostas fraudes no INSS e menções ao nome de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha), o presidente afirmou ter confrontado o filho diretamente. A investigação verifica a hipótese de Lulinha ser um “sócio oculto” em esquema de descontos ilegais. “Olhei no olho do meu filho e disse: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda'”, relatou Lula.
Cenário Internacional e STF
Sobre o conflito em Gaza, Lula criticou a proposta de um “Conselho de Paz” apresentada por Trump, a qual comparou a um projeto de “resort” em vez de reconstrução. O presidente afirmou que o Brasil tem interesse em participar do grupo, desde que haja representação palestina na mesa de negociações e o foco seja a reconstrução efetiva da infraestrutura local.
Em relação à Venezuela, Lula evitou uma defesa direta de Nicolás Maduro, afirmando que o foco principal é o fortalecimento da democracia e a melhoria de vida do povo venezuelano. Ele defendeu que os problemas do país vizinho sejam resolvidos pelos próprios venezuelanos e sugeriu a necessidade de entendimento entre os governos de Caracas e Washington.
Por fim, o presidente elogiou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela condução do julgamento sobre a trama golpista no Brasil, destacando que a Corte não cedeu “nem à pressão de Trump” para mudar de posição sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Apesar do elogio, Lula ponderou que o STF, assim como outras instituições, tem pontos a melhorar. Ele também confirmou que ainda não enviou o nome de Jorge Messias para a vaga no Supremo ao Senado, pois pretende conversar antes com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).


















