política

Boulos defende fim da escala 6×1 e afirma que trabalhador mais descansado produz mais

21 jan 2026 - 13:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Ministro da Secretaria-Geral da Presidência cita dados da FGV e exemplos internacionais para justificar mudança para jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. Proposta inclui transição para pequenas empresas
Boulos prevê fim da escala 6x1 ainda neste semestre e defende jornada de 40 horas semanal. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21) que a extinção da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) é uma prioridade do governo federal e deve resultar em aumento da produtividade econômica. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, Boulos detalhou a proposta de estabelecer uma jornada máxima de 40 horas semanais e relatou avanços nas articulações com o Congresso Nacional para que a medida seja votada ainda neste semestre.

A proposta defendida pelo Palácio do Planalto visa substituir o modelo atual por uma escala de, no máximo, 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de folga), reduzindo o teto atual de 44 horas semanais para 40 horas, sem que haja redução nos salários. Segundo o ministro, o texto está sendo desenhado para abranger todos os setores da economia como uma “questão de dignidade dos trabalhadores”.

“Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6×1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, declarou Boulos.

Produtividade e dados internacionais
Um dos pontos centrais da entrevista foi o impacto econômico da redução da jornada. Boulos refutou o argumento de que a mudança geraria prejuízos e apresentou dados para sustentar a tese de que trabalhadores mais descansados produzem melhor.

O ministro citou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em 2024 com 19 empresas brasileiras que reduziram a jornada. “Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo”, destacou.

Além do cenário nacional, foram apresentados exemplos internacionais:

  • Islândia (2023): Com a redução para 35 horas semanais (jornada 4×3), a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%.
  • Estados Unidos: Uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos resultou em aumento médio de 2% na produtividade.
  • Microsoft (Japão): A adoção da escala 4×3 elevou em 40% a produtividade individual.

“Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor”, argumentou o ministro.

Ele também enfatizou o aspecto social da medida: “Uma coisa é você trabalhar para poder viver. […] Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos. Para fazer, inclusive, um curso de profissionalização”.

Resistência empresarial e juros altos
Sobre a resistência de setores empresariais, que alegam aumento de custos operacionais, Boulos afirmou haver um “superdimensionamento” dos impactos financeiros, mas garantiu que haverá um modelo de adaptação e compensações voltado para micro e pequenas empresas.

O ministro atribuiu parte da baixa produtividade nacional à falta de investimento do setor privado em inovação e tecnologia, e criticou o atual patamar da taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano pelo Banco Central desde meados de 2025.

“Já passou da hora de reduzir essa taxa de juros, porque 15% de juros nenhum trabalhador aguenta e nenhum empresário aguenta”, disse Boulos, classificando a taxa como “escorchante”. Para ele, a redução dos juros é essencial para aliviar pequenos e médios empresários e fomentar o capital de giro.

Orçamento do povo
Além da jornada de trabalho, Boulos anunciou o lançamento, previsto para o próximo mês, do projeto “Orçamento do Povo”. A iniciativa permitirá que a população influencie diretamente a destinação de parte do Orçamento da União.

Neste primeiro ano, o projeto abrangerá cerca de 400 municípios, incluindo todas as capitais. O cidadão poderá votar em propostas específicas para sua cidade, utilizando recursos de ministérios que aderiram à iniciativa.

“Por exemplo, a Saúde já ia gastar com ambulância do Samu. Então, uma parte desse gasto vamos deixar o povo definir quais são as cidades prioritárias. Então, você vai ter, por exemplo, R$ 1 milhão para ambulância ou vai poder escolher praças com Wi-Fi”, explicou Boulos. Segundo ele, o objetivo é criar uma cultura de participação popular e combater a falta de transparência no uso do dinheiro público.

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Atualizado: 21/01/2026 13:38

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