O Espírito Santo contabilizou 12 mortes por afogamento nos primeiros 13 dias de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Observatório da Segurança Pública, vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp). O alto índice de ocorrências coincide com o início do ano, período caracterizado pelas férias escolares e pela estação do verão, o que intensifica o fluxo de pessoas em praias, rios, lagoas e piscinas.
A série histórica aponta que o estado registrou 165 afogamentos em 2023, seguidos por 155 casos em 2024 e 141 em 2025. No entanto, o ano de 2026, antes mesmo de completar sua primeira quinzena, já soma uma dúzia de óbitos.
Segundo especialistas, a combinação de maior frequência de banhistas e desconhecimento dos locais de banho potencializa os riscos. “A maioria dos casos acontece nesta época do ano, porque aumenta o fluxo de banhistas nas praias. Muitos deles são turistas que desconhecem os riscos. O consumo de bebida alcoólica também costuma ser maior, e essa mistura de álcool com ambiente aquático acaba sendo extremamente perigosa”, explicou a major Gabriela Andrade, do Corpo de Bombeiros.
Perfil das vítimas
O levantamento estatístico da Sesp detalha as faixas etárias mais atingidas, evidenciando que crianças e jovens são as principais vítimas. O grupo de 0 a 14 anos representa a maior parcela dos óbitos, com 21,2% dos casos.
Na sequência, aparecem os jovens de 15 a 24 anos (16,5%) e adultos de 35 a 44 anos (14,2%). As demais faixas etárias apresentam as seguintes incidências:
- 25 a 34 anos: 12,9%
- 45 a 54 anos: 12,9%
- 65 anos ou mais: 10,6%
- 55 a 64 anos: 8,7%
- Idade não informada: 3%
Alerta para turistas
Além dos moradores locais, os visitantes demandam atenção redobrada. O Boletim Brasil de Afogamentos, elaborado pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), coloca o Espírito Santo em segundo lugar no ranking nacional de afogamentos de turistas.
O estado concentra 13% das mortes desse tipo no Brasil, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que registra 18%. A Sobrasa reforça que o desconhecimento dos riscos locais por parte dos visitantes é um fator crítico. Em âmbito nacional, a entidade estima que 16 pessoas morrem afogadas diariamente.
Casos recentes marcam início do ano
Três ocorrências ganharam destaque no estado nas últimas duas semanas, envolvendo perfis e cenários distintos.
Na última terça-feira (13), o fisiculturista e personal trainer Leonardo Souza, de 30 anos, morreu afogado na praia de Itapuã, em Vila Velha. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele tentava realizar a travessia a nado até a Ilha Pituã acompanhado de um amigo quando se sentiu mal.
“Pode ser que ele tenha passado mal, talvez tenha tido uma cãibra ou uma congestão. A gente não sabe ao certo o motivo, mas, por algum fator, ele começou a se sentir mal, entrou em pânico e passou a se afogar. O amigo se aproximou para tentar ajudar, mas acabou sendo puxado pela vítima”, relatou a major Gabriela. Horas antes, a vítima havia compartilhado imagens de sua rotina de treinos nas redes sociais.
No interior do estado, uma tragédia envolveu uma criança. Na segunda-feira (12), Hellem Roque Fernandes, de 6 anos, morreu afogada em uma piscina durante uma confraternização de igreja em São José de Irupi, na região do Caparaó. De acordo com a Polícia Militar, a menina estava com a família quando os participantes se afastaram para uma atividade coletiva. Ao notarem a ausência de Hellem, iniciaram as buscas e a encontraram inconsciente. Foram realizadas tentativas de reanimação, sem êxito.
Já no primeiro dia do ano, um banhista de 29 anos, identificado como Lucas Cândido Nunes, faleceu na praia da Barra do Sahy, em Aracruz. A vítima sofreu um traumatismo cranioencefálico após um mergulho. Guarda-vidas retiraram o homem do mar e realizaram manobras de resgate, mas ele não resistiu.


















