Os Estados Unidos começarão “muito em breve” a tomar medidas para deter suspeitos de tráfico de drogas venezuelanos em terra, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira (27).
“Vocês provavelmente notaram que as pessoas não estão querendo fazer entregas por mar, e nós começaremos a detê-las por terra também. A terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse Trump, falando virtualmente com membros do serviço militar dos EUA.
O governo Trump está avaliando as opções relacionadas à Venezuela para combater o que tem sido retratado como o papel do presidente Nicolás Maduro no fornecimento de drogas ilegais que matam norte-americanos. Maduro negou ter qualquer ligação com o comércio ilegal de drogas.
Até o momento, as forças dos EUA na região têm se concentrado em operações antidrogas, embora o poder de fogo reunido seja muito maior do que o necessário para essas operações. As tropas dos EUA realizaram pelo menos 21 ataques a supostos barcos de drogas no Caribe e no Pacífico desde setembro, matando pelo menos 83 pessoas.
Relatos de ações iminentes proliferaram nas últimas semanas. Os militares dos EUA têm enviado forças para o Caribe em meio ao agravamento das relações com a Venezuela.
A Reuters, citando quatro autoridades norte-americanas, informou no sábado (22) que os EUA estavam prestes a lançar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.
Tensões com Caracas
Os EUA reforçaram sua presença militar no Caribe desde setembro. O país enviou oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo, que chegou à região neste mês. Segundo Washington, a operação mira apenas o combate ao narcotráfico.
Desde o início da escalada, especula-se que os EUA possam tentar tirar Maduro do poder na Venezuela por meio de ação militar, incluindo uma possível invasão por terra.
Apesar do aumento da pressão, autoridades americanas disseram ao site Axios que não há plano “neste momento” de capturar ou matar Maduro.
Uma das autoridades afirmou sob condição de anonimato que operações clandestinas conduzidas pelos EUA têm como alvo o narcotráfico, não o presidente venezuelano, mas acrescentou: “Se Maduro sair, não derramaremos uma lágrima”.
Trump disse que a classificação do Cartel de los Soles como entidade terrorista dá ao governo base legal para atacar alvos ligados a Maduro em território venezuelano. Ele afirmou que não pretende fazê-lo, mas reiterou que “todas as opções” estão sobre a mesa.
A Venezuela acusa os EUA de quererem forçar uma mudança de regime. O governo venezuelano classificou como “ridícula” a decisão de Washington de colocar o Cartel de los Soles na lista de grupos terroristas e rejeita qualquer vínculo com o esquema.


















