
Alunos da EEEM Emir de Macedo Gomes lançam o curta-metragem “De Onde Eles Vêm” na próxima terça-feira (18), às 19h30, no auditório da escola. A produção, realizada por estudantes e coordenada por professores, narra a trajetória de Kalu, interpretado por Davi Carlos, um jovem capitão de Congo orgulhoso da cultura de sua vila de pescadores. Ao chegar à escola, ele enfrenta o preconceito e as piadas que, segundo a equipe, muitos colegas vindos do interior também sofrem. A trama aborda temas como identidade, resistência e pertencimento.
Coordenado pelos professores Humberto Rocha, Sabrina Sonegheti, Marta Oliveira e Mirthes Oliveira, o projeto envolve também as turmas 3V2 MID e 2V1 MOD, além das participações especiais de Flávia Rangel, Marinês Mendes, Michele Boldrini e do grupo Congo Mirim de Regência. A trilha sonora é assinada pela banda Casaca, que autorizou o uso da canção Barquinho.
Um projeto pedagógico que atravessa a sala de aula
Segundo o professor Humberto Rocha, o curta nasceu da proposta de trabalhar temáticas multidisciplinares em sala de aula, integrando Língua Portuguesa (roteiro), Biologia (questão ambiental), Geografia (território) e o itinerário de modernização (direitos humanos). A produção também coloca em prática a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas de ensino fundamental e médio.
“O curta-metragem nasce da proposta de trabalhar temáticas em sala de aula que perpassam várias disciplinas. Assim nasceu esse curta, em que falamos de pertencimento, memória e territorialidade. Falamos da cultura do Congo, que está alinhada à cultura indígena e negra. E assim nós, professores, nos juntamos e, junto com os alunos, criamos esse projeto”, explica Rocha.
A importância de quebrar o silêncio
Com o slogan “Todo silêncio tem uma história”, o filme busca dar voz a alunos que se retraem por vergonha de suas origens. O professor relata ter presenciado estudantes de localidades como Palhal, Bebedouro, Povoação e outras regiões do interior que, por receio de piadas, preferem omitir de onde vêm.
“O principal objetivo do projeto é falar sobre direitos, sobre memória e mostrar ao aluno o pertencimento ao espaço de onde ele vem. Dentro da nossa escola, percebemos que os alunos, principalmente os que vêm do interior, têm vergonha de assumir sua verdadeira identidade. Muitos enfrentam estradas não pavimentadas, longos trajetos, e acabam sendo alvo de estereótipos”, afirma Rocha.
O professor confirma que o filme é baseado em fatos reais e mistura ficção com documentário, tendo como meta pedagógica levar os estudantes a valorizar suas raízes. “[O filme] perpassa tanto por uma história fictícia, com o personagem Kalu, quanto por depoimentos reais de alunos, que falam de seus dilemas e desafios vindos do interior, mostrando como são alvo de piadas, estereótipos e outras questões”, explica.
Protagonismo estudantil
Embora os professores tenham atuado como orientadores do roteiro, Rocha enfatiza o protagonismo dos alunos em todas as etapas da produção.
“Tudo foi feito pelos alunos: quem guia a câmera, quem coordena o equipamento de som, de captação de áudio, de edição. São alunos que participam de toda a montagem e monitoram iluminação, sonoplastia e fotografia. Cada parte do filme tem um pouquinho de cada um deles”, ressalta.
Educação, cultura e trilha sonora
O filme também é usado como ferramenta de educação antirracista e transformadora, mostrando a riqueza cultural de comunidades como Regência. “É algo maravilhoso ver isso se materializar em um filme, que servirá como material pedagógico para ser trabalhado em outras escolas do município, fortalecendo e inspirando mais alunos”, projeta o professor.
A trilha sonora, com a música Barquinho da banda Casaca, reforça o vínculo com a cultura capixaba. “A banda concedeu a música com muito carinho. Quem viveu o auge da Casaca vai reconhecer os batuques e tambores, que dão ao filme ainda mais emoção e a pegada que queremos mostrar”, comenta Rocha.
A expectativa para a estreia é alta. Os trailers divulgados nas redes sociais já somam mais de 25 mil visualizações. “A expectativa é enorme, dos alunos, então, nem se fala! A escola abraçou o projeto e toda a gestão tem investido no lançamento. Vai ser um momento muito esperado e de grande emoção”, afirma o professor.
Após a exibição, a equipe espera promover debate e reflexão. “Esperamos que seja um pós-filme de muito debate e reflexão, que faça as pessoas pensarem, porque esse é o papel da arte: transformar o que é naturalizado em questionamento, em incômodo. Se a arte não incomodar, não atinge seu objetivo. Queremos provocar reflexão, fazer as pessoas saírem de suas bolhas e valorizarem quem são, de onde vêm e sua verdadeira identidade, cultural e histórica”, conclui Rocha.
Serviço – Estreia do curta-metragem “De Onde Eles Vêm”
Quando: 18 de novembro, às 19h30
Onde: Auditório Jocival Marchiori, na EEEM Emir de Macedo Gomes, bairro Shell, Linhares
Entrada gratuita

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