agricultura

Café resistente ao frio é descoberto em pesquisa da Ufes na Região Serrana

07 nov 2025 - 14:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1

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Estudo em Venda Nova do Imigrante avalia 24 genótipos. Clones selecionados podem gerar um novo cultivar para o mercado de cafés especiais
Café resistente ao frio é descoberto em pesquisa da Ufes na Região Serrana. Foto: Getty Images

Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) testa, há cinco anos, a adaptação do café conilon a condições de frio e altitude acima de mil metros em Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana. O estudo, coordenado pelo pesquisador Fábio Partelli, avalia 24 clones da espécie, tradicionalmente cultivada em climas quentes, para identificar genótipos com alta produtividade e qualidade para o mercado de cafés especiais. A iniciativa investiga a viabilidade do cultivo em condições extremas, até então consideradas inviáveis para esta variedade de café.

A lavoura experimental está situada no distrito de Alto Caxixe, aos pés da Pedra Azul, em uma área cedida por uma propriedade particular de turismo em parceria com a universidade. Os 24 clones de café conilon utilizados no estudo foram trazidos de regiões mais quentes do estado, como São Mateus, Nova Venécia e Marilândia.

O projeto é coordenado por Fábio Partelli, pesquisador do campus da Ufes em São Mateus, no Norte do estado. O objetivo é avaliar como cada tipo reage ao frio da Região Serrana, tradicionalmente dominada pela produção de café arábica, e identificar quais podem oferecer boa produtividade sem perda na qualidade da bebida.

“Percebemos uma demanda crescente dos cafeicultores em saber quais genótipos de conilon conseguem se adaptar ao frio e à altitude. Ao longo dos anos, identificamos que alguns materiais se mostraram muito produtivos e com bebida especial”, disse Partelli.

Primeiros resultados
Segundo os pesquisadores, o estudo tem alcançado resultados considerados promissores. Foi observada uma clara diferença na adaptação entre os genótipos testados.

Pelo menos três clones apresentaram desempenho acima do esperado, registrando produtividade semelhante à do café arábica. Em contrapartida, outros três clones demonstraram baixa adaptação e praticamente não resistiram às baixas temperaturas.

“Temos materiais que se desenvolveram com folhas viçosas e boa produção, enquanto outros apresentaram folhas amareladas ou morreram. Essa diferença está relacionada à capacidade fisiológica e bioquímica de cada planta em lidar com o estresse do frio”, explicou Partelli.

A expectativa dos pesquisadores é registrar, em breve, um novo cultivar de café conilon de altitude, que será composto por cinco ou seis clones selecionados a partir deste estudo.

Análise da bebida
Além da produtividade, a pesquisa foca na qualidade final do produto. As amostras dos frutos colhidos estão sendo submetidas a avaliações que incluem processamento, torra e provas de xícara (degustação), realizadas por degustadores certificados internacionalmente.

“Não basta ser um clone produtivo. Para ser indicado, ele precisa ter bebida diferenciada, que atenda ao mercado de cafés especiais”, destacou o pesquisador Willian Gomes, doutor em melhoramento genético e parceiro do estudo.

O café conilon é historicamente procurado pela indústria para a produção de café solúível, devido à sua alta concentração de sólidos solúveis quando comparado ao arábica. No entanto, o projeto valida o potencial de mercado para um conilon diferenciado.

“Estamos numa tendência alta, as pessoas, o mundo, a Europa, os Estados Unidos, vêm procurando conilon e a gente percebeu através desses estudos que o conilon de altitude bebe diferente, tem uma bebida especial, em relação ao conilon tradicional commodity”, afirmou Roberta Aguilar, produtora e dona da propriedade que cedeu a área para a pesquisa.

Importância para a cafeicultura
O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por cerca de 70% da produção nacional. O cultivo responde por 38% do PIB agrícola capixaba, com 49 mil propriedades rurais e 286 mil hectares plantados. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produtividade média do conilon no estado deve alcançar 50,7 sacas por hectare (sc/ha) em 2025.

Embora o estudo seja conduzido no Espírito Santo, os resultados poderão beneficiar outras regiões produtores do país.

“Apesar da pesquisa estar sendo feita aqui no Espírito Santo, condições climáticas similares a essa aqui, em Minas Gerais, São Paulo, Bahia, também poderão se aproveitar e se beneficiar do estudo. Não é um estudo local, é um estudo para o Brasil. Os resultados vão ajudar a orientar os agricultores sobre quais clones são mais adaptados”, explicou Partelli.

Os dados finais da pesquisa serão apresentados em novembro, durante o Simpósio do Produtor de Conilon, evento gratuito promovido pela Ufes.

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Atualizado: 07/11/2025 19:02

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