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Maioria dos brasileiros aprova tornozeleira em Bolsonaro, aponta pesquisa

01 ago 2025 - 12:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Pesquisa revela que mesmo percentual acredita que ex-presidente pretendia fugir do país; ex-mandatário completa duas semanas sob restrições, rotina controlada e temor de ser preso
Maioria dos brasileiros aprova tornozeleira em Bolsonaro, aponta pesquisa. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A maioria dos brasileiros, 55%, aprova a imposição de medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de sair de casa à noite e aos fins de semana. É o que aponta uma pesquisa Datafolha realizada nos dias 29 e 30 de julho. O levantamento revela ainda que o mesmo percentual de 55% dos entrevistados acredita que o ex-presidente tinha a intenção de fugir do país antes de ser julgado no caso da trama golpista para se manter no poder.

Os dados, colhidos com 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 130 cidades, mostram que, entre os que aprovam as medidas determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, 44% o fazem “totalmente”. Do outro lado, 41% dos brasileiros discordam da decisão, sendo que 32% são convictos na sua desaprovação. Outros 3% não souberam opinar e 1% se declarou indiferente. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Risco de fuga e o estopim da crise
As restrições foram impostas há duas semanas, após o então presidente dos EUA, Donald Trump, justificar a imposição de uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros ao que classificou como uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes considerou que a atuação do filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, junto a aliados de Trump nos Estados Unidos, indicava um risco de fuga de Jair Bolsonaro antes do julgamento pelo STF, previsto para setembro.

A percepção de um plano de fuga é reforçada por eventos anteriores. Em 2024, após ter seu passaporte retido, o ex-presidente passou duas noites na embaixada da Hungria, país governado por seu aliado Viktor Orbán, no que foi visto como um teste para evitar uma eventual prisão. Além disso, uma operação da Polícia Federal encontrou dólares em espécie em sua residência. A pesquisa Datafolha mostra que, enquanto 55% acreditam na intenção de fuga, 36% pensam o contrário e 10% não têm opinião formada.

O retrato da divisão no país
A análise dos dados da pesquisa reflete a polarização política do Brasil. A aprovação das medidas cautelares é mais alta entre os eleitores de menor escolaridade (59%) e entre aqueles com renda de até dois salários mínimos (57%).

Grupos tradicionalmente associados ao bolsonarismo apresentam maior resistência. Entre os evangélicos, apenas 40% apoiam as restrições, enquanto 56% as desaprovam. Os homens também discordam mais das medidas (44%) em comparação com as mulheres (38%). Regionalmente, o Nordeste, base eleitoral do presidente Lula (PT), lidera a aprovação, com 63%.

Duas semanas sob cautelares
Nesta sexta-feira (1º), Jair Bolsonaro completa duas semanas sob as novas regras. Proibido de viajar, de manter contato com representações diplomáticas, de sair de casa à noite ou aos fins de semana e com restrições de manifestação em redes sociais, o ex-presidente vive um período de tensão e rotina controlada.

Aliados afirmam que Bolsonaro tem sofrido com as determinações, mas o descrevem como “resignado, mas indignado”. Há um temor constante no seu entorno de que qualquer ato seja interpretado como descumprimento, o que poderia levar a uma ordem de prisão. O próprio ex-presidente teme ser preso.

A rotina de trabalho na sede do PL, em Brasília, tem sido marcada por uma agenda de improvisos, recebendo aliados e visitantes. Até mesmo os trajetos de carro pela capital federal se tornaram um desafio, com a equipe buscando rotas que evitem a proximidade de embaixadas.

A principal estratégia dos aliados de Bolsonaro é mantê-lo ativo na cena pública para não perder capital político e reforçar a narrativa de vítima de perseguição. Contudo, os cuidados foram redobrados após uma ameaça de prisão feita por Moraes na semana passada.

Na ocasião, o ex-presidente falou de improviso na escadaria da Câmara dos Deputados e exibiu a tornozeleira eletrônica. A imagem foi amplamente divulgada, levando o ministro a pedir esclarecimentos à defesa e a ameaçar prendê-lo. Bolsonaro recuou e, desde então, tem evitado dar declarações. Aos jornalistas que o encontram na chegada e saída da sede do PL, ele se limita a dizer que, “infelizmente”, não pode falar.

Desde o episódio, suas aparições foram calculadas. No dia 24 de julho, participou de um culto em Taguatinga (DF), onde chorou durante a pregação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na última terça-feira (29), participou de uma motociata em Brasília, mas sem discursar, apenas acenando de cima de um carro de som.

Para este domingo (3), estão sendo convocados atos de apoiadores em todos os estados contra o ministro Alexandre de Moraes e em defesa do ex-presidente. Impedido de sair de casa no fim de semana, Bolsonaro não poderá participar dos eventos, nem presencialmente nem por vídeo.

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Atualizado: 01/08/2025 14:32

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