política

Casagrande critica ‘retrocesso’ em tarifas de Trump, que ameaçam economia do ES

10 jul 2025 - 11:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Medida anunciada pelo presidente Donald Trump, que entra em vigor em agosto, é classificada pelo governador como "retrocesso ideológico"; setores capixabas de aço, rochas, celulose e café preveem impactos severos
Casagrande critica 'retrocesso' em tarifa de Trump que ameaça economia do ES. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governador Renato Casagrande criticou, em postagem nas redes sociais nesta quinta-feira (10), a tarifa de 50% imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros. Para o governador, a medida representa um “retrocesso” e “atende a motivações ideológicas”. A tarifa coloca em alerta a economia do Espírito Santo, uma vez que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do estado. A medida tem início de vigência previsto para 1º de agosto e deve impactar diretamente as exportações capixabas.

Em resposta, Casagrande anunciou uma entrevista coletiva sobre o tema, marcada para as 12h desta quinta-feira (10), no Palácio Anchieta.

A taxação representa um abalo para a economia capixaba, cujo grau de abertura comercial, de 64,2% do Produto Interno Bruto (PIB), é muito superior à média nacional, de 27,5%. De janeiro a junho deste ano, o mercado norte-americano foi o destino de 33,9% de tudo o que foi exportado pelo Espírito Santo, consolidando uma liderança histórica. Produtos essenciais para a balança comercial do estado, como aço, rochas ornamentais, celulose, minério de ferro e café, estão entre os mais ameaçados.

Em manifestação nas suas redes sociais nesta quinta-feira, o governador Renato Casagrande afirmou que a medida não atende aos interesses dos povos brasileiro e americano. “As tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump ao Brasil representam um retrocesso. Como governador de um estado com relevante comércio internacional, defendo o comércio justo, o respeito entre as nações e o diálogo acima de disputas políticas. A medida atende a motivações ideológicas, não aos interesses do povo brasileiro e americano”, declarou.

Impacto iminente na economia capixaba
A decisão unilateral do governo Trump é vista por executivos locais como “quase um embargo”, dada a sua magnitude. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, de janeiro a julho deste ano, as exportações do Espírito Santo para os Estados Unidos somaram US$ 1,62 bilhão (aproximadamente R$ 9 bilhões), um crescimento de 3,95% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte dessas mercadorias, R$ 1,09 bilhão, escoou pelo Porto de Vitória.

Entre os produtos da pauta de exportação capixaba para o mercado americano, o setor de ferro e aço lidera, com 32% do total, seguido pelas rochas ornamentais, com 25%. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) classificou a tarifa de 50% como “arbitrária”.

Preocupação em setores estratégicos

Rochas ornamentais
A situação é considerada dramática para o setor de rochas naturais. O Espírito Santo concentra 80% da indústria brasileira do segmento, que movimenta anualmente R$ 15 bilhões e gera mais de 30 mil empregos. Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,26 bilhão em rochas, sendo que 56,3% (US$ 711 milhões) foram destinados aos Estados Unidos. “É algo muito violento, isso quebra a indústria de rochas. O setor depende dos Estados Unidos, vamos perder totalmente a competitividade no país onde vendemos os produtos de maior valor agregado. É uma situação muito complicada”, lamentou um empresário do ramo. A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) alertou que a medida ameaça o desempenho das empresas e compromete uma cadeia produtiva que gera cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no país.

Celulose
Outro segmento que sofrerá um forte impacto é o de celulose. No ano de 2024, o Brasil exportou US$ 1,6 bilhão do produto para os EUA, o que corresponde a cerca de 25% da produção nacional. O cenário é particularmente grave para a planta da Suzano em Aracruz (ES), uma grande fornecedora da multinacional norte-americana Kimberly-Clark. Mais da metade da celulose produzida no estado é enviada para os Estados Unidos. “É difícil até de analisar, o impacto é enorme. Não há como absorver isso e os clientes, claro, vão olhar para os concorrentes que estão em países que não estão pagando essas taxas”, analisou um executivo do setor.

Café
Para o café, principal produto do agronegócio capixaba, a taxação também gera grande preocupação. Em 2024, as exportações brasileiras do grão para o mercado americano alcançaram US$ 1,9 bilhão, com a participação do Espírito Santo estimada em cerca de US$ 270 milhões. “É um golpe muito pesado, sem dúvida, mas é impossível dar qualquer resposta, agora, sobre o que acontecerá”, afirmou um dirigente do setor, prevendo um período de forte volatilidade e especulação.

Incerteza e críticas à mistura com política
Apesar da gravidade do anúncio, empresários e executivos consultados demonstram ceticismo quanto à manutenção da alíquota de 50%. A expectativa é que haja negociação, baseada no histórico de “idas e vindas” das políticas tarifárias de Trump.

Contudo, uma preocupação central reside na natureza da disputa. “A carta mistura política e ideologia com economia. Isso é um enorme complicador, afinal, como é que os negociadores, que são técnicos, vão fazer? Não se trata apenas de uma reciprocidade de tarifas, de relação comercial, misturou com briga política. Nesses casos, quando você foge da técnica e parte para uma pressão política, a margem de negociação fica muito mais estreita”, ponderou um empresário.

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Atualizado: 10/07/2025 11:37

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