O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (29) a união de países latino-americanos durante entrevista coletiva de imprensa ao lado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“A América do Sul precisa trabalhar como bloco. Não dá pra imaginar que, sozinho, um país vai resolver os seus graves problemas que já perduram mais de 500 anos”, defendeu o presidente brasileiro.
“Se a gente estiver junto, nós temos 450 milhões de pessoas, a gente tem um PIB de quase US$ 4,5 trilhões. A gente tem força no processo de negociação e é por isso que esse momento [cúpula] é importante”, completou.
Maduro, afirmou que a reunião inaugurou uma nova era de relações entre os dois países sul-americanos, e disse esperar um diálogo direto e uma relação horizontal.
“Relações entre Brasil e Venezuela foram truncadas e revertidas de um dia para outro”, afirmou Maduro. “De repente, o Brasil fechou todas as portas e as janelas [para a Venezuela], sendo os dois países vizinhos, que se gostam como povos”.
Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) determinou a volta de todos os diplomatas brasileiros em Caracas e reconhecia o líder opositor Juan Guaidó como presidente.
Maduro disse esperar que portas brasileiras não voltem a se fechar. “Temos à nossa frente a construção de um novo mapa de cooperação, que possa abranger as áreas de relacionamento horizontal entre os povos, permitindo diálogo direto entre Brasil e Venezuela, bem como de toda a América do Sul”, declarou.
Cúpula
A partir desta terça-feira (30), chefes de Estado de países da América do Sul se reúnem em Brasília, no Palácio Itamaraty. Os presidentes de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela confirmaram presença. Um encontro desse porte não ocorre há, pelo menos, sete anos.
“O principal objetivo desse encontro é retomar o diálogo com os países sul-americanos, que ficou muito truncado nos últimos anos, e é uma prioridade do governo Lula. Temos consciência que há diferença de visão e diferenças ideológicas entre os países, mas ele [Lula] quer reativar esse diálogo a partir de denominadores comuns com os países”, explicou a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), na última sexta-feira (26).
Embora o governo brasileiro evite apontar uma proposta específica, há a expectativa de que os presidentes discutam formas mais concretas de ampliar a integração, incluindo a possibilidade de criação ou reestruturação de um mecanismo sul-americano de cooperação, que reúna todas as nações da região. Atualmente, não existe nenhum bloco com essas características.


















