Saúde

Janeiro Roxo: Brasil é o 2º país com mais casos de hanseníase no mundo; saiba identificar os sinais na pele

13 jan 2026 - 12:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Campanha alerta que o país concentra 90% dos registros nas Américas. Diagnóstico tardio causa o dobro de deformidades da média global e médicos reforçam a necessidade de exames
Brasil é o 2º país com mais casos de hanseníase no mundo; saiba identificar os sinais na pele. Foto: SMS-Mesquista/RJ

A campanha Janeiro Roxo reforça, neste mês de janeiro de 2026, a urgência do combate à hanseníase, uma doença que tem cura e tratamento eficazes, mas que mantém o Brasil em uma posição alarmante no cenário internacional. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o país é o segundo com o maior número de novos casos no mundo, atrás apenas da Índia. O Brasil concentra mais de 90% das notificações de todas as Américas e, junto com Índia e Indonésia, responde por quase 80% dos registros globais.

Enquanto o mundo observa uma tendência de queda, com 172.717 novos casos em 2024, uma redução de 5,5% em relação ao ano anterior, o Brasil notificou 22.129 novos diagnósticos no mesmo período. Houve uma discreta diminuição de 2,8% em comparação a 2023 (22.773 casos), mas os números absolutos mantêm o alerta sanitário aceso.

Causas sociais e dificuldade no diagnóstico
A persistência da doença no país está ligada a fatores multifatoriais. O infectologista Dr. Américo Calzavara Neto, aponta que a hanseníase está fortemente associada à pobreza, habitação precária, aglomeração domiciliar, baixa escolaridade e desigualdade social.

“O período de incubação longo para quem está com a doença é em média de 2 a 7 anos. Isso faz com que muitos casos atuais reflitam cadeias de transmissão estabelecidas há anos, especialmente em famílias com casos não tratados ou diagnosticados tardiamente”, explica o médico.

Outro desafio é a identificação da doença na rede de saúde. “Apesar da cobertura da Atenção Primária, ainda há subdiagnóstico devido à falta de treinamento de profissionais, rotatividade de equipes e dificuldade em reconhecer as formas iniciais, muitas vezes discretas, resultando em maior número de casos com lesões neurais avançadas”, completa Calzavara Neto.

Diagnóstico tardio dobra risco de deformidades
A demora em buscar ajuda ou identificar a doença gera consequências físicas graves. O Grau 2 de Incapacidade (G2D), indicador que mede a severidade no momento do diagnóstico, mostra que o Brasil tem uma taxa de deformidades muito acima da média. Em 2024, foram registrados 2.236 novos casos já com incapacidade grave, o que representa mais de 10% do total de diagnósticos no país, quase o dobro da média global de 5,3%.

Segundo o infectologista, esse grau de incapacidade envolve “deformidades visíveis, como úlceras tróficas, retrações, amputações, mão em garra, pé caído e cegueira”. O especialista alerta que o medo, o preconceito e a desinformação fazem com que muitas pessoas escondam as lesões ou abandonem o tratamento. Além disso, a fragmentação dos serviços em alguns municípios dificulta o acesso rápido ao diagnóstico dermatoneurológico e à medicação.

Como identificar os sinais na pele
A detecção precoce é a principal arma contra as sequelas. A dermatologista Dra. Maria de Fátima Maklouf Amorim, orienta a população a ficar atenta a mudanças na pele, que muitas vezes são discretas.

“Os sinais cutâneos mais precoces da hanseníase incluem manchas claras ou brancas, geralmente acompanhadas de dormência ou perda de sensibilidade local. É importante observar a ausência de sensibilidade, mesmo que não haja manchas visíveis. Nas áreas afetadas, pode ocorrer também ausência de pelos ou redução da sudorese”, detalha a dermatologista.

A médica ressalta que a ausência de coceira é uma característica importante a ser observada. O diagnóstico diferencial é fundamental, pois a hanseníase pode ser confundida com “pano branco” (infecção fúngica), pele seca ou outras condições. A confirmação é feita por meio de exame clínico, testes de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil), palpação de nervos e, em casos de dúvida, biópsia ou baciloscopia.

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