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Brasil abre 500 novos mercados para o agro e prevê recorde histórico nas exportações

16 dez 2025 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Gov

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Com 508 novos destinos liberados em três anos, governo projeta faturamento de US$ 345 bilhões em 2025. Setor de frutas e algodão se destaca na geração de empregos e renda
Brasil supera marca de 500 novos mercados internacionais e projeta recorde histórico nas exportações. Foto: Vitalij Sova/Canva

O setor agropecuário brasileiro atingiu uma marca inédita com a abertura de 508 novos mercados internacionais entre 2023 e 2025. O feito foi oficializado nesta segunda-feira (15), em Brasília, durante cerimônia que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor produtivo. Além da expansão comercial, o governo projeta um recorde histórico para a economia: as exportações devem alcançar US$ 345 bilhões e a corrente de comércio, US$ 629 bilhões até o fim deste ano.

O evento, que também marcou a inauguração da nova sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), serviu para reforçar o posicionamento estratégico do país. “A verdade é que a gente não tem competidor. Não existe hoje ninguém capaz de competir com a fartura de possibilidades que nós temos”, afirmou o presidente Lula, destacando a capacidade do país de gerar empregos e garantir segurança alimentar.

A abertura desses mais de 500 mercados envolveu negociações com mais de 80 países e deve gerar um impacto direto de US$ 3,4 bilhões para as empresas do setor. Segundo estimativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o potencial total de exportação desses novos destinos supera US$ 37,5 bilhões por ano.

Expansão agressiva e novos adidos
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, classificou o resultado como um “feito histórico”, ressaltando que o número de mercados abertos nos últimos três anos é mais que o dobro do registrado entre 2019 e 2022. “Coincidência não existe. O que existe é trabalho, diálogo e o Brasil abrindo portas no mundo. Em uma conta simples, trata-se de um novo mercado a cada dois dias”, explicou Fávaro.

Para sustentar esse crescimento, o Brasil ampliou sua força-tarefa diplomática, saltando de 29 para 40 adidos agrícolas que atuam diretamente no exterior, negociando com empresários locais e governos estrangeiros.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, enfatizou que o Brasil caminha para o recorde de exportações mesmo diante de um cenário global de desaceleração econômica e queda nos preços internacionais. “Não há país no mundo que tenha registrado crescimento forte e sustentável sem se abrir ao comércio exterior, sem priorizar as exportações e sem conquistar mercados”, avaliou Alckmin.

Diversidade na pauta exportadora
Embora carnes e grãos continuem sendo carros-chefe, a pauta de exportações brasileiras mostra diversificação. Atualmente, os produtos nacionais chegam a 79 destinos em todos os continentes.

O setor de frutas, por exemplo, celebrou a abertura de 20 novos mercados. “Quem ganha com isso é o Brasil, é o produtor de frutas”, disse Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas. Já o segmento de algodão, do qual o Brasil é o maior exportador mundial com 33% do mercado, foca agora em transformar a produção em valor agregado. “O verdadeiro desafio é transformar produção em mercado”, pontuou Alessandra Zanotto, presidente da Abapa.

Outro destaque é o crescimento dos “pulses” (leguminosas) e gergelim. Caroline Dassoler, da Dassoler Agronegócio, revelou que as exportações de feijões cresceram 45% e as de gergelim, 49%, em comparação a 2024. “Nossos produtos passaram a estar presentes nas mesas de países como Costa Rica, Rússia, Peru e Líbano”, detalhou.

Reconhecimento sanitário e tecnologia
A conquista do certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal neste ano, foi citada como um diferencial competitivo crucial após 72 anos de combate à doença.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou que esses resultados são fruto direto do investimento em ciência. “Nada disso seria possível se não houvesse investimentos em ciência e tecnologia. A Embrapa é essa referência, ela foi a credibilidade dos produtores rurais”, afirmou. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, complementou citando a força da agricultura familiar na exportação de produtos como café, açaí, castanha e proteína animal.

Casa nova para a ApexBrasil
A celebração dos resultados ocorreu simultaneamente à entrega da sede própria da ApexBrasil. O edifício Lotus 903, com projeto paisagístico de Burle Marx e 17 mil metros quadrados, substitui os imóveis alugados usados pela agência desde 2003. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, informou que a agência apoiou um recorde de 20.754 empresas até outubro de 2025, com foco na descentralização para o Norte e Nordeste. “Essa conquista é fruto de uma atuação articulada entre ApexBrasil, Mapa, MRE, MDIC e o setor privado”, concluiu Viana.

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Atualizado: 16/12/2025 10:25

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