A bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, recebe na próxima quinta-feira (26) as maiores honrarias dos poderes Executivo e Legislativo do Espírito Santo. O reconhecimento deve-se à sua liderança de 25 anos nas pesquisas com a polilaminina, uma substância desenvolvida para o tratamento de lesões na medula espinhal, que teve o início de seus estudos clínicos aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As cerimônias condecoram o desenvolvimento de uma tecnologia nacional que já apresenta resultados preliminares no estado.
Reconhecimento duplo no Estado
A nível do Executivo, a pesquisadora receberá a Comenda Ordem do Mérito Jerônimo Monteiro, a mais alta honraria concedida pelo Governo do Estado desde sua criação em 1972. A entrega será feita pelo governador Renato Casagrande (PSB) no Salão São Tiago, no Palácio Anchieta, às 14h. O evento ocorrerá durante a cerimônia de formatura da quinta turma dos Programas de Residência em Saúde do Instituto Capixaba de Pesquisa, Ciência e Inovação (ICEPi), ocasião em que membros da equipe de pesquisa também serão homenageados a convite do próprio governador.
O coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Espírito Santo, Mitter Mayer Volpasso Borges, destacou o pioneirismo do apoio capixaba à pesquisa. “O nosso estado foi o primeiro a abrir oficialmente as portas para apoiar essa pesquisa, estruturando, acreditando e dando respaldo institucional à ciência. Na mesma cerimônia, os membros da equipe também serão condecorados, reconhecendo que grandes avanços nunca são obra de uma só pessoa, são fruto de união, coragem e propósito”, declarou.
A nível do Legislativo, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo concederá à cientista a Comenda Ordem ao Mérito “Domingos Martins”, no grau de Comendador. A homenagem foi proposta pela deputada estadual Janete de Sá, que justificou a indicação pelo impacto humanitário do trabalho e pela abertura de caminhos concretos para tratamentos antes considerados impossíveis para a paralisia motora.
O tratamento e o impacto em pacientes capixabas
Protegida por patentes registradas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a polilaminina é um polímero proteico derivado da laminina, extraída da placenta humana. A substância atua reorganizando a matriz extracelular ao redor das lesões, o que reduz barreiras físicas, estimula a reconexão das fibras nervosas e a formação de novos vasos sanguíneos.
Atualmente, o tratamento vem sendo aplicado por meio de liminares judiciais. No Brasil, pelo menos 26 pacientes receberam a substância, sendo cinco deles no Espírito Santo. Dentre os casos capixabas, um jovem que sofreu um acidente em uma cachoeira no município de Santa Leopoldina já apresentou melhoras no quadro de lesão medular, registrando recuperação da sensibilidade e retomada de alguns movimentos nos membros superiores. O histórico nacional registra três óbitos entre os pacientes tratados, mas sem indícios de correlação com a aplicação da polilaminina.
Avanço para ensaios clínicos na Anvisa
No dia 5 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram em Brasília a aprovação da primeira fase de estudos clínicos para avaliar a segurança do medicamento no tratamento de trauma raquimedular agudo. O comitê de inovação da agência priorizou a aprovação para acelerar os testes de interesse público.
“Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle.
A tecnologia 100% nacional é desenvolvida pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália, com recursos de pesquisa básica investidos pelo Ministério da Saúde. Nesta primeira etapa, a pesquisa será realizada com cinco voluntários que apresentem lesões agudas na medula espinhal torácica (entre as vértebras T2 e T10) e indicação cirúrgica em menos de 72 horas após a lesão. A empresa patrocinadora monitorará sistematicamente todos os eventos adversos para garantir a segurança dos participantes.
“Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificando a pesquisa como um marco para os pacientes e familiares.


















