Os produtores rurais do Espírito Santo contam agora com uma plataforma digital para comprovar a regularidade socioambiental de suas propriedades. Lançada no último dia 4, a Plataforma Selo Verde-ES permite monitorar, de forma pública e gratuita, as condições ambientais dos imóveis rurais com base em dados oficiais.
O sistema cruza informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de bases nacionais e estaduais, como as do Ibama e do Idaf. Quando a propriedade está em conformidade com a legislação, é emitida uma Certidão de Regularidade Ambiental, que contém um QR Code para consulta pública. O documento pode ser apresentado a compradores nacionais e internacionais, indústrias, exportadores, cooperativas e instituições financeiras.
Quem pode solicitar
Todos os produtores com propriedade inscrita no CAR podem ser analisados pelo Selo Verde-ES. A consulta é feita diretamente na plataforma, mediante o número de inscrição do imóvel. Caso sejam identificadas irregularidades, o sistema aponta os pontos de atenção, permitindo a correção de forma mais ágil.
Entre as vantagens, estão a facilidade em exportar para mercados como a União Europeia, que exige comprovação de origem livre de desmatamento, a participação em programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e a identificação antecipada de problemas ambientais, o que ajuda a evitar penalidades e embargos.
Impactos para o mercado e o Estado
Para o setor produtivo e o Espírito Santo, a plataforma reduz riscos regulatórios, atrai investimentos sustentáveis e fortalece a imagem do agronegócio capixaba no cenário nacional e internacional.
“O Selo Verde-ES inclui mais de 121 mil imóveis rurais inscritos no CAR. Ele é prova de que o Espírito Santo está comprometido com a produção sustentável e preparado para competir nos mercados mais exigentes do mundo”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Na avaliação do diretor-geral do Idaf, Leonardo Monteiro, a ferramenta representa um avanço nas políticas de enfrentamento ao desmatamento ilegal e de incentivo ao agronegócio. “O Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) exige que os produtos sejam produzidos sem prejuízos ao meio ambiente. O Selo Verde servirá como um grande incentivo para que os agricultores tenham compromisso socioambiental para poder exportar os seus produtos”, disse.
Reconhecimento internacional
O Selo Verde-ES conta com apoio do Programa Al Invest Verde, financiado pela União Europeia. Segundo Andrea Monaco, representante da iniciativa, a ferramenta já foi desenvolvida em estados como Minas Gerais e Pará e está prevista para Acre, Tocantins e Mato Grosso do Sul.
“A ferramenta é considerada uma das mais sólidas para garantir rastreabilidade e transparência nas cadeias produtivas livres de desmatamento e já desperta o interesse de outros países da América Latina”, destacou.


















