A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) detalhou o funcionamento da TV 3.0, o novo padrão da televisão aberta brasileira que entrará em operação no mês de junho nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O sistema, que começará a funcionar a pouco mais de dois meses da Copa do Mundo de Futebol, integrará o sinal de radiodifusão à banda larga, transformando o televisor em uma plataforma de aplicativos com recursos de ultradefinição e interatividade. As informações foram apresentadas na última terça-feira (7) durante uma palestra técnica online, com o objetivo de preparar instâncias de participação social para a transição tecnológica.
Navegação por aplicativos e nova interface
Conduzida pelo pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo Moreno, a apresentação demonstrou que a TV 3.0 marca uma mudança de paradigma ao ser totalmente orientada por aplicativos e focada na experiência do usuário. “O acesso às emissoras será por meio deles, integrando de forma suave o sinal de rádio e a banda larga”, explicou o pesquisador.
A convergência dos protocolos permitirá o acesso imperceptível a conteúdos complementares sob demanda. Na prática, a marca DTV+ funcionará como o portal de entrada para o catálogo de canais. Para facilitar a navegação, os controles remotos dos novos televisores deverão possuir um botão dedicado exclusivamente à TV 3.0.
A tecnologia também introduz a segmentação geográfica com reuso de frequência. Isso significa que as emissoras terão a capacidade de entregar programações e blocos publicitários georreferenciados para locais específicos dentro de uma mesma rede. Atualmente, o projeto encontra-se na Fase 3 de Pesquisa e Desenvolvimento, passando por testes para garantir a modernização da radiodifusão no país.
Alertas geolocalizados de segurança pública
Outro diferencial apontado durante o evento é a implementação do Sistema de Alerta de Emergência. Classificada como a “espinha dorsal” da segurança pública no novo modelo, a funcionalidade permitirá que as autoridades de Defesa Civil informem a população sobre riscos de desastres naturais, como inundações ou tempestades.
Os avisos urgentes serão enviados de forma imediata e geolocalizada, com precisão por bairro ou região, diretamente na tela da televisão. O sistema foi projetado para emitir as notificações mesmo que o aparelho de TV esteja operando em modo de espera (standby).
Diálogo social e acesso à tecnologia
A apresentação virtual, transmitida via plataforma Teams, foi organizada pelo gabinete do conselheiro da Anatel, Octavio Pieranti. O público-alvo principal foram os integrantes das instâncias de participação social da Agência: o Conselho Consultivo, o Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações (CDUST) e os Conselhos de Usuários.
Durante a abertura, Pieranti ressaltou a necessidade de integração entre os órgãos. “Queremos promover o diálogo entre Conselho Consultivo, CDUST e conselhos de usuários sobre temas importantes para a Anatel, como a TV 3.0. Assim, os representantes dessas três instâncias podem contribuir com sugestões e apoiar a Agência na divulgação desses temas e nos debates públicos sobre eles”, afirmou o conselheiro.
Representando o Ministério das Comunicações, o diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização, Tawfic Awwad Júnior, avaliou a implementação do novo padrão como um marco social para o país. “É um momento de celebração. A TV 3.0 vai trazer cidadania, alertas de emergência e demais serviços fundamentais”, declarou. O diretor informou ainda que o governo federal já está em fase de estudos para definir as fontes de recursos que garantirão a distribuição de conversores do novo sinal para a população de baixa renda ao longo do ano de 2027.


















