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Capixabas estão tendo menos filhos e engravidando mais tarde, aponta estudo

08 jul 2025 - 14:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento com dados do Censo 2022 mostra mudança no perfil da maternidade no Espírito Santo. Estudo detalha diferenças por idade, cor, religião e escolaridade
Taxa de fecundidade no Espírito Santo cai e fica em 1,62 filho por mulher, aponta estudo do IJSN, Foto: Anna Subbotina

Um estudo divulgado na última quinta-feira (03) pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) confirma a tendência de queda na taxa de fecundidade no Espírito Santo, que atingiu a marca de 1,62 filho por mulher. A análise, elaborada pelo Observatório de Políticas Públicas para as Mulheres a partir de dados do Censo Demográfico de 2022, revela que tanto o índice estadual quanto o nacional (1,55) estão abaixo do nível de reposição populacional, estipulado em 2,1 filhos, patamar necessário para manter a estabilidade demográfica.

O levantamento, intitulado “IJSN no Censo – Fecundidade”, traça um panorama detalhado sobre o tema, analisando variáveis como idade, cor/raça, religião, grau de instrução e o número de filhos das mulheres no estado e no Brasil.

Segundo a coordenadora do Observatório MulherES, Letícia Furtado, os dados são essenciais para a formulação de políticas públicas. “A análise desses dados nos permite enxergar, com mais clareza, as transformações demográficas que estão em curso. Entender o perfil da fecundidade no Estado e no País é fundamental para orientar ações governamentais que garantam o bem-estar da população e o equilíbrio das próximas gerações”, declarou.

Adiamento da maternidade
Um dos principais destaques da pesquisa é o adiamento da maternidade entre as capixabas. A idade média da fecundidade no Espírito Santo subiu de 26,82 anos, em 2010, para 28,57 anos em 2022.

Essa mudança de comportamento também se reflete na redução do número médio de filhos nascidos vivos por mulheres com idade entre 50 e 59 anos. No estado, esse índice caiu de 2,9 para 2,1 no mesmo período. No cenário nacional, a queda foi de 3,0 para 2,2.

Apesar da diminuição na taxa de fecundidade, o número absoluto de mulheres com 12 anos ou mais que tiveram filhos aumentou no Espírito Santo. O total passou de 967.510 em 2010 para 1.106.928 em 2022. Em contrapartida, a fecundidade na adolescência inicial é baixa: apenas 0,08% das meninas de 12 a 14 anos no estado tiveram filhos em 2022, percentual ligeiramente inferior à média brasileira de 0,10%.

Recortes por cor/raça e religião
A análise por cor ou raça indica que mulheres pretas de 12 anos ou mais no Espírito Santo tiveram mais filhos em 2022 do que no censo anterior, de 2010. No que tange à religião, o estudo aponta que o percentual de mulheres católicas apostólicas romanas que tiveram filhos foi menor em 2022 quando comparado a 2010.

O levantamento também lança luz sobre a população indígena feminina. O número de mulheres indígenas com 12 anos ou mais que tiveram filhos nascidos vivos no Espírito Santo cresceu de forma relevante, passando de 3.031 em 2010 para 4.969 em 2022. Dentro desse grupo, a faixa etária de 40 a 44 anos se destacou em 2022, com a maioria tendo dois filhos.

Nível de instrução
Tanto entre mulheres indígenas quanto não indígenas, o estudo identificou um aumento na proporção daquelas com Ensino Superior completo em 2022, uma tendência observada tanto no Espírito Santo quanto no Brasil.

A análise mostra ainda uma grande proximidade na proporção de mulheres de 50 anos ou mais que tiveram filhos, independentemente da etnia. Em 2022, no Espírito Santo, 45,68% das mulheres indígenas nessa faixa etária tiveram filhos nascidos vivos, um número quase idêntico ao das não indígenas, que registraram 45,78%.

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Atualizado: 08/07/2025 21:51

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