economia

Trump impõe tarifas sobre importações e Brasil pode recorrer à OMC

03 abr 2025 - 09:30

Redação Em Dia ES

por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

Share
Governo brasileiro busca negociação para reverter sobretaxa de 10%, enquanto Congresso aprova lei de retaliação comercial
Trump impõe tarifas sobre importações e Brasil pode recorrer à OMC. Foto: Siwabud Veerapaisarn / avigatorphotographer's Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) a aplicação de tarifas sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil, que será impactado com uma taxa de 10%. O republicano denominou a data como o “Dia de Libertação” e justificou a medida como uma forma de garantir “reciprocidade comercial”. O governo brasileiro avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas prioriza negociação para reverter a decisão.

Em um evento na Casa Branca, Trump anunciou taxas variadas para diferentes parceiros comerciais, sendo 20% para a União Europeia, 34% para a China e 46% para o Vietnã. Segundo ele, as tarifas serão recíprocas e corresponderão a pelo menos metade das alíquotas cobradas pelos outros países sobre produtos norte-americanos, com uma taxa mínima de 10%.

No mesmo pronunciamento, o presidente norte-americano criticou administrações anteriores, especialmente a de Joe Biden, por permitirem que outros países impusessem elevadas taxas sobre produtos dos EUA. “Estão roubando e levando vantagem dos Estados Unidos”, afirmou Trump.

As tarifas também atingem o setor automotivo, com uma taxa de 25% sobre todos os veículos importados. Para os produtos brasileiros, a sobretaxa de 10% poderá impactar exportações para um dos principais mercados do país.

Lei da Reciprocidade Comercial
Ainda nesta quarta-feira (2), a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica e por unanimidade, o Projeto de Lei 2.088/2023, que permite ao governo brasileiro adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos nacionais. O texto segue para sanção presidencial.

O projeto já havia passado pelo Senado na terça-feira (1) e ganhou urgência após o anúncio do tarifaço de Trump. Durante a discussão, o Partido Liberal (PL) tentou obstruir as votações para pressionar pela anistia a condenados pelo 8 de janeiro, mas um acordo entre as bancadas resultou na aprovação do texto sem empecilhos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a decisão foi tomada em defesa do Brasil. “Nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou de direita. Existe apenas o povo brasileiro”, declarou.

A nova legislação permitirá que o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) imponha restrições a importações de países que apliquem tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo medidas de negociação antes de qualquer sanção.

Governo avalia resposta
Os Ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgaram uma nota conjunta afirmando que o Brasil está aberto ao diálogo com os Estados Unidos para tentar reverter a decisão. No entanto, informaram que todas as medidas possíveis estão sendo avaliadas, incluindo a possibilidade de recorrer à OMC.

De acordo com os ministérios, as novas tarifas impactam todas as exportações brasileiras para os EUA, que é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Os dados norte-americanos apontam um superávit comercial de US$ 28,6 bilhões em favor dos EUA no ano passado. Nos últimos 15 anos, o superávit comercial norte-americano com o Brasil superou US$ 400 bilhões.

O governo também pretende atuar junto a setores afetados para mitigar os impactos da decisão de Trump. “O governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos”, destacou a nota.

Especialistas veem oportunidade para o Brasil
O economista Adalmir Marquetti, professor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, avalia que a sobretaxação dos EUA pode representar uma oportunidade para o Brasil diversificar mercados e fortalecer negociações comerciais.

Em entrevista à TV Brasil, Marquetti defendeu a ampliação das relações com outros países, como o Japão e o Vietnã, e a urgência na aprovação do acordo Mercosul-União Europeia. “O Brasil tem um espaço para ocupar no mercado mundial, inclusive o espaço deixado pelos países que decidirem retaliar os EUA”, afirmou.

O professor alertou para a necessidade de expandir exportações de produtos de maior valor agregado, não apenas commodities. “Precisamos aproveitar essa crise mundial para melhorar nossa pauta de exportação e incluir mais produtos industriais”, concluiu.

0
0
Atualizado: 03/04/2025 09:44

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.