economia

Trabalhadores inscritos no CadÚnico sustentam geração de emprego formal no país

30 mar 2026 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Público fora da base de dados do governo registrou perda de postos de trabalho no primeiro mês de 2026. Inscritos garantiram a criação de mais de 112 mil vagas com carteira assinada no Brasil
Bancos suspendem atendimento presencial no feriadão de Páscoa. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em janeiro de 2026, os trabalhadores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) foram os responsáveis por assegurar o crescimento do emprego formal no Brasil. Enquanto a parcela da população que não integra essa base de dados registrou um saldo negativo de 146 postos de trabalho, o público do CadÚnico garantiu a abertura de 112.480 novas vagas com carteira assinada, em um cenário de menor rotatividade.

O levantamento é fruto do cruzamento de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com os registros da Secretaria de Inclusão Socioeconômica (Sisec), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Menor rotatividade e peso do Bolsa Família
Os números de janeiro revelam que o público do CadÚnico teve 790.581 admissões e 678.101 desligamentos, consolidando o saldo positivo superior a 112 mil postos. O economista e diretor do Departamento de Apoio à Inserção no Trabalho da Sisec, Saumíneo Nascimento, atribui o resultado à retenção desses profissionais.

“A diferença ocorre porque o grupo do CadÚnico conseguiu se fixar nas oportunidades de emprego e apresentou menor rotatividade”, afirmou. Nascimento acrescentou que “as informações apresentadas demonstram que as admissões do público do Cadastro Único são importantes para a redução da variável turnover nas empresas”.

Dentro do universo do CadÚnico, os beneficiários do programa Bolsa Família apresentaram um impacto significativo. O grupo registrou 332.022 admissões e 247.426 desligamentos, gerando um saldo positivo de 85.596 empregos. Isso representa 76% de todo o saldo gerado pelo público do Cadastro Único no mês. A participação dos beneficiários nas contratações gerais foi de 15,1%, mas caiu para 11,8% nos desligamentos, reforçando a estatística de estabilidade nos postos.

Tendência histórica e polos de contratação
O desempenho de janeiro reflete uma tendência observada no triênio de 2023 a 2025, período em que o mercado de trabalho formal cresceu nas 27 Unidades da Federação. Nesses três anos, o saldo geral de empregos no país foi de 4.412.352 vagas. No entanto, o saldo isolado do público do Cadastro Único chegou a 4.862.471 postos. A diferença numérica atesta que as pessoas de fora do CadÚnico se desligaram em maior volume das vagas formais ao longo dos anos.

No recorte geográfico de janeiro de 2026, a contratação de inscritos no CadÚnico concentrou-se nas regiões Sul e Sudeste. São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina responderam por 58% das admissões desse grupo. No panorama geral do Caged, o saldo de empregos foi liderado por Santa Catarina (19.000 postos), seguida por Mato Grosso (18.646), Rio Grande do Sul (18.421), Paraná (18.306) e São Paulo (16.451), que, juntas, concentraram cerca de 80% do saldo nacional no mês.

Setor de Serviços como principal empregador
O setor de Serviços foi o principal destino dos trabalhadores do Cadastro Único no primeiro mês do ano, gerando um saldo de 49.670 postos. Na sequência, aparecem a indústria (31.610) e a construção civil (21.340). O cenário difere do saldo geral do Caged, que foi puxado pela indústria (54.990 vagas), seguida pela construção (50.550) e serviços (40.520).

Para Saumíneo Nascimento, o protagonismo do setor de Serviços entre as famílias de baixa renda tem justificativa. “O maior saldo líquido de empregos no setor de serviços para pessoas oriundas do Cadastro Único sinaliza que é um setor que oferece mais oportunidades de capacitação e qualificação específicas para esse público”, avaliou o diretor.

Perfil dos contratados
A escolaridade exigida acompanhou a média nacional: o ensino médio completo predominou entre as contratações do mês. No saldo geral, foram 69.610 postos (62% do total) para esse grau de instrução, enquanto para o público do CadÚnico o número foi de 76.510 postos, equivalendo a 61% do saldo do grupo.

A faixa etária de 18 a 24 anos liderou as contratações em ambos os recortes. Jovens preencheram 69.160 postos do saldo geral (61,6%) e 49.990 postos do saldo do Cadastro Único (44,4%). O diferencial no grupo de inscritos no programa do governo foi a manutenção de um saldo positivo entre trabalhadores de idades mais avançadas. O CadÚnico registrou saldo de 14.940 empregos para pessoas de 30 a 39 anos; 13.670 postos para a faixa de 40 a 49 anos; e 7.100 vagas para trabalhadores de 50 a 59 anos.

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Atualizado: 30/03/2026 17:58

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