O mercado financeiro revisou positivamente as projeções para a economia brasileira em 2026, indicando um cenário de menor pressão inflacionária e atividade econômica mais aquecida do que o previsto anteriormente. Os dados constam no relatório Prisma Fiscal, divulgado nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. O levantamento consolida as expectativas dos principais agentes econômicos e instituições financeiras do país, com dados coletados até o quinto dia útil deste mês.
O relatório aponta uma melhora generalizada nos principais indicadores macroeconômicos, tanto para o curto prazo quanto para o fechamento do ano. As revisões abrangem desde a arrecadação federal e o resultado primário das contas públicas até a inflação oficial e a taxa de desemprego.
Inflação e custo de vida
Para o acumulado de 2026, a mediana das projeções do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) recuou. A estimativa atual é de uma inflação de 4,02%, ante os 4,17% previstos no levantamento de janeiro.
No curto prazo, o alívio também é esperado. Para o mês de fevereiro, os analistas projetam um INPC de 0,50%, uma redução em relação à expectativa anterior de 0,55%. A tendência de desaceleração se mantém para os meses seguintes, com projeções de 0,36% para março e 0,42% para abril.
Atividade econômica e emprego
A revisão das expectativas também atingiu o Produto Interno Bruto (PIB). A projeção para o PIB Nominal, a soma de todas as riquezas produzidas no país em valores correntes, subiu para R$ 13,489 trilhões para o fechamento de 2026. No levantamento anterior, a estimativa era de R$ 13,447 trilhões.
O aquecimento da economia reflete-se no mercado de trabalho. A taxa de desemprego, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, tem projeção de 5,90% para este mês de fevereiro, abaixo da previsão anterior de 5,95%. Para o mês de abril, a expectativa do mercado é que a taxa oscile para 6,00%.
A população ocupada estimada para fevereiro é de aproximadamente 102,3 milhões de pessoas.
Contas públicas
Um dos destaques do Prisma Fiscal de fevereiro é a melhora na perspectiva fiscal do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central). A projeção de déficit primário, resultado das contas antes do pagamento dos juros da dívida, foi reduzida.
- Resultado primário 2026: A mediana das expectativas aponta para um déficit de R$ 68,2 bilhões, contra uma previsão anterior de déficit de R$ 72,4 bilhões.
- Arrecadação: A estimativa de arrecadação das receitas federais para o ano subiu para R$ 3,098 trilhões.
- Dívida bruta: A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) projetada para o fim de 2026 caiu de 83,70% para 83,48% do PIB.
Para o curto prazo, a mediana das previsões indica que fevereiro deve registrar um déficit primário de R$ 34,3 bilhões , enquanto a arrecadação federal para o mês é estimada em R$ 219,5 bilhões.
Cenário para 2027
O relatório da Fazenda também traz as primeiras consolidações para o ano de 2027, desenhando um cenário de continuidade no crescimento nominal e controle inflacionário:
- PIB nominal: Projeção de R$ 14,37 trilhões.
- Inflação (INPC): Expectativa de 3,90%, indicando convergência para metas mais baixas.
- Dívida: A relação Dívida/PIB deve subir para 86,85%.
- Resultado primário: Espera-se uma redução do déficit para R$ 59,4 bilhões.
Ranking das Instituições
O Prisma Fiscal também atualizou o “Podium”, ranking das instituições que mais acertaram as previsões. Nas previsões de curto prazo para a arrecadação federal, a liderança ficou com a Capstone, seguida pelo Banco Santander Brasil e LCA Consultores. Já nas projeções de longo prazo para o resultado nominal, a instituição Moneyus ocupou o primeiro lugar.


















