economia

Jovens buscam segurança e carreira e optam por emprego com carteira assinada

15 out 2025 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento da ONG Generation revela que 84% dos ex-alunos estão em vagas formais e satisfeitos, buscando estabilidade e planejamento de longo prazo, contrariando a ideia de desinteresse pela CLT
Jovem troca a informalidade pela segurança e carreira da carteira assinada. Foto: Brenda Rocha Blossom / Getty Images

Uma pesquisa da organização internacional Generation revela que jovens brasileiros de 18 a 29 anos, que concluíram o ensino médio e não possuem formação superior, priorizam empregos com carteira assinada. O levantamento, divulgado em primeira mão à Agência Gov, mostra que 84% dos ex-alunos dos cursos profissionalizantes da ONG ocupam cargos no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e demonstram satisfação com sua colocação no mercado.

O estudo ouviu 461 ex-estudantes formados pela ONG entre 2020 e 2023. De acordo com os dados, além dos 84% em contratos de longo prazo com direitos trabalhistas garantidos, 6% estão em contratos de curto prazo ou recebendo por comissão, 4% atuam como estagiários remunerados e apenas 3% são autônomos. A busca por um emprego formal é um objetivo claro desde o início da qualificação. “Podemos dizer que 100% de quem nos procura planeja ter um emprego com direitos trabalhistas”, afirma Andrea Mitsui, principal executiva da Generation no Brasil.

Historicamente, mais de 70% dos jovens que procuram a organização estão desempregados. A pesquisa também aponta que, após a formação, 82% dos ex-alunos conseguem suprir suas necessidades materiais diárias, 58% conseguem poupar e 85% permanecem empregados após três anos.

Busca por estabilidade e carreira
O principal atrativo para os jovens, além do salário, é a possibilidade de construir uma carreira e planejar o futuro, algo que empresas mais estruturadas podem oferecer. “É a melhora na qualidade de vida dessas pessoas”, diz Andrea Mitsui. “Não só em saúde financeira dele, dela e da família, mas também em progressão de carreira”.

A experiência da Generation confirma essa tendência. “A gente vê já hoje mais de 50% dos nossos ex-alunos que se formaram há mais de dois anos crescendo na carreira, não estando mais em posições de nível de entrada, que ocupavam logo após o nosso programa”, descreve a executiva. Segundo ela, os empregos CLT são “um caminho poderoso de inclusão para o público, principalmente pensando nos mais vulnerabilizados”.

A métrica de qualidade de emprego usada pela ONG considera um salário digno cerca de 40% superior ao salário mínimo, com base na referência do WageIndicator.

Cenário nacional confirma tendência
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reforçam essa movimentação. A indústria criou 405.493 novos postos de trabalho entre janeiro e setembro deste ano, sendo 57,4% dessas vagas ocupadas por jovens de 18 a 24 anos.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destaca que o jovem busca mais do que apenas uma vaga. “O jovem quer respeito. Não quer um ambiente insalubre, não quer um ambiente que tenha assédio contra ele ou discriminação. E o jovem quer boa remuneração”, afirma.

Marinho também ressalta a predominância juvenil na criação de vagas formais. “De 4 milhões e 600 mil empregos formais gerados nesses dois anos e pouco do presidente Lula, 80% dessas vagas foram preenchidas pela juventude de até 24 anos de idade”, aponta o ministro com base nos dados do Caged.

Fim do mito da CLT ultrapassada
A ideia de que a CLT é um modelo ultrapassado é vista como um equívoco. Segundo Andrea Mitsui, as novas gerações buscam mais flexibilidade e autonomia, e o mercado de trabalho tem evoluído para atender a essa demanda dentro do regime formal.

“As empresas hoje em dia estão ficando cada vez mais inteligentes e espertas no que oferecer para os colaboradores”, completa. Para ela, a chave dessa mudança é a elaboração de planos de carreira sólidos, que oferecem uma perspectiva de crescimento a longo prazo, algo que contratos temporários ou de pessoa jurídica (PJ) não proporcionam. “Para esses jovens, ter um lugar que pensa você como colaborador, que pensa no próximo passo, nas próximas promoções, é super-chave para o crescimento de longo prazo”.

A visão de futuro e a Previdência
O ministro Luiz Marinho, que tem origem no movimento sindical, defende que a carteira assinada é um projeto de futuro. “A CLT dá esta garantia, que o jovem vai somando no tempo: décimo terceiro, férias e a Previdência Social, que, lá na frente, vai fazer uma grande diferença na sua vida”, comenta. “O que não diz para você é que na informalidade você não tem direito a nada disso”.

Ele também menciona que a organização dos trabalhadores em torno dos direitos da CLT pode levar a avanços, como a discussão sobre o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso (6×1) e a redução geral da jornada.

Para ilustrar a transição do trabalho autônomo para o formal, a ONG cita uma experiência com motoentregadores. Após um curso de formação em vendas, um grupo foi contratado por uma multinacional de bebidas, com salário mínimo mais comissão. “Deu super certo, porque eles entram nesses empregos que, antes, as empresas tinham muita dificuldade de preencher […] e consegue ter, daí, uma oportunidade de carreira mais bem definida, com mais oportunidades e mais benefícios”, finaliza Andrea Mitsui.

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