O Espírito Santo deve receber um volume total de R$ 104,3 bilhões em investimentos até o ano de 2031. O montante está distribuído em mais de 240 projetos mapeados pelo Estado, conforme dados da Bússola do Investimento, elaborada pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES). A atividade industrial concentra a maior parte dos recursos produtivos previstos, respondendo por quase 60% do total a ser investido em território capixaba.
Segundo a análise, a atração de capitais nacionais e internacionais é favorecida pela localização geográfica e pelo ambiente de negócios local. O presidente da FINDES, Paulo Baraona, destaca a posição logística do Estado em relação aos grandes centros consumidores.
“Apesar de sermos um Estado pequeno em território e população, ocupamos uma posição estratégica para o país. Temos uma localização privilegiada, em um raio de 1.200 quilômetros de 52% da população e 63% do PIB brasileiro. Esse fator, aliado a um ambiente institucional sólido, tem tornado o Espírito Santo cada vez mais atrativo para projetos de investimento nos mais diversos segmentos econômicos”, afirma Baraona.
Setores em destaque
Para os próximos cinco anos, a previsão é que a indústria receba ao menos R$ 61 bilhões. Carolina Ferreira, gerente de Estudos Estratégicos do Observatório FINDES, explica que os principais aportes estão direcionados aos segmentos de extração de petróleo e gás natural, metalurgia, extração de minerais metálicos, infraestrutura e logística, além da fabricação de produtos alimentícios e de máquinas e equipamentos elétricos.
O setor de Petróleo e Gás apresenta o maior volume individual, somando R$ 43,7 bilhões, o que equivale a 41,9% de todo o investimento previsto até 2030.
“Entre os projetos de maior relevância estão a implantação de um laminador de tiras a frio e de uma linha de revestimento contínuo na planta da ArcelorMittal Tubarão, na Serra, com investimento de R$ 3,8 bilhões. As obras estão previstas para começar neste ano, com conclusão estimada para 2029”, pontua Carolina Ferreira.
Além dos projetos tradicionais, o Estado aguarda a instalação de uma fábrica de veículos da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM). A previsão é que a unidade seja implantada em Aracruz, na área do ParkLog. O acordo para a vinda da empresa foi formalizado durante uma missão oficial do Governo do Estado à China, com a participação do vice-governador Ricardo Ferraço e do fundador da GWM, Jack Wei.
Infraestrutura e municípios
Além da indústria, o setor de infraestrutura projeta R$ 39,5 bilhões em investimentos. A maior fatia deste valor destina-se às rodovias (R$ 16,9 bilhões), seguidas por saneamento (R$ 8,1 bilhões), energia e gás (R$ 7,3 bilhões), portos (R$ 6,5 bilhões) e aeroportos (R$ 76,5 milhões).
Geograficamente, os investimentos se concentram em polos específicos. O município da Serra lidera o ranking, com previsão de R$ 11,4 bilhões, seguido por Presidente Kennedy (R$ 9,8 bilhões) e Anchieta (R$ 6,2 bilhões). Somados aos aportes em Aracruz, Vitória, Cariacica, Itapemirim, Piúma, Vila Velha, Marataízes e Linhares, esses municípios representam 50% do total de investimentos no Estado.
Para o presidente da FINDES, o impacto econômico ultrapassa os valores nominais. “Quando a indústria cresce, o desenvolvimento acontece. Mais do que um motor econômico, a indústria é um instrumento de inclusão social, geração de empregos de qualidade e criação de oportunidades para toda a cadeia produtiva, ao ampliar a demanda por fornecedores de diferentes setores”, conclui Baraona.
Maiores projetos industriais previstos:
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- Petrobras: Plano de Investimento incluindo o Projeto Integrado do Parque das Baleias (IPB) e instalação da plataforma FPSO Maria Quitéria (R$ 35,0 bilhões).
- Prio: Desenvolvimento do projeto Wahoo (R$ 4,9 bilhões).
- BW Offshore: Exploração de petróleo nos campos Camarupim e Golfinho (R$ 4 bilhões).
- ArcelorMittal: Laminador de tiras a frio e linha de revestimento contínua (R$ 3,8 bilhões) e Termo de Compromisso Ambiental (R$ 1,9 bilhão).
- Samarco: Retomada operacional (R$ 3,5 bilhões).
- Imetame: Construção do Imetame Porto Aracruz (R$ 3,0 bilhões).
- Porto Central: Construção da FASE 1 (R$ 2,6 bilhões).
- Vale: Implantação de duas usinas de briquetes verdes (R$ 1,9 bilhão).
- Grupo Simec: Ampliação e modernização do parque fabril (R$ 1,5 bilhão).
- Nestlé: Modernização da fábrica Chocolates Garoto, em Vila Velha (R$ 1,08 bilhão).
- ES Gás: Plano de expansão da rede de gás (R$ 1 bilhão).
Investimentos por setor industrial:
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- Extração de petróleo e gás natural: R$ 43,7 bilhões
- Metalurgia: R$ 7,4 bilhões
- Extração de minerais metálicos: R$ 5,3 bilhões
- Fabricação de produtos alimentícios: R$ 1,7 bilhão
- Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos: R$ 1,0 bilhão


















