economia

Emprego feminino cresce no ES, mas estado tem a maior desigualdade salarial do Brasil

27 abr 2026 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

Share
Relatório ponta que brasileiras recebem 21,3% a menos que homens. Apesar do salto na contratação de trabalhadoras negras, estado capixaba concentra a maior diferença de remuneração do Brasil
Emprego feminino cresce no país, mas desigualdade salarial aumenta e Espírito Santo lidera disparidade. Foto: Victor Caiano/Divulgação

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um aumento de 11% na participação feminina em 2025, impulsionado por um crescimento de 29% nas contratações de mulheres negras. Contudo, o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres, revela que a desigualdade de renda persiste no país: as trabalhadoras recebem, em média, 21,3% a menos que os homens. No recorte regional, o Espírito Santo apresenta o maior índice de disparidade salarial do Brasil, embora seja destaque na adoção de políticas afirmativas corporativas.

O documento governamental tem como base os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e abrange 53,5 mil estabelecimentos da iniciativa privada com 100 ou mais empregados. Entre 2023 e 2025, o número dessas grandes empresas cresceu 5,5%, e o total de empregos nessas companhias subiu 7%, passando de 18 milhões para 19,3 milhões de trabalhadores.

O cenário capixaba
Apesar do aquecimento da economia nacional, persistem fortes diferenças regionais. O Espírito Santo foi apontado pelo levantamento como o estado com a maior desigualdade salarial do país (70,7%), seguido por Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%). Em contrapartida, os estados com a menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%) e Distrito Federal (91,2%).

Por outro lado, as empresas capixabas se destacam no ranking nacional de inclusão e ações afirmativas. O Espírito Santo lidera as políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+ (presentes em 24,6% dos estabelecimentos) e, ao lado de Minas Gerais, ocupa o primeiro lugar em políticas de contratação de mulheres vítimas de violência doméstica (11,6%).

Avanço histórico para trabalhadoras negras
Um dos principais destaques do levantamento é a ampliação das oportunidades para mulheres pretas e pardas. O número de trabalhadoras desse grupo ocupadas nas grandes empresas saltou de 3,2 milhões em 2023 para 4,2 milhões em 2025. Esse acréscimo de 1 milhão de vagas representa um crescimento de 29%.

Considerando o total de mulheres no mercado formal de grandes empresas, o contingente passou de 7,2 milhões para 8 milhões no mesmo período, o que representa a adição de 800 mil novos postos de trabalho feminino.

A matemática da desigualdade
Apesar do maior número de carteiras assinadas, a diferença salarial aumentou. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% menos que os homens; em 2025, a defasagem atingiu 21,3%.

  • Salário médio nacional (geral): R$ 4.594,89
  • Salário contratual mediano (geral): R$ 2.295,36
  • Diferença no salário mediano de contratação: Subiu de 13,7% (2023) para 14,3% (2025).

A discrepância é influenciada pelo porte das corporações. Nas empresas com até 250 funcionários, a remuneração de admissão feminina alcança 90% de equivalência em relação à masculina. Já nas corporações maiores, onde os salários absolutos são mais elevados, a distância remuneratória se torna mais acentuada.

A participação das mulheres na massa de rendimentos total passou de 33,7% para 35,2%. Contudo, as mulheres representam 41,4% do total de empregados. Segundo a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE, para que a massa de rendimentos se equiparasse à presença feminina no emprego, seria necessário injetar R$ 95,5 bilhões anuais nos contracheques das trabalhadoras.

O que dizem os ministros
A divulgação do relatório, que integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023 (Lei da Transparência Salarial), reuniu representantes do primeiro escalão do governo federal para analisar os resultados.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o debate vai além dos vencimentos numéricos:

“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos. […] As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista”.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, endossou a fala, apontando a necessidade de evolução nos planos de carreira:

“Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”.

Já a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, focou na realidade das trabalhadoras pretas e pardas:

“Esse relatório é um instrumento muito importante para todos nós que buscamos promover igualdade de gênero, igualdade de raça […] e garantir que mulheres tenham melhores salários, que mulheres negras, que ainda seguem sendo aquelas que recebem os piores salários, recebam de acordo com o trabalho que exercem. Esse instrumento ajuda muito a gente a avançar, a mostrar o quanto que nós precisamos caminhar”.

Ascensão e liderança
O relatório também documentou progressos nas políticas internas da iniciativa privada. O número de estabelecimentos com mulheres ocupando cargos de gerência e direção em proporção suficiente para o cálculo de paridade salarial cresceu 12%, totalizando 13,7 mil empresas. Foram registrados avanços em benefícios como flexibilização de jornada, auxílio-creche e licenças parentais estendidas.

No panorama nacional de incentivos específicos, além dos destaques já citados do Espírito Santo e Minas Gerais, Rondônia lidera a contratação de mulheres com deficiência (27,1% das empresas), enquanto o Pará detém o maior percentual de estabelecimentos focados na contratação de mulheres negras (24,8%).

0
0
Atualizado: 27/04/2026 17:31

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.