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Empreendedores negros lideram mais da metade dos negócios no ES

02 ago 2025 - 09:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Estudo revela que mais de 336 mil pessoas negras comandam seus próprios empreendimentos no estado, consolidando uma tendência de crescimento da última década e impulsionando a economia local apesar de desafios como a informalidade
Empreendedorismo negro avança e já representa mais da metade dos negócios no ES. Foto: Getty Images Signature

O Espírito Santo acompanha uma tendência nacional de fortalecimento do empreendedorismo negro, com 55,69% dos negócios locais sendo liderados por pessoas pretas. Os dados, referentes a janeiro deste ano e extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostram que dos aproximadamente 604.500 empreendedores no estado, mais de 336.600 são negros. Este cenário evidencia ainda que 16,2% de toda a população negra capixaba é dona do próprio negócio.

O perfil predominante desses empreendedores é composto por homens na faixa etária de 45 a 49 anos, com ensino médio completo ou incompleto. A análise, que reflete uma movimentação econômica concentrada, aponta que as regiões Sudeste e Nordeste do país abrigam mais de 70% dos negros donos de negócios. Especificamente no Sudeste, a proporção desses empreendedores saltou de 29,9% no quarto trimestre de 2012 para 38,3% no mesmo período de 2024.

Crescimento histórico
A consolidação do protagonismo negro na economia capixaba é resultado de um avanço consistente na última década. Um relatório elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Pnad Contínua do IBGE divulgado no final de 2023, apontou que a participação de empreendedores negros no Espírito Santo era de 50,4% em 2012.

“Esses dados representam uma consolidação importante, resultado de um crescimento consistente ao longo da última década”, declara Juliana Castro, gestora do Programa Plural do Sebrae/ES.

O estudo indica que a maioria desses empreendedores atua por conta própria, modelo que predomina no segmento. Contudo, uma parcela relevante já assume a posição de empregador, o que demonstra o potencial de geração de emprego e renda. Ao longo dos anos, os homens continuam sendo a maioria entre os donos de negócios.

Desafios e conquistas
Apesar do crescimento, o caminho do empreendedorismo negro ainda é marcado por desafios significativos, principalmente no que diz respeito à formalização e ao acesso à educação. Dados da Pnad Contínua do final de 2023 mostram que apenas 25,9% dos empreendedores negros no estado possuíam CNPJ. Além disso, as barreiras educacionais persistem, com uma presença expressiva de pessoas com, no máximo, o ensino fundamental.

Em contrapartida, um avanço notável foi observado entre as mulheres negras empreendedoras, que em grande parte já possuem o ensino médio completo, um índice que cresceu de forma expressiva na última década.

“A população negra enfrenta desafios históricos no acesso a oportunidades, mas segue transformando realidades com força e criatividade. O empreendedorismo tem sido um caminho de autonomia e de geração de renda, especialmente entre mulheres negras, que representam uma grande força empreendedora do país. Apesar das barreiras, negras e negros seguem inovando, liderando negócios e fortalecendo a economia com protagonismo e resiliência”, pontua Juliana Castro.

Resiliência, ancestralidade e coragem
A trajetória de Dilma Silva, de 55 anos, ilustra a força do empreendedorismo negro no estado. Carioca, ela chegou ao Espírito Santo há 15 anos em busca de um recomeço. “Estava saindo de um casamento e me encorajando a ser mãe solo dos meus filhos Lucas e Lara”, conta.

Nesse percurso, Dilma enfrentou obstáculos comuns a muitas mulheres, especialmente as pretas. “Preconceito e desvalorização foram algumas, mas a minha determinação, aliada à minha fé, à necessidade financeira e a uma rede de apoio verdadeira que esteve comigo ao longo do caminho me fizeram alcançar um sonho”, lembra.

Hoje, ela é proprietária da Bem Afro (@bem.afro), uma marca de acessórios e moda afro criada em 2020, durante a pandemia de covid-19. O empreendimento, segundo ela, materializa sua história de resistência, ancestralidade e coragem. “Criamos a Bem Afro porque sentimos falta da nossa representatividade ancestral. Ela nasceu para resistir com várias outras mulheres guerreiras e fortes”, explica.

Junto com sua filha Lara, Dilma produz mochilas, bolsas, turbantes, brincos e outros itens, comercializados online e em feiras locais. Ela também participa ativamente de iniciativas da Economia Solidária do ES, um conjunto de atividades econômicas que visa a geração de renda e a inclusão social, reforçando o movimento que impulsiona a economia capixaba.

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