agricultura

Safra capixaba dispara, bate recorde de valor e impulsiona renda no campo

12 set 2025 - 13:25

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados preliminares do IBGE apontam que a valorização de produtos no mercado internacional impulsionou a renda no campo. Valor da produção da pimenta-do-reino mais que dobrou, enquanto o do cacau quase triplicou no estado
Safra capixaba explode em valor e atinge R$ 16,7 bilhões só com o café em 2024. Foto: Getty Images Signature

A agricultura do Espírito Santo registrou um crescimento expressivo no valor de sua produção em 2024, impulsionado principalmente pela valorização do café, da pimenta-do-reino e do cacau no mercado internacional. Dados preliminares da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que apenas a produção de café gerou R$ 16,7 bilhões, um salto de 76,8% em comparação com o ano anterior, consolidando a força econômica do setor para o estado.

Uma análise da Gerência de Dados e Análises da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) sobre os dados da PAM de 2024 em relação a 2023 detalha o dinamismo e a diversificação da produção agrícola capixaba.

“Os dados expressam a força da agricultura capixaba. O café e pimenta-do-reino aumentaram a renda rural em 76,8% e 116,6% respectivamente, e seguem projetando o Espírito Santo no Brasil e no mundo. Esse resultado é fruto do trabalho incansável dos produtores e também do compromisso do Governo do Estado em apoiar o campo com políticas públicas, crédito rural, pesquisa aplicada e assistência técnica. Vamos continuar fortalecendo o agronegócio capixaba com boas práticas e boas políticas”, afirmou o secretário Enio Bergoli.

Café lidera o crescimento
Principal produto agrícola do estado, o café apresentou um aumento de 7,4% na produção total, alcançando 881,6 mil toneladas em 2024. A produtividade média também cresceu 5,2%. O maior impacto, no entanto, foi financeiro: o valor da produção saltou para R$ 16,7 bilhões, um crescimento de 76,8% em relação a 2023, resultado direto da valorização dos preços internacionais.

O café conilon (canephora), que constitui a maior parte da produção estadual, teve uma variação positiva de 0,9% em seu volume, mas o valor gerado aumentou 71,6%. Já o café arábica se destacou com um avanço de 32,5% na produção e de 93,5% no valor, refletindo tanto o aumento da produtividade quanto os preços favoráveis.

Pimenta-do-reino e cacau valorizados
O Espírito Santo, líder nacional na produção de pimenta-do-reino, teve uma leve redução de 5,4% no volume colhido. Contudo, o valor da produção mais que dobrou, com um crescimento de 116%, atingindo R$ 2,2 bilhões, impulsionado pela demanda do mercado externo.

O cacau seguiu a mesma tendência. Com uma produção estável, o valor gerado pela amêndoa quase triplicou, registrando uma alta de 193%, reflexo de uma valorização histórica do produto no mercado mundial.

“A PAM 2024 confirma que o Espírito Santo vive um ciclo de valorização agrícola sem precedentes”, pontuou o gerente de dados e análises da Seag, Danieltom Vandermas. “Outro dado emblemático é a pimenta-do-reino: mesmo com queda de 5% no volume, o valor produzido mais que dobrou, refletindo a força do mercado externo. Esses números mostram que o Espírito Santo está inserido em cadeias globais altamente sensíveis a preços, onde eficiência, tecnologia e inteligência de mercado fazem toda a diferença”.

Cenário das frutas e outras culturas
O desempenho entre as frutas tropicais foi variado. O mamão, importante para as exportações capixabas, teve sua produção aumentada em 13%, mas o valor caiu 27% devido à redução dos preços. O abacate, por sua vez, registrou expansão comercial, com aumento de 14% no volume e de 101% no valor. O abacaxi apresentou alta de 16% no valor, com estabilidade na área plantada, enquanto a banana, uma das frutas mais cultivadas no estado, teve crescimento de 3,5% na produção e de 10% no valor.

Entre outras culturas, a cebola registrou um salto de 87% no valor da produção. Em contrapartida, mandioca e milho tiveram recuo em área, volume e valor. A soja, com pouca representatividade no estado, apresentou uma redução de quase 50% em área e 60% em produção.

Produção de grãos também avança
Paralelamente, o 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indica que o Espírito Santo deve ampliar em 4,1% sua produção de grãos na safra 2024/2025, totalizando 71,3 mil toneladas. O avanço se deve ao aumento de 5,7% na produtividade, que passou de 2,6 mil quilos por hectare para 2,8 mil quilos por hectare, compensando uma leve redução na área plantada.

O milho, grão mais produzido no estado, saltou de 59 mil para 62 mil toneladas, um crescimento de 5%. A produção de feijão, por sua vez, atingiu 9 mil toneladas na safra atual.

Em âmbito nacional, a Conab estima uma safra recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2024/25, uma alta de 16,3% sobre a temporada anterior. O presidente da companhia, Edegar Pretto, destacou o alcance inédito da produção e o retorno dos estoques públicos. Os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, relacionaram os bons resultados à estabilidade de preços internos e ao fortalecimento da segurança alimentar no país.

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Atualizado: 12/09/2025 14:56

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