agricultura

Incaper desenvolve novas sementes de inhame para aumentar renda de produtores no ES

21 jan 2026 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Com apoio do CNPq e Fapes, pesquisas focam na agricultura familiar e visam reforçar a liderança nacional do Estado na produção da hortaliça, que movimentou R$ 276,8 milhões em 2024
Incaper desenvolve variedades de inhame para ampliar produtividade no Espírito Santo. Foto: Reprodução

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) iniciou o desenvolvimento de novas variedades de inhame (taro) especificamente adaptadas às condições de cultivo do Espírito Santo. O projeto tem como objetivos centrais o aumento da produtividade nas lavouras, a melhoria da qualidade do alimento e o fortalecimento da agricultura familiar, setor responsável pela maior parte da produção capixaba.

A iniciativa visa reforçar o protagonismo do Estado, que atualmente responde por quase 50% de todo o inhame produzido no Brasil. Segundo dados de 2024, a produção capixaba atingiu 120,5 mil toneladas em uma área colhida de 3,3 mil hectares, registrando uma produtividade média de 36,9 toneladas por hectare. O Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura foi de R$ 276,8 milhões no período.

Pesquisa e investimento
Entre as ações em andamento, destaca-se o projeto “Potencialização da cultura do taro no Espírito Santo: caracterização de germoplasma, diversidade genética e seleção de variedades”. A proposta foi aprovada no Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com um aporte de R$ 147,7 mil. O projeto figura entre os sete selecionados na área de Agronomia no Espírito Santo em uma chamada de abrangência nacional.

“O apoio do CNPq amplia a visibilidade nacional do trabalho realizado pelo Incaper e permite aprofundar os estudos com foco na seleção de genótipos mais produtivos, adaptados às condições locais e com melhor qualidade nutricional”, afirma a pesquisadora Rosenilda de Souza, coordenadora do projeto.

Paralelamente, Rosenilda coordena outra iniciativa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), com investimento de R$ 167,6 mil. Este segundo projeto foca no resgate e na caracterização de variedades crioulas conservadas por agricultores familiares em diferentes regiões produtoras, ampliando a base genética dos estudos.

Metodologia e biotecnologia
Os trabalhos utilizam como base o Banco de Germoplasma de Taro do Incaper, localizado no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins, que reúne 40 acessos (materiais genéticos).

Os experimentos serão conduzidos sob manejo agroecológico ao longo de três safras agrícolas. As avaliações ocorrerão em dois ambientes distintos para testar a adaptabilidade:

  • Alta altitude: Município de Domingos Martins.
  • Baixa altitude: Município de Viana.

Um diferencial do projeto é a aplicação de tecnologia molecular. Daniela Camporez, pesquisadora do Incaper responsável pelos estudos moleculares, explica que a propagação vegetativa do inhame, feita por meio de rizomas, favorece variações genéticas naturais.

“Essa variabilidade é estratégica para identificar materiais superiores e avançar nos programas de melhoramento genético”, explica Camporez. Segundo a pesquisadora, as análises moleculares complementarão a caracterização morfoagronômica, oferecendo um panorama preciso para a seleção de variedades superiores.

Prazos e equipe técnica
O desenvolvimento de novas cultivares é um processo de longo prazo. De acordo com Rosenilda de Souza, serão necessários, no mínimo, dois anos de avaliações em campo e análises laboratoriais, seguidos de mais um ou dois anos para a comprovação dos resultados.

A execução envolve uma equipe multidisciplinar do CPDI Serrano, incluindo os pesquisadores Patrick Alves de Oliveira (olericultura) e Jhonatan Marins Goulart (agroecologia), além do técnico Lucas Manske, da Fazenda Experimental de Viana, responsável pela condução dos experimentos em campo.

O trabalho conta ainda com parcerias acadêmicas, envolvendo laboratórios da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Cenário atual e principais produtores
Atualmente, as variedades mais plantadas no estado são a Chinês, São Simão, Macaquinho e São Bento. A cultivar São Bento, originária de São Bento de Urânia (Alfredo Chaves), possui Indicação Geográfica (IG) obtida com auxílio do Incaper.

“O desenvolvimento de novas variedades amplia as opções para os agricultores, reduz riscos produtivos e contribui para a sustentabilidade da cultura a médio e longo prazo”, ressalta Rosenilda.

Em 2024, o município de Alfredo Chaves liderou a produção estadual com 31,7 mil toneladas. O ranking dos maiores produtores inclui ainda:

  • Alfredo Chaves: 31,7 mil toneladas.
  • Laranja da Terra: 16,5 mil toneladas.
  • Marechal Floriano: 10,5 mil toneladas.
  • Santa Leopoldina: 9,2 mil toneladas.

Outros municípios de destaque na economia regional do inhame são Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Muniz Freire.

Sobre o Inhame (Taro)
Originário do Sudeste Asiático, o inhame (Colocasia esculenta) é uma hortaliça tuberosa cultivada há milhares de anos. É um alimento energético, rico em carboidratos, fibras, potássio, magnésio e vitaminas do complexo B, apresentando baixo teor de gordura. A cultura possui potencial tanto para consumo in natura quanto para processamento agroindustrial.

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Atualizado: 21/01/2026 10:03

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