O Espírito Santo lançou nesta segunda-feira (4) o Novo Plano de Crédito Rural 2025/26 com previsão de R$ 10 bilhões em recursos para financiamento da produção no campo. O anúncio foi feito durante evento que reuniu representantes do setor agropecuário, instituições financeiras e autoridades, e apresentou também a Plataforma Selo Verde-ES e um Projeto de Lei que autoriza o uso de crédito outorgado de ICMS para modernização da infraestrutura elétrica rural.
Durante a cerimônia, foram detalhados os resultados do ciclo anterior (2024/25), que atingiu a marca de R$ 8,98 bilhões em aplicações de crédito, um crescimento de 25,8% em relação ao período passado, que foi de R$ 7,14 bilhões. A expectativa para o ciclo 2025/26 é que o volume de crédito aplicado chegue a R$ 9,8 bilhões, mantendo a trajetória de expansão em contraste com a média nacional, que registrou queda de 11,2% no último ano.
“O crédito equalizado com juros adequado ajuda muito os produtores a enfrentarem momentos de dificuldade. Estamos colocando R$ 10 bilhões à disposição para conseguirmos manter e ampliar nossa produção. Demos diretrizes para priorizar setores que possam ser impactados pelo tarifaço dos Estados Unidos”, afirmou o governador Renato Casagrande.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o modelo capixaba se tornou uma referência. “Nossa meta para o novo ciclo é histórica: queremos alcançar R$ 9,8 bilhões em crédito aplicado. Com as novas medidas anunciadas hoje, damos mais um passo rumo a um agro cada vez mais moderno, sustentável e competitivo”, disse.
Para o vice-governador Ricardo Ferraço, a ampliação do crédito demonstra o otimismo do setor. “Agricultores familiares, médios e grandes empreendedores aqui têm estímulo. Recursos em condições eficientes para investimentos e custeio na propriedade. Seja para compra de maquinário, implantação de lavouras, reformas na propriedade, implementação de tecnologias de cultivo e muito mais”, comentou.
Pequenas barragens e crédito com juros reduzidos
Uma das novidades do ciclo 2025/26 é o Programa de Financiamento de Pequenas Barragens, que contará com aporte de R$ 60 milhões. A linha é destinada à agricultura familiar, com juros de 4% ao ano. O primeiro contrato do programa foi assinado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) ainda durante o lançamento.
Segundo o vice-governador Ricardo Ferraço, os investimentos vão atender agricultores familiares, médios e grandes produtores. “Teremos mais um ano de bons anúncios para impulsionar a agropecuária capixaba”, afirmou.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, anunciou que a meta para o novo ciclo é atingir R$ 9,8 bilhões em crédito aplicado, reforçando o modelo capixaba como “referência nacional” em planejamento e articulação entre agentes do setor.
Rastreabilidade e conformidade ambiental com o Selo Verde-ES
Lançada oficialmente no evento, a Plataforma Selo Verde-ES é uma ferramenta digital gratuita voltada para a rastreabilidade e conformidade socioambiental das propriedades rurais. Desenvolvida com apoio da União Europeia, a plataforma busca facilitar o acesso a mercados internacionais exigentes, como o europeu.
De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), 98% das propriedades cafeeiras capixabas não registraram desmatamento desde 2020. “O Selo Verde servirá como um grande incentivo para que os agricultores tenham compromisso socioambiental”, afirmou o diretor-geral do Idaf, Leonardo Monteiro.
O gestor do programa Al-Invest Verde, Andrea Monaco, enviou mensagem em vídeo destacando a cooperação com o Espírito Santo na construção de cadeias produtivas livres de desmatamento. Segundo ele, a parceria inclui mapeamento de cultivos e missões técnicas internacionais para conhecer o modelo adotado no Estado.
Energia trifásica no campo com ICMS outorgado
Durante o evento também foi assinado o Projeto de Lei que autoriza o uso de crédito outorgado de ICMS para viabilizar a conversão de redes elétricas monofásicas em trifásicas nas áreas rurais, por meio do programa Energia Mais Produtiva. A medida permitirá investimentos por parte das distribuidoras, aumentando a eficiência energética e a produtividade nas propriedades.
Segundo o secretário de Estado da Fazenda, Benicio Costa, a medida é viável devido ao equilíbrio fiscal do Estado. “Podemos apoiar projetos estruturantes como esse, que fortalecem o campo e aumentam a competitividade da nossa agricultura”, disse.
O conjunto de ações faz parte das diretrizes do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4), que busca fortalecer o agronegócio e a agricultura familiar no estado.


















