Estima-se que o descomissionamento de 680 poços de petróleo no ES deve gerar R$ 2,4 bilhões em negócios entre os anos de 2022 e 2026
O Espírito Santo deve receber, nos próximos quatro anos, uma total de R$ 8,1 bilhões em investimentos para o setor de óleo e gás. Entre as empresas que deverão aportar recursos em território capixaba estão Petrobras, Karavan Oil, Shell, PetroRio, Imetame e ES Gás — empresa da qual o Estado é sócio majoritário.
Os dados fazem parte da 5ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no ES, produzido pelo Observatório da Indústria da Findes, divulgado nesta sexta-feira (29). O documento reúne os mais importantes dados e análises do setor, além de apresentar uma projeção da produção de óleo e gás até 2025.
Segundo o estudo, estima-se que o descomissionamento de 680 poços de petróleo no ES deve gerar R$ 2,4 bilhões em negócios entre os anos de 2022 e 2026.
O material traz ainda informações como produção de petróleo e gás, número de poços perfurados no Estado, detalhamento dos investimentos previstos, arrecadação de royalties e participações especiais, entre outros números.
O documento é produzido pelo Observatório da Indústria, com o apoio do Sebrae e do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia.
Projeção do Observatório da Indústria: produção de petróleo deve cair 2,7% ao ano até 2025
O Estado ocupa a 3ª posição na produção de petróleo, com 8,4% na participação da produção nacional. Sendo a quarta do ranking na posição na produção de gás natural, correspondendo a 4,9% da produção nacional.
Mas, mesmo com a relevância, desde 2014, o Espírito Santo passou a registrar sucessivas quedas da produção, atingindo em 2021 a menor contribuição para a produção nacional nos últimos 12 anos, de 7,3% para o petróleo e 4,1% para o gás natural.
De acordo com a economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório da Indústria, Marília Silva, a retração da atividade petrolífera está atrelada a alguns fatores como o ambiente internacional menos favorável e o pouco interesse das petroleiras nas áreas de nova fronteira (áreas a serem exploradas) de produção de petróleo e gás.
“Além disso, os campos produtores perderam espaço dentro da carteira de investimentos das grandes petroleiras, sendo mantidos com a produção abaixo da capacidade. Esse panorama, atrelado às fases de declínio natural da produção da maioria dos campos produtores, proporcionou um cenário de queda no nível de atividade do setor no Espírito Santo”, justificou.
Marília explicou que, de acordo com a projeção trazida pelo Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo, esse cenário de queda da produção não deve ser revertido nos próximos anos.
Espera-se que até 2025 a produção de petróleo em mar (offshore) tenha uma queda média anual de 2,70%, alcançando uma produção de 64,4 milhões de barris. Para o gás natural, projeta-se um aumento médio anual de 1,02%, até 2025, alcançando uma produção de 2,1 bilhões de metros cúbicos (m³).
No ambiente onshore (em terra), espera-se que até 2025 a produção de petróleo tenha uma queda média anual de 3,58%, atingindo 2,5 milhões de barris. Em relação ao gás natural, espera-se que o insumo tenha uma queda média anual na produção de 3,62% até 2025, chegando a 21,7 milhões de m³.
“O Anuário nos ajuda a entender as perspectivas para os próximos anos e isso é fundamental para que o poder público, a iniciativa privada e a sociedade planejem o futuro do setor e a forma mais eficiente de aplicação dos recursos gerados a partir desta cadeia produtiva”, destacou a presidente da Findes, Cris Samorini.


















