Quinze pessoas são apontadas como participantes da fraude, segundo o delegado Janderson Lube
A Polícia Civil do Espírito Santo apontou ao menos dois esquemas de corrupção que geraram prejuízo de quase R$ 1 milhão à Santa Casa de Misericórdia, hospital filantrópico de Vitória.
Segundo a polícia, as fraudes começaram em 2019, com a inserção de gratificações no salário de funcionários do hospital que repassavam parte desse dinheiro aos líderes. O outro esquema identificado pela “Operação RH” foi o de contratação de funcionários fantasmas de março a setembro de 2020, com salários altos que variavam de R$ 25 mil a R$ 79 mil.
Quinze pessoas são apontadas como participantes da fraude, segundo o delegado Janderson Lube. O líder seria o ex-gerente de RH da Santa Casa, que atuava desde 2015 e foi demitido em setembro do ano passado. Ele foi preso na última sexta-feira (24), em um sítio em Marechal Floriano que a polícia acredita ter sido comprado com dinheiro dos desvios.
Seu comparsa é um construtor, que está foragido e teria indicado pessoas para terem seus nomes usados como funcionários fantasmas do hospital. A investigação apontou que o esquema tinha ainda seis empregados recebendo gratificações repassadas para o chefe do esquema e ainda sete funcionários fantasmas.
Os investigados são acusados de falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo o delegado Janderson Lube, a identificação dos funcionários fantasmas e gratificações foi identificada com o apoio do laboratório de lavagem de dinheiro do MP.
“Os funcionários recebiam os valores e repassavam para o ex-funcionário que era gerente de RH, portanto responsável pela admissão. Ele conseguiu, por meio da sua função, inserir funcionários fantasmas no início da pandemia. E como naquela época em várias instituições os funcionários ficavam em trabalho remoto, essa circunstância favoreceu realizar a fraude. No caso das gratificações, parte delas eram repassadas para ele, mas cada funcionário reteve alguma parcela”, explicou o delegado Janderson Lube.
Já os nomes dos funcionários fantasmas foram indicados pelo construtor foragido. Eles foram inseridos como funcionários da Santa Casa com altos salários, de R$ 25 mil a R$ 79 mil e 80% a 90% eram repassados para os líderes dos esquemas.
A investigação começou no ano passado, depois de a própria Santa Casa informar à polícia sobre as suspeitas de funcionários fantasmas e gratificações inseridas no esquema que estavam dando prejuízo à irmandade.
A Irmandade da Santa Casa de Vitória foi fundada em 1545 por Vasco Fernandes Coutinho e foi a segunda instituição deste tipo instalada no Brasil com o nome de Irmandade da Misericórdia do Espírito Santo. Já o Hospital foi construído em 1911.
Com ES360


















