O Governo do Brasil divulgou, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, que 4.318 crianças e adolescentes foram afastados do trabalho infantil em todo o país ao longo do ano de 2025. O balanço nacional, detalhado no dia 12 de junho, indica que o Espírito Santo figura entre os estados com os maiores volumes de fiscalizações e afastamentos registrados. O resultado total é fruto de 10.234 ações coordenadas pela Auditoria Fiscal do Trabalho e representa o melhor índice de enfrentamento a essa violação de direitos na última década.
Continuidade das ações nos primeiros meses de 2026
Os dados referentes ao primeiro quadrimestre de 2026 revelam a manutenção das atividades de fiscalização em território nacional. Entre janeiro e abril, os auditores-fiscais do Trabalho realizaram 2.901 ações fiscais, resultando no afastamento de outras 1.108 crianças e adolescentes de situações de exploração laboral.
Nesse período inicial de 2026, o Espírito Santo permaneceu na lista dos estados que registraram os maiores quantitativos de afastamentos, acompanhado por Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Bahia. Em 2025, o estado capixaba já havia integrado o grupo de maiores volumes de resgates ao lado de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro.
Do total de jovens retirados do trabalho nos primeiros quatro meses de 2026, 76,99% estavam submetidos às chamadas piores formas de trabalho infantil. Estas são caracterizadas por atividades que oferecem elevados riscos para a saúde, a segurança, a moralidade e o desenvolvimento físico e psicológico de crianças e adolescentes.
Setores econômicos com maior incidência
A análise dos casos identificados em 2025 e no início de 2026 indica que mais de 70% do público infantil e adolescente encontrado estava inserido nas piores formas de trabalho infantil. As operações da Auditoria Fiscal concentraram-se em setores específicos que tradicionalmente utilizam essa mão de obra.
Dentre os segmentos econômicos monitorados, destacam-se o comércio varejista, os serviços ambulantes de alimentação, restaurantes, lanchonetes, supermercados, oficinas mecânicas e algumas atividades ligadas à indústria. Segundo o governo, os resultados refletem o aprimoramento do planejamento das ações fiscais nos estados, o que expandiu a capacidade de identificar e retirar as vítimas destas situações.
Articulação institucional e canais de denúncia
A atuação do Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Inspeção do Trabalho, integra a política pública nacional para a erradicação do trabalho infantil. O processo envolve ações coordenadas com a rede de proteção social, conselhos tutelares e demais instituições parceiras. O objetivo consiste em retirar os menores da situação de trabalho proibido e promover sua inclusão em políticas públicas voltadas a romper ciclos de vulnerabilidade social e econômica.
O coordenador de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Roberto Padilha Guimarães, ressaltou a relevância do monitoramento contínuo.
“Os resultados alcançados ao longo de 2025 e nos primeiros meses de 2026 evidenciam que a atuação da Inspeção do Trabalho constitui um instrumento essencial para a identificação, a interrupção e a prevenção do trabalho infantil, contribuindo de forma decisiva para a proteção e a garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes em todo o território nacional”, afirmou.
Para combater a prática e assegurar direitos como educação, lazer e convivência familiar, o governo federal intensificou a atuação por operações, capacitações e articulações interinstitucionais. O Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza um canal exclusivo para o recebimento de denúncias: o Sistema Ipê Trabalho Infantil, que pode ser acessado pelo site ipetrabalhoinfantil.trabalho.gov.br.


















