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Desmatamento na Amazônia cai 61,4% e governo rebate acusações dos Estados Unidos

12 jun 2026 - 09:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Dados do Inpe registram a maior redução percentual histórica para o mês, impulsionada por ações de fiscalização em campo. No mesmo dia, balanço apontou crescimento recorde do Fundo Amazônia e autoridades negaram falhas no controle ambiental
Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio e governo rebate acusações dos Estados Unidos. Foto: Pok Rie/Pexels

O desmatamento na Amazônia Legal apresentou uma redução de 61,4% em maio deste ano em comparação ao mesmo mês de 2025, configurando a maior queda percentual já registrada na região para o período. Os números, que apontam a supressão de 370 quilômetros quadrados de vegetação no mês passado contra 960 quilômetros quadrados no ano anterior, foram divulgados nesta quinta-feira (11) pelo governo federal em Brasília, evidenciando o impacto direto das operações de monitoramento e fiscalização ambiental no país.

Os índices são provenientes do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A apresentação oficial ocorreu durante uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Esses dados orientam rotineiramente o trabalho de campo de órgãos de controle, com destaque para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o resultado de maio representa um marco histórico, uma vez que o mês coincide com o início da estação seca, período em que a supressão vegetal costuma aumentar na região.

“Nós monitoramos isso dia a dia com uma certa aflição. Com o Ibama indo a campo fazendo os embargos remotos, o ICMBio indo a campo impedindo o desmatamento em unidades de conservação federais e também agindo em terras indígenas e assentamentos, conseguimos esse feito fundamental”, declarou o ministro.

A projeção das autoridades é de consolidação dessa tendência. A taxa anual de desmatamento, extraída do sistema Prodes e medida de agosto de um ano a julho do ano seguinte, deve registrar o menor número final da história da Amazônia em 31 de julho deste ano. No período agregado de agosto de 2025 a maio de 2026, a área desmatada foi de 2.189 quilômetros quadrados, uma queda de 37,5% em relação ao ciclo de 2024 a 2025, marcando o menor índice já documentado.

A análise detalhada dos alertas do Deter revela que 37,1% das ocorrências se deram em áreas regularizadas, onde o Código Florestal autoriza até 20% de supressão vegetal em propriedades privadas. Outros 21,3% aconteceram em florestas públicas não destinadas e 17,4% em áreas sem registro fundiário, caracterizando zonas de desmatamento ilegal.

Fundo Amazônia amplia aprovações e atinge nível recorde
Além dos dados de queda na devastação, o Ministério do Meio Ambiente e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram um balanço do Fundo Amazônia. Desde a retomada de sua governança em 2023, o ritmo anual de aprovação de projetos foi quadruplicado. A média, que girava em torno de R$ 300 milhões entre 2009 e 2018, saltou para R$ 1,3 bilhão no ciclo recente, de 2023 a 2026.

Atualmente, o mecanismo soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados. O foco de atuação inclui prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de apoio à restauração florestal, regularização ambiental e territorial, e fomento à produção sustentável.

De acordo com nota divulgada pelo BNDES, o Fundo Amazônia chega aos 18 anos como a maior e mais bem-sucedida iniciativa global de REDD+ em volume de recursos e resultados. O incentivo foi criado no âmbito da ONU para recompensar financeiramente países que reduzem emissões. O banco informou que o crescimento ocorreu após a reativação da governança do fundo, a recriação da estrutura dedicada no BNDES e a definição de novas diretrizes focadas no desenvolvimento sustentável.

Entre 2023 e 2025, os desembolsos anuais atingiram R$ 224 milhões, superando a média histórica anterior. O número de projetos aprovados por ano passou de dez para 15, um incremento de 50%. O período de 2023 a 2026 já responde por 57% de todas as aprovações e contratações do mecanismo, que hoje beneficia 169 terras indígenas, 192 unidades de conservação, mais de 650 organizações e 260 mil pessoas.

Cerrado também registra tendência de queda no desmatamento
O bioma Cerrado acompanhou o recuo nos índices. O Inpe apontou uma redução de 12,2% no desmatamento em maio de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No período acumulado de agosto de 2025 a maio deste ano, a queda na supressão de vegetação foi de 8,2%, somando 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada.

Diferentemente da dinâmica amazônica, a maior parte do desmatamento no Cerrado (73,4%) ocorreu em propriedades privadas já regularizadas. As normas ambientais para este bioma permitem o desmatamento legal de até 65% das áreas, mediante autorização.

Governo brasileiro rebate pressões e tarifas dos Estados Unidos
A apresentação dos dados serviu também para que o governo brasileiro debatesse pressões comerciais internacionais. No início de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu aplicar tarifas punitivas de 25% sobre produtos brasileiros importados. A alegação americana é de que o Brasil possui um histórico de falhas na aplicação eficaz de seu marco legal contra o desmatamento ilegal, classificando as práticas como irrazoáveis e restritivas ao comércio.

O presidente Lula rejeitou os questionamentos e defendeu o compromisso do país com as metas climáticas. “Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, afirmou. O presidente acrescentou que a decisão é uma questão de justiça e participação global do Brasil, provando que a preservação ambiental é mais lucrativa do que a destruição.

O ministro Capobianco reforçou que as estatísticas atuais contradizem a posição do USTR. “O Brasil está agindo objetivamente e obtendo resultados comprovados pela pesquisa, pelos estudos científicos, de que a Amazônia está numa nova situação com controle ambiental”, destacou.

O ministro também negou de forma contundente a alegação de que o Brasil exportaria madeira de origem ilegal. Ele explicou que toda a madeira enviada ao exterior passa por rigoroso monitoramento, possuindo uma cadeia de custódia com código de barras detalhado que rastreia tudo o que é extraído via manejo florestal autorizado na Amazônia.

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Atualizado: 12/06/2026 09:40

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