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Flávio nega fraude, mas polícia liga filme de Bolsonaro a esquema milionário com dinheiro público

01 jun 2026 - 17:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Operação em São Paulo mira produtora de 'Dark Horse' e apura desvio em contrato de Wi-Fi de R$ 108 milhões. Senador afirma que ação policial não tem ligação com a obra cinematográfica
Flávio Bolsonaro. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rechaçou nesta segunda-feira (1º) qualquer ligação entre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga um suposto desvio de R$ 108 milhões em contratos da prefeitura paulistana. A ação policial apura suspeitas de que recursos públicos destinados a um programa de Wi-Fi gratuito tenham sido lavados e direcionados à produtora responsável pelo longa-metragem por meio de fraudes licitatórias.

Posição de Flávio Bolsonaro e o financiamento
Questionado sobre a operação ao chegar para um evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, o senador e pré-candidato à Presidência foi categórico. “[Não] tem nada a ver com o filme”, declarou o parlamentar à imprensa.

Apesar da negativa, as investigações e relatórios apontam para a captação de recursos com figuras controversas. Levantamentos indicam que Flávio Bolsonaro atuou diretamente na busca por financiamento para a produção. O senador trocou mensagens com o ex-banqueiro, e agora presidiário, Daniel Vorcaro, preso em março deste ano em uma investigação da Polícia Federal sobre fraude bancária, solicitando verbas para o projeto.

Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido pagos para financiar a obra. Flávio, que chegou a visitar Vorcaro na prisão em novembro do ano passado, afirma que os recursos captados eram estritamente privados e nega que tivesse conhecimento dos crimes atribuídos ao ex-banqueiro no momento em que buscou o apoio financeiro.

Conexões com a família Bolsonaro e aliados
O elo entre a produtora do filme, a Go UP Entertainment, e a família Bolsonaro passa diretamente pela figura de sua proprietária, Karina Ferreira da Gama. A empresária, que até 2019 tinha uma vida profissional com remuneração de até R$ 25 mil, apresentou rápida expansão em seus negócios a partir de 2020.

A ascensão coincide com sua aproximação do então secretário de Cultura do governo Bolsonaro, o hoje deputado federal Mario Frias (PL-SP). Foi Frias quem fez a ponte entre Karina e a família do ex-presidente, incluindo o senador Flávio e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A partir desse contato, as empresas e entidades ligadas a Karina passaram a atuar em campanhas do PL, inclusive a de Mario Frias, e a receber recursos de emendas parlamentares bolsonaristas para projetos culturais e esportivos. O escritório onde a empresária trabalha, localizado em área nobre de São Paulo, chegou a receber a visita de Frias e de Eduardo Bolsonaro.

Operação e as suspeitas da polícia
A operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (1º) cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os alvos foram a sede da Go UP Entertainment, a residência de Karina Gama, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), entidade privada presidida pela empresária.

A Polícia Civil e o Ministério Público investigam o contrato firmado entre o ICB e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para o fornecimento de internet gratuita em comunidades carentes de São Paulo. Os crimes sob investigação incluem:

  • Frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório.
  • Fraude na execução de contrato administrativo.
  • Emprego irregular de verbas ou rendas públicas.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados”, afirma o ofício do delegado responsável pelo caso.

A investigação foi reforçada por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações atípicas e suspeitas de financiamento cruzado ilícito entre as contas do instituto e da produtora. A polícia aponta sobrepreço no contrato: enquanto o instituto cobrou R$ 1.800 por ponto de Wi-Fi, a Prodam (empresa pública paulistana) realiza o mesmo serviço por R$ 230 na implantação e R$ 306 na manutenção mensal.

Reações e desdobramentos
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que é aliado de Flávio Bolsonaro, classificou a operação policial como uma possível “perseguição política”. Segundo Nunes, a ação parece motivada pelo envolvimento da empresária com o filme sobre o ex-presidente, e não por falhas reais no processo administrativo. Ele defendeu a legalidade da contratação e ressaltou que a prefeitura já havia descontado pagamentos de serviços não comprovados.

Por sua vez, Karina Gama, que não foi localizada nesta segunda-feira para comentar a operação policial, já havia negado anteriormente qualquer ligação entre o contrato da prefeitura e os custos do filme. A empresária afirma que a obra cinematográfica não recebeu dinheiro de origem pública brasileira e costuma tecer elogios rasgados ao longa, afirmando que a produção “merece seis Oscars” e exaltando a atuação de Mario Frias nos bastidores do projeto.

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